Remake de uma tragicomédia francesa, No Ritmo do Coração conseguiu superar sucessos como Duna, um faroeste aclamado e um musical de Steven Spielberg no Oscar.
O que filmes como ...E o Vento Levou, Casablanca, Ben-Hur, Lawrence da Arábia, O Poderoso Chefão, Platoon, Dança com Lobos e Gladiador têm em comum? Todos venceram o Oscar de Melhor Filme e hoje são considerados verdadeiros marcos da história do cinema. Muito provavelmente, o vencedor mais recente da categoria — Uma Batalha Após a Outra, de Paul Thomas Anderson — também será lembrado como um clássico no futuro.
Naturalmente, para qualquer produção, entrar para a mesma lista desses títulos é a maior honraria possível. No entanto, nem mesmo conquistar o principal prêmio do cinema mundial na categoria mais importante garante que um filme permanecerá vivo no imaginário popular ao longo dos anos.
Afinal, quando foi a última vez que você pensou em As Aventuras de Tom Jones (1963) ou em Crash – No Limite (2005)? Um dos exemplos mais curiosos desse fenômeno é justamente o grande vencedor do Oscar de 2022: No Ritmo do Coração.
Dirigido por Siân Heder, o longa superou concorrentes de peso na disputa pelo prêmio de Melhor Filme, como Duna, Amor, Sublime Amor, de Steven Spielberg, o aclamado faroeste da Netflix Ataque dos Cães, de Jane Campion, e a obra-prima japonesa Drive My Car. Além do prêmio principal, o filme também venceu nas categorias de Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Ator Coadjuvante, com Troy Kotsur.
Mesmo assim, apenas quatro anos depois, No Ritmo do Coração parece ter desaparecido completamente das conversas sobre cinema. Se você também praticamente se esqueceu do filme — ou nunca chegou a assisti-lo —, ele está disponível no Apple TV+. Atualmente, o serviço também pode ser assinado como canal dentro do Prime Video, oferecendo, inclusive, um teste gratuito de sete dias para assinantes do Amazon Prime.
Por que No Ritmo do Coração caiu no esquecimento tão rapidamente?
Existem vários fatores que ajudam a explicar por que o filme perdeu relevância em tão pouco tempo. O primeiro deles é sua distribuição limitada. Pouco depois de estrear no Festival de Sundance, em janeiro de 2021, o Apple TV+ adquiriu os direitos mundiais da produção.
Como consequência, em grande parte dos países o longa foi lançado diretamente no streaming, sem uma ampla passagem pelos cinemas — e ainda de forma exclusiva em uma plataforma que possui uma base de assinantes muito menor do que serviços como Netflix e Prime Video.
Outro motivo é que, embora tenha recebido críticas majoritariamente positivas, No Ritmo do Coração — remake da comédia dramática francesa A Família Bélier — continua sendo, em essência, um drama leve e convencional.
Qual a história do filme vencedor do Oscar?
A história acompanha Ruby Rossi (Emilia Jones), uma adolescente de 17 anos que é a única pessoa ouvinte de uma família de surdos que vive em uma pequena comunidade pesqueira. Apesar da sensibilidade da narrativa e da boa recepção da crítica, trata-se de um típico filme "feel good", construído a partir de uma fórmula bastante conhecida.
Em nossa crítica, a jornalista Katiúscia Vianna concedeu uma nota sólida, e próxima da excelência: 4,5 de 5 estrelas. Muitos acreditam, portanto, que, naquele ano, a Academia tenha sido influenciada mais pela relevância do tema abordado do que propriamente pelos méritos cinematográficos da obra.