"Nunca vimos nada parecido antes": Nova aposta de James Wan, Outra Mamãe promete ser um dos filmes mais assustadores do ano (Entrevista)
Bruno Botelho dos Santos
-Redator | crítico
Bruno é redator e crítico do AdoroCinema, que divide seu tempo na cultura pop entre tomar susto com os mais diversos filmes de terror, assistir os clássicos do cinema ou os grandes blockbusters e enaltecer o trabalho de David Lynch e Stanley Kubrick.

Conversamos com o produtor James Wan e o diretor Rob Savage sobre Outra Mamãe, novo filme de terror estrelado por Jessica Chastain.

James Wan é um dos maiores nomes do terror atual, responsável pelas franquias Invocação do Mal, Sobrenatural e Jogos Mortais, e sua nova aposta como produtor é Outra Mamãe, dirigido por Rob Savage (Cuidado Com Quem Chama e Boogeyman: Seu Medo é Real), que promete ser um dos filmes mais assustadores do ano.

A Universal Pictures divulgou o trailer de Outra Mamãe, que entrega algumas das cenas mais aterrorizantes que os fãs de terror vão assistir em 2026. Os sustos partem principalmente da atuação assustadora de Jessica Chastain, em momentos que não apenas assume o papel da mãe, mas a manifestação de uma entidade que se passa por ela.

Na trama do filme, adaptação do livro "Incidents Around the House" de Josh Malerman, acompanhamos o mundo sombrio de uma jovem, Bela (Arabella Olivia Clark), que estabelece uma relação com uma entidade sinistra em sua casa que se parece, de forma inquietante, com sua própria mãe (Jessica Chastain).

Entrevista de Outra Mamãe com James Wan e Rob Savage: "Todos os ingredientes de um ótimo filme de terror"

Em entrevista exclusiva ao AdoroCinema, o produtor James Wan e o diretor Rob Savage comentaram sobre o trailer e o que os fãs podem esperar de Outra Mamãe.

AdoroCinema: Vocês são mestres em trabalhar com entidades assustadoras, como vimos em Invocação do Mal, Sobrenatural e Boogeyman. O que os fãs de terror podem esperar de Outra Mamãe?

Rob Savage: Acho que o que há de único em Outra Mamãe é que se trata de uma personagem que finge ser um membro da família, um ente querido. Neste caso, é a mãe da nossa personagem principal, Bela. E por isso há um componente emocional nisso que eu acho que é diferente de outros vilões de terror.

Esta é uma personagem que está tentando meio que se insinuar nessa dinâmica familiar, fazer amizade com essa criança jovem e impressionável e meio que jogando com essa dinâmica familiar. E é interpretada por Jessica Chastain, que é obviamente uma das atrizes mais icônicas, fantásticas, em atividade e que é muito querida no meio do terror.

Você tem um pequeno vislumbre disso neste trailer, mas nunca a vimos fazer nada parecido com isso antes. Nunca a vimos interpretar uma personagem demoníaca e maligna, e ela realmente vai surpreender as pessoas com os caminhos que ela vai neste filme

AC: Como você acabou de falar, uma das coisas que chamou minha atenção ao assistir ao trailer foi a atuação da Jessica Chastain. O quão importante ela foi na construção das cenas mais assustadoras do filme?

RS: Jessica também é uma grande fã de terror, o que ajuda muito porque ela entende completamente a proposta e você conversa com ela no set e diz: 'Ok, é assim que queremos que o público se sinta. Vamos começar a aumentar a tensão aqui'. E ela diz: 'Ok, veja isso'. E ela nos entrega essa atuação incrivelmente calibrada que eleva a tensão sem a necessidade de efeitos especiais espalhafatosos ou algo do tipo. Isso realmente facilita muito o nosso trabalho, porque ela domina apenas com a sua atuação.

É algo que estou amando de verdade nessa nova onda de filmes de terror como Obsessão, que são muito baseados em atuações. Aquele filme depende da atuação de Inde Navarrette e, da mesma forma aqui, tantas cenas no filme foram planejadas para serem muito mais exageradas e cheias de efeitos especiais. E assim que vimos o que a Jessica estava fazendo, dissemos: 'Ah, bem, o que este filme precisa é de mais Jessica e menos efeitos especiais'. E esse é realmente o melhor efeito especial deste filme: a atuação da Jessica.

AC: A premissa explora fortemente o terror psicológico, explorando temas como maternidade e solidão, mas sem deixar os sustos de lado. Como vocês fizeram para equilibrar esses elementos no filme?

James Wan: Tem todos os ingredientes do que eu acho que faz um ótimo filme de terror. Primeiro você precisa ser capaz de abordar isso de um ponto de vista emocional, de um lugar que possamos entender e nos identificar. E não há nada mais compreensível e identificável do que uma história sobre uma família, certo? É uma dinâmica familiar. E você está vendo o filme sob a perspectiva de uma garotinha. Então, nesse sentido, não sabe o quanto pode confiar nessa perspectiva porque ela é muito jovem.

E acho que é isso que torna tudo divertido para nós, certo? É isso que o torna único, do ponto de vista do cineasta, para o Rob e para mim, significa que, sabe, podemos ter a entidade, a entidade maligna lá fora tentando imitar a mãe para se aproximar dessa garotinha. Mas a entidade provavelmente está tentando mostrar coisas muito divertidas, para tentar enganá-la. E, então, porque vemos através da perspectiva da garotinha, estamos vendo o quão divertido é, mas, como adultos, sabemos que há algo de muito errado nisso. E essa é realmente aquela linha tênue que torna este filme divertido, acompanhar esses momentos de susto que deveriam ser meio que criados de uma forma que agradasse e atraísse uma garotinha, mas é tão pervertido.

É isso que o torna realmente arrepiante e assustador, é saber a intenção por trás de todos esses jogos divertidos que a 'Outra Mamãe' está tentando jogar. É isso que torna um filme de terror realmente prazeroso de assistir, ver os cineastas nos levando nessa espécie de viagem louca. Essa é a coisa realmente linda que o Rob fez, um trabalho fantástico em encontrar o que é isso e saber como executar direito, porque as sequências deste filme são loucas, mas de um jeito muito divertido, de uma forma única que não vimos antes

AC: Uma das cenas mais assustadoras do trailer é a que Jessica Chastain aparece toda contorcida debaixo da mesa. Gostaria que vocês comentassem um pouco dela e como criaram alguns dos momentos mais assustadores.

RS: Quando li o livro do Josh Malerman pela primeira vez, há uma versão desse susto no livro que acontece bem no início, em plena luz do dia, no meio de uma cena de café da manhã com a família. E eu apenas pensei: 'isso realmente meio que subverte os ritmos de terror que o público espera'. Isso é apresentar um susto no cenário doméstico mais inesperado, que o público não vai prever.

É um verdadeiro desafio também, porque é fácil tornar corredores escuros e mansões rangendo aterrorizantes. Mas se você conseguir trazer esse terror para espaços domésticos, para a luz do dia, e brincar com ritmos inesperados, você pode realmente assustar as pessoas de maneiras novas. E este filme teve tantas oportunidades para isso. É apenas a ponta do iceberg em termos de como Outra Mamãe se insinua em todos esses espaços domésticos e na dinâmica familiar.

AC: Com os sucessos de Backrooms e Obsessão, qual é o cenário do cinema de terror atual? O que ele tem de diferente e especial para levar as pessoas aos cinemas?

JW: É ótimo para nós, fãs de terror, que amamos esse tipo de filme. E acho que trabalhar com jovens cineastas como o Rob e como Kane Parsons, Curry Barker e todos esses caras é apenas encontrar novas perspectivas. Eu já faço isso há algum tempo, então gosto de ver novas perspectivas de uma nova geração de cineastas que estão chegando e trazendo coisas que, que são emocionais para eles, que significam o mundo para eles.

Muito disso é um reflexo da sociedade em que vivemos hoje, a turbulência econômica pela qual estão passando e relacionamentos, namoro e tudo mais. Então é realmente interessante ver o tipo de medos do mundo real que os jovens têm hoje e ver isso sendo articulado em filme. Obviamente o gênero de terror é o melhor para fazer críticas à nossa sociedade e nos permitir abordar e falar sobre coisas sem ser moralista, porque, no fim das contas, ainda é para ser um filme de terror. Isso realmente nos ajuda a criar coisas que ainda não vimos antes. Muitos dos filmes que estão chegando agora no espaço do terror são definitivamente um reflexo do que o mundo e as pessoas estão passando hoje.

RS: Vozes originais. Todos esses filmes. Backrooms só poderia ser feito por Kane Parsons. Obsessão só poderia ser feito por Curry Barker. Acho que o público sente quando algo não é uma versão de massa, meio cínica de um filme de terror, mas sim algo que é profundamente pessoal ou algo estranho e único e que só poderia vir desses cineastas. É realmente empolgante que seja por isso que o público está sendo atraído.

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