Críticas AdoroCinema
3,5
Bom
Sexo Sem Compromisso

Química perfeita

por Lucas Salgado

Ashton Kutcher foi o grande "vencedor" do Framboesa de Ouro 2011 pelas atuações nas comédias românticas Idas e Vindas do Amor e Par Perfeito, o que colocou em dúvida se o ator deveria continuar investindo em filmes do gênero.

Por essas e outras, Sexo Sem Compromisso acaba sendo um longa importante para o ator, uma vez que prova que o problema era mais dos filmes do que dele mesmo. Kutcher sempre foi um sujeito engraçado, desde os tempos da série "That 70's Show", e agora volta a se sair bem em uma comédia.

Apesar de contar com alguns vícios de direção, o longa marca ainda uma retomada na carreira de Ivan Reitman. Responsável por clássicos como Os Caça-fantasmas e Um Tira no Jardim de Infância, o cineasta teve como trabalho anterior o péssimo Minha Super Ex-namorada, estrelado por Uma Thurman, Luke Wilson e Anna Faris.

Como podem ver, o filme fez muito bem ao ator e ao diretor, que precisavam de um sucesso comercial. Mas o que dizer de Natalie Portman? A atriz recém-oscarizada por Cisne Negro não necessitava de um projeto que a desse destaque na mídia, afinal está em evidência desde que atuou na nova trilogia Star Wars. Mas é certo dizer também que a atriz ainda não havia obtido destaque no mundo do humor. Sua primeira tentativa foi em um filme pequeno demais para ser lembrado (por mais que merecesse), Hora de Voltar, e a segunda foi no fraquíssimo A Loja Mágica de Brinquedos.

Agora, Portman dá nova chance à comédia e se sai muito bem, se revelando não só uma grande atriz (o que já sabíamos desde Closer - Perto Demais), mas também uma intérprete muito versátil. A forma com a qual ela se entrega à personagem valoriza muito a produção.

Apesar de ser um gênero eminentemente feminino, as comédias românticas muitas vezes pecam pelo machismo. A mulher geralmente é retratada como submissa ou como a infeliz que só encontra a felicidade ao lado de um homem. Felizmente, isso não acontece em Sexo Sem Compromisso. Aqui a mulher trabalha mais do que o homem e não tem vergonha de dizer que precisa deste apenas para satisfazer suas necessidades sexuais.

Adam e Emma são dois amigos que um dia acabam na cama e ao invés de tentarem discutir para onde iria a relação deles optaram por decidir que não haveria relação, ao menos uma que fosse além do sexo. A trama não tem nada de especial, mas ganha fôlego graças às performances de Portman e Kutcher.

No Strings Attached (no original) seria ainda melhor não fosse o infinito número de coadjuvantes. Reitman e a roteirista Elizabeth Meriwether erraram feio no foco da narrativa. Tentando fugir um pouco do casal principal, o filme atira para todos os lados e acerta muito pouco. São vários personagens secundários sem a mínima importância. Do lado de Adam temos sua chefe, o cara que só tira fotos do celular, seus amigos, seu pai e sua ex-namorada, enquanto que do lado de Emma temos seus colegas de trabalho, seu chefe, sua irmã e o noivo, sua mãe e o namorado e por aí vai. O filme perde tempo, inclusive, mostrando um casal gay pai de um dos amigos de Adam, naquela que é a cena mais desnecessária da produção.

Kevin Kline, Cary Elwes, Olivia Thirlby, Ludacris, Lake Bell, Greta Gerwig e Ophelia Lovibond completam o elenco da produção sem se destacarem. Na verdade, cabe um destaque negativo à performance de Kline. O ator vencedor do Oscar está muito artificial no longa, lembrando um pouco o personagem de Dustin Hoffman em Entrando Numa Fria Maior Ainda.

Mesmo com alguns problemas aqui acolá, Sexo Sem Compromisso é um filme que merece ser conferido, principalmente em razão da ótima química entre os atores principais.