De marionetes cantoras a cinebiografias emocionantes e grandes clássicos que mudaram o cinema para sempre.
Com o recente lançamento de Michael, a cinebiografia de Michael Jackson, fica claro mais uma vez que musicais e filmes focados em superestrelas da música continuam a gerar enorme interesse do público.
Sejam eles sobre Freddie Mercury, Elton John, Elvis Presley ou o Rei do Pop, eles sempre encontram um jeito de conquistar as bilheterias e trazer suas músicas de volta aos holofotes. Mas musicais são muito mais do que cinebiografias!
Porque, na realidade, nada é real em um musical... ou, pelo menos, essa é parte da sua magia. Existem poucos gêneros capazes de transformar uma conversa em coreografia, um coração partido em uma canção inesquecível ou uma tragédia em um espetáculo deslumbrante. Vamos dar uma olhada, em ordem cronológica, em alguns dos musicais que nos fizeram rir, sonhar e nos emocionar profundamente desde que nos apaixonamos por cinema.
Tic, tic… Boom! (2021) - Netflix
Tic, Tic... Boom! é um musical sobre o medo do tempo, a pressão criativa e a constante sensação de estar atrasado para a vida. Andrew Garfield interpreta Jonathan Larson numa atuação que mescla vulnerabilidade, obsessão e uma energia quase elétrica, como se cada canção fosse uma tentativa desesperada de alcançar algo inatingível.
Mais do que simplesmente contar a história da criação de um musical, o filme transforma esse processo numa experiência emocional contínua: a arte como urgência, ansiedade e necessidade vital.
O Rei do Show (2017) - Disney+
O Rei do Show aposta tudo no espetáculo emocional. Mais próximo de um videoclipe gigante do que do cinema clássico, é justamente aí que reside sua força: em transformar cada cena em um número musical concebido para emocionar sem limites. É pura artimanha, mas funciona como uma máquina de gerar entusiasmo constante.
La La Land - Cantando Estações (2016) - Prime Vido
Fomos todos muito duros e ingratos com o filme. Não é o musical hipster da Primark que você espera quando alguém descreve La La Land. Na verdade, é mais parecido com um musical da era de ouro de Hollywood do que com uma noite em Malasaña, então estamos no caminho certo.
O mais notável no filme, além de duas cenas iniciais cruciais que tornam a viagem de volta impossível, é que se trata de uma história de amor, muito bem elaborado por Ryan Gosling e Emma Stone, devastadora sobre o preço dos sonhos, como toda a obra de Damien Chazelle.
Os Muppets (2011) - Disney+
A perspectiva inicial é sombria e adulta: os personagens, caricatos como bonecos de pano, romperam relacionamentos (você verá poucas coisas mais tristes na sua vida do que algumas passagens na primeira meia hora do filme), tanto profissionais quanto pessoais.
Agora, Os Muppets estão condenados ao esquecimento por um público que não é mais o mesmo, um público satisfeito com programação televisiva de baixo orçamento e de terceira categoria, que não deixa espaço para boas intenções e a magia de outrora. Vivemos em um mundo onde não há lugar para eles, e parece que ninguém se lembra de que, anos atrás, eles trouxeram alegria a milhões de telespectadores.
Mamma Mia! (2008) - Netflix
Não poderíamos falar de musicais sem citar o icônico Mamma Mia! Esse é um daqueles musicais que conquistam o público pela leveza, pelo carisma e, claro, pelas músicas inesquecíveis do ABBA. Ambientado em uma ilha paradisíaca na Grécia, o filme acompanha uma jovem (Amanda Seyfried) prestes a se casar que convida três antigos amores de sua mãe (Meryl Streep) na esperança de descobrir qual deles é seu verdadeiro pai.
A divertida premissa serve de pano de fundo para uma história sobre família, amizade, amor e recomeços. O resultado é um musical leve e divertido que se tornou um dos maiores sucessos do gênero nos últimos anos e um verdadeiro conforto para quem gosta de histórias embaladas por grandes clássicos da música pop.
Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet (2007) - HBO Max
Geralmente não é reconhecido como tal, mas é um sucessor mais do que digno dos trabalhos de terror de Tim Burton. Assumir o legado de um musical como este exige uma boa dose de coragem e este filme tem de sobra! Sweenet Todd aborda cada movimento de câmera, cada tomada e faz com que sirva a cada uma das letras que compõem os versos de cada canção. Uma tragédia, uma alegria, um caldeirão de personalidade e rigor. Uma obra-prima com uma atuação impecável de Johnny Depp e Helena Bonham Carter.
A Fantástica Fábrica de Chocolate (2005) - Prime Video
A Fantástica Fábrica de Chocolate é um dos musicais mais marcantes do cinema, combinando fantasia, aventura e canções inesquecíveis para contar a história do excêntrico chocolatier Willy Wonka e do jovem Charlie Bucket.
Seja na versão clássica de 1971, estrelada por Gene Wilder, ou na releitura dirigida por Tim Burton em 2005, com Johnny Depp, a obra conquistou gerações ao transformar uma simples visita a uma fábrica de doces em uma jornada repleta de imaginação e lições sobre caráter, humildade e ganância. O universo criado por Roald Dahl voltou aos cinemas em 2023 com Wonka, estrelado por Timothée Chalamet e que também vale ser lembrado aqui.
Chicago (2002) - Netflix
Chicago é um que transforma o crime em um espetáculo midiático e o espetáculo em um julgamento público. O filme não apenas revive o gênero clássico, como o aprimora, transformando-o em uma sátira sobre fama, manipulação e o circo judicial. Cada número musical funciona como uma peça narrativa que reinterpreta os eventos dependendo de quem os conta, tornando a verdade tão maleável quanto uma manchete de jornal. Brilhante, elegante e perigosamente viciante.
Moulin Rouge (2001) - Disney+
Moulin Rouge é um dos musicais mais exuberantes e inovadores do cinema moderno. Dirigido por Baz Luhrmann, o filme mistura romance, drama e espetáculo visual para contar a história do jovem escritor Christian (Ewan McGregor), que se apaixona pela estrela do famoso cabaré Moulin Rouge, Satine (Nicole Kidman).
Ambientada na Paris do fim do século XIX, a trama ganha vida por meio de uma trilha sonora que reinventa grandes sucessos da música pop e do rock, transformando cada apresentação em um verdadeiro espetáculo.
Grease (1978) - Prime Video
Grease - Nos Tempos da Brilhantina é um dos musicais mais populares de todos os tempos e um verdadeiro símbolo da cultura pop. Estrelado por John Travolta e Olivia Newton-John, o longa acompanha o romance entre Danny Zuko e Sandy Olsson, dois jovens que tentam conciliar seus sentimentos com as pressões e expectativas da vida no ensino médio dos anos 1950. Com muito humor, romance e um visual marcante, o filme conquistou gerações desde seu lançamento, em 1978.
Grande parte desse sucesso se deve à trilha sonora inesquecível, que reúne clássicos como You're the One That I Want, Summer Nights e Greased Lightnin'. Até hoje, Grease continua sendo uma referência quando o assunto é musical, inspirando novas adaptações, montagens teatrais e conquistando fãs que voltam a cantar suas músicas décadas após sua estreia.
Amor, Sublime Amor (1961) - Prime Video
Amor, Sublime Amor é um dos maiores clássicos da história dos musicais. Lançado em 1961, o filme transporta a tragédia de Romeu e Julieta para as ruas de Nova York, acompanhando o romance entre Tony (Richard Beymer) e Maria (Natalie Wood), jovens pertencentes a gangues rivais. Com coreografias memoráveis e canções que se tornaram eternas, como Maria, Tonight e America, a produção venceu 10 Oscars e se consolidou como uma das obras mais importantes do gênero.
Em 2021, a história ganhou uma nova adaptação dirigida por Steven Spielberg. O remake foi amplamente elogiado pela direção, pelas performances do elenco e pela atualização de alguns aspectos da narrativa, mantendo a essência do clássico enquanto apresentava a obra a uma nova geração.
Mary Poppins (1964) - Disney+
Um clássico do cinema familiar que mistura fantasia, musical e conto moral com uma naturalidade que poucos filmes conseguiram igualar. Mary Poppins é mais do que apenas entretenimento: é uma fábula sobre a infância, a imaginação e a importância de se reconectar com o cotidiano antes que a vida adulta apague tudo.
A chegada da personagem interpretada por Julie Andrews transforma uma casa monótona em um universo onde a realidade se curva sem se quebrar, e onde cada canção serve como uma lição emocional disfarçada de brincadeira. O equilíbrio entre ternura, humor e espetáculo garante que o filme nunca perca sua leveza, mesmo ao abordar temas como o afastamento familiar ou a rigidez do mundo adulto.
Cantando na Chuva (1952) - HBO Max
Terapia. Cantando na Chuva é mais do que apenas um filme. É um remédio para a alma, uma dose de energia que te ajuda a seguir em frente. Talvez o cinema tenha sido inventado para criar musicais, e assim chegamos à obra-prima de Stanley Donen e Gene Kelly.
Com números musicais inesquecíveis, humor irresistível e uma celebração apaixonada da própria magia de Hollywood, o clássico de 1952 permanece tão encantador hoje quanto em seu lançamento, provando que poucas experiências cinematográficas conseguem transmitir tanta alegria em pouco mais de uma hora e meia.
O Mágico de Oz (1939) - HBO Max
O Mágico de Oz é uma das obras fundamentais do cinema musical e também uma das fantasias mais influentes da história do cinema. A jornada de Dorothy por Oz não é apenas uma aventura fantástica, mas uma parábola sobre amadurecimento, o desejo de pertencer e a busca por um lugar para chamar de lar.
A transição do preto e branco para o Technicolor não é meramente um recurso visual, mas uma declaração narrativa que transforma completamente a experiência do espectador, imergindo-o em um mundo onde o impossível se torna comum.