Javier Bardem é uma daquelas figuras que sempre estiveram presentes no cinema. Com mais de 30 anos de carreira, o ator participou de alguns dos filmes mais marcantes das últimas décadas, como Segunda-Feira ao Sol (2002), Mar Adentro (2004) e Onde os Fracos Não Têm Vez (2007).
No entanto, houve um período em que ele se afastou da atuar para se dedicar a uma função diferente: a de garçom.
Conforme relatou em uma entrevista à Fundação SAG-AFTRA durante um retrospecto de sua carreira, após o sucesso de Jamón, Jamón (1992), Bardem começou a receber propostas para interpretar papéis muito parecidos no estilo "macho espanhol". Ao perceber que não era esse o rumo que desejava para sua trajetória artística, tomou a decisão de se afastar e esperar por dois anos até que surgisse uma oportunidade diferente.
Interpretei esse tipo de papel masculino, do qual me orgulho muito, que foi muito útil e que adorei fazer, mas vi o caminho para onde aquilo estava me levando e disse que não queria isso para mim. Então, de certa forma, abri mão. Esperei dois anos e comecei a trabalhar como garçom
Uma escola de atuação no dia a dia
"Nós, atores, adoramos trabalhar como garçons. Acho que é uma ótima escola, você conhece muitas pessoas e muitos tipos estranhos que sonha em poder interpretar um dia. Esperei dois anos até que surgisse algo diferente", continuou o ator.
O personagem que o fez deixar a profissão de garçom era um dependente de heroína. "Vi ali um caminho, uma oportunidade para eu realmente mudar a direção [da minha carreira] e, desde aquele momento, sempre mantive isso em mente", acrescentou no bate-papo. Tratava-se do filme Dias Contados, de Imanol Uribe, no qual interpretou um viciado em heroína e informante da polícia. O papel lhe rendeu seu primeiro Prêmio Goya.
Aiete Films / Ariane Films
Dessa experiência como garçom, Bardem tirou muito aprendizado para compor personagens futuros. Ao interpretar Julio Blanco em O Bom Patrão, por exemplo, resgatou algumas vivências daquela época. "Reconheço alguém para quem trabalhei quando era garçom, pois tem a ver com a parcela de poder, com o que a pessoa faz com essa parcela de poder e com o abuso desse poder", declarou em entrevista à rádio Cadena SER.