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Game of Thrones: Na temporada de Jon Snow, são as mulheres que brilham (Crítica)
Por Laysa Zanetti — 27/06/2016 às 07:30
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Análise geral da sexta temporada de Game of Thrones.

ATENÇÃO: Contém spoilers da sexta temporada de Game of Thrones.

Qualquer série de TV a que se assista é apreciada de forma diferente dependendo de inúmeras situações em que o espectador se encontra. Um formato de consumo que nunca sai de moda é a maratona, e é absolutamente normal (e até esperado) que tenhamos reações diferentes a uma temporada inteira se a acompanhamos episódio por episódio, semanalmente, ou se a consumimos inteira de uma vez. Game of Thrones é exibida na TV, com um episódio por semana, e o seu enorme público espera por praticamente dez meses entre uma temporada e outra. É uma das maiores e mais repercutidas séries de TV da atualidade. E, por isso, dela se exige um bocado.

A sexta temporada chegou envolta por muitas expectativas, após o quinto ano ter deixado no ar um gancho que virou pauta de infindáveis boatos – e notícias – durante as gravações. “Jon Snow, vivo ou morto?” foi a questão que não saiu do foco durante o hiato, e até o corte de cabelo do Kit Harington precisou ser acompanhado. Mas este não foi o único motivo que fez da sexta temporada diferente. Foi a primeira vez que uma temporada da série ultrapassou oficialmente os livros, e assim poderia deixar para trás os “fiscais da adaptação” – aquele grupo de fãs que leu os livros de George R.R. Martin e sempre encontra motivos para criticar passagens que foram modificadas. Com maior ‘liberdade criativa’, os produtores David Benioff e D.B. Weiss adiantaram antes mesmo da estreia que a temporada, então inédita, seria muito diferente de As Crônicas de Gelo e Fogo. E foi.

HBO/Divulgação
Acordou.

Em uma perspectiva geral (comparando às temporadas anteriores), o que a série fez de diferente – e positivo – nesta não apaga os pontos em que continuou repetindo falhas. É óbvio que, mais uma vez, GoT entregou uma temporada com muitos momentos que tomaram conta das conversas nas rodas de amigos e das notícias, durante semanas – e continuarão no foco nos próximos dias. Impossível não destacar a saída de cena, em grande estilo, de Hodor. Hodor! A história por trás do nome é simples e arrebatadora – mérito de Martin –, e a execução da cena é de arrepiar. A montagem que intercala as cenas do passado com as cenas do ‘gigante amigo’ entregando a vida para salvar Bran e Meera ao norte da Muralha no presente, ao final do episódio 5, vai ficar nas mentes das pessoas durante muito tempo.

O que transforma Game of Thrones em um fenômeno quase unânime da cultura pop são os momentos grandiosos, como este de Hodor, como a Batalha dos Bastardos, do episódio 9, executada de maneira praticamente impecável, ou a sucessão de reviravoltas do final da temporada. Sem surpresas, o ano seis esteve cheio destes momentos, e para continuar citando os que tomaram a internet, o grande momento de Daenerys (Emilia Clarke) no episódio 4 também entra para a lista. Mas seria impossível e contraproducente para a série se ela se prestasse a entregar uma dessas cenas de tirar o fôlego a cada episódio – e é quando ela tira o pé do acelerador que a temporada acaba caindo em certos equívocos.

Não é uma questão de os episódios com menos ação serem necessariamente monótonos. A primeira temporada, por exemplo, era repleta de diálogos e incursões políticas, e nem por isso ela é tida como monótona – pelo contrário, segue muito elogiada. A diferença é que, aqui, os episódios mais mornos foram recheados com conversas insignificantes, enfadonhas ou por vezes tão óbvias que cansaram. Jaime foi rebaixado a um capacho de Cersei, e apesar da ótima entrega do seu intérprete (Nikolaj Coster-Waldau), a idiotização do personagem (e não há forma melhor de conceituar) tirou muitos de seus méritos, e foi extremamente exaustivo vê-lo reafirmar o amor por Cersei (Lena Headey) em absolutamente todos os episódios. Parecia que era a única coisa que ele, um personagem tão complexo, tinha para dizer. Sua única motivação. O Jaime da série está a milhas de distância do Jaime dos livros, e este último, não tem como negar, é muito mais agradável, tridimensional e motivado.

Melisandre (Carice Van Houten), que foi essencial para o retorno de Jon Snow, ficou completamente apagada do restante dos episódios. Muito embora tenha ganhado um foco preciso no primeiro episódio, ela só foi ter outro momento importante na season finale. A sua fé e seus segredos, embora importantes, foram deixados de lado, e a personagem se transformou no maior Deus ex machina de toda a temporada. Da mesma forma, o retorno do Cão de Caça, completamente apagado de seu contexto original, mostrou um personagem que em nada mudou desde sua experiência de quase-morte. Tal qual Jaime, muito inferior à versão dos livros.

Por mais que se evite tecer comparações com a obra literária, algumas decisões da série fazem com que seja inevitável. Quando, no episódio 6x01, quase a totalidade do núcleo de Dorne foi morta, pareceu um tipo de ‘estancamento’, como se a produção tivesse o feito para conter um problema, já que a versão das telas da Casa Martell saiu terrivelmente trágica, e os assassinatos seriam uma forma encontrada para não precisar retornar a Dorne – pelo menos por enquanto, já que o núcleo deve voltar com mais protagonismo na sétima temporada.

E entre grandes momentos de ação e episódios esvaziados, a temporada acaba dando a impressão de uma produção desequilibrada, que coloca lado a lado cenas incríveis com outras que não dizem nada. Talvez esta sensação diminua quando a temporada for assistida em maratona, e aí alguns episódios consideravelmente mais fracos (como o 6 – “Blood of my Blood”, o 7 – “The Broken Man” e o 8 – “No One”), acabem ficando diluídos entre outros mais intrigantes. Mas para aqueles que acompanham semana após semana, o caso não é este, e essa visível quebra do ritmo tira muito do ânimo inicial.

Apesar de algumas mudanças em relação aos livros serem amplamente criticadas, outras foram bastante satisfatórias. A cada episódio que passava, foi ficando mais clara a ideia de que o foco foi colocar a força nas personagens femininas. De Daenerys Targaryen (Clarke) e Yara Greyjoy (Gemma Whelan) a Sansa Stark (Sophie Turner) e Lyanna Mormont (Bella Ramsey), as mulheres definitivamente mostraram muito mais força do que os homens. A estratégia parece vir como uma espécie de resposta, ou redenção, após as inúmeras críticas que a série recebeu no passado por cenas de estupro e nudez agressiva ou desnecessária. A violência sofrida por Sansa na quinta temporada foi o estopim das críticas e o ponto de virada para a história da personagem. E que virada! A história de Sansa foi a mais atraente, forte e equilibrada da temporada. Em cada episódio, ela foi capaz de entregar um momento decisivo, uma participação importante nos grandes eventos, em uma demonstração invejável de força e brilhantismo. Ela demonstrou que aprendeu a jogar o “Jogo dos Tronos”, e embora seja tão diferente da Sansa de duas temporadas atrás, a mudança é perfeitamente plausível e natural. Os elementos que a justificam foram bem expostos e tornam a transformação algo que fez dela, merecidamente, uma das novas favoritas. Mérito, esse, da série, já que a Sansa dos livros está em um lugar completamente diferente.

Como já diria Beyoncé: Who runs the world?

HBO/Reprodução
Girls.

Há sempre aqueles arcos que poderiam ser melhores, como a história de Arya (Maisie Williams) neste ano. Ao longo das críticas dos episódios, nós pontuamos que essa passagem dela por Braavos, na Casa do Preto e Branco, guardaria muitos aprendizados para a personagem. Porém, a impressão que fica é que o maior feito de Arya foi conquistar uma inimiga. A vilanização exagerada da personagem que corresponde à Criança Abandonada dos livros é algo que particularmente incomoda por surgir da necessidade pura de criar um vilão onde um não existe, e acabar com qualquer nuance de personalidade que poderia haver para a personagem. Muito embora tenha sido bom ver Arya anunciando seu retorno para Winterfell, o clímax perde um pouco da força após as perseguições e a ‘cura milagrosa’ que se segue depois de ela ter sido esfaqueada. Se a passagem dela por Braavos tivesse sido abordada em menos episódios, ao invés de ter sido arrastada por seis deles, poderia ter causado um impacto maior, e até mesmo ter tido tempo para mostrar a viagem dela de volta a Westeros, ao invés de sua repentina aparição na mesa de jantar de Walder Frey. Momento este que, aliás, valeu por toda a temporada. Bem-vinda de volta, Arya Stark.

Em uma temporada que se beneficiou da força das mulheres, reuniu Starks e teceu grandes revelações, fica evidente que Game of Thrones está juntando as peças para chegar ao final da história. Apesar dos tropeços no meio da temporada, chegamos a um fim impressionante, daqueles que justificam o favoritismo da série no Emmy. Vimos Jon Snow, antes morto, se tornar Rei do Norte. Vimos a grande teoria sobre o parentesco de Jon ser confirmada, através das visões de Bran, cada vez mais poderosas. Embora Jon se consagre o novo Rei do Norte, são as palavras de Lyanna Mormont e Sansa Stark que salvaram os nortenhos. O que a revelação significa para Jon Snow? Será que Bran vai contar para ele? Quando? Como é a (estranha) relação de Sansa com Mindinho?

Por enquanto, estas são perguntas cujas respostas podem ser apenas sugeridas. Mas, com cerca de 13 episódios restantes para finalizar a história, as grandes questões não devem demorar para encontrarem solução.

O inverno finalmente chegou. Há três dragões chegando a Westeros. Daenerys finalmente embarcou. Jon Snow é o Rei do Norte. Há uma horda de Caminhantes Brancos querendo atravessar a Muralha. E um dos dois, ‘Lobo Branco’ ou ‘Mãe dos Dragões’, é provavelmente a chave para derrota-los. “Resta” saber qual. E como.

Gelo e fogo chegando pelos ares.

Seja inconsistente o quanto for, mas Game of Thrones mais uma vez terminou a temporada com um episódio que vai gerar assunto para os próximos dez meses. Por enquanto, não estamos reclamando.

Nota: 3,5 / 5,0.




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