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    "Minha vida inteira foi um protesto", diz Viola Davis em entrevista à Vanity Fair

    Atriz e produtora norte-americana é capa da revista e relembra momentos de sua vida e carreira.

    Viola Davis está um momento realmente simbólico em sua carreira. A atriz e produtora de 54 anos é a capa da edição de julho/agosto da Vanity Fair e, na reportagem exclusiva ao veículo, deu uma entrevista poderosa.

    Nela, falou sobre momentos difíceis que passou durante a infância, o fato de ter encontrado sua voz graças ao apoio da mãe e suas irmãs e a forma de manifestação que escolheu para honrar a memória de George Floyd, homem negro que foi assassinado por conta da violência policial.

    Davis, que se tornou a primeira mulher negra a vencer um Emmy de Atriz Principal pela série How To Get Away With Murder, não só posou para uma linda foto de capa como também fez história na Vanity Fair: sua edição é a primeira a ter uma mulher negra na capa e um fotógrafo negro por trás das lentes: Dario Calmese.

    Há um certo clima de celebração na edição da revista, mas ao mesmo tempo os assuntos abordados na entrevista variam de intolerância a aceitação própria: dos protestos relacionados à morte de George Floyd até o filme Histórias Cruzadas, que até hoje é alvo de críticas, Viola Davis comenta que, por receio à pandemia da COVID-19, não saiu às ruas.

    Porém, ela e sua amiga e atriz Octavia Spencer tiveram a ideia de acampar ao lado de outros atores na frente da rua Laurel Canyon Boulevard com cartazes contra a violência policial. Segundo Davis, o protesto é algo recorrente em sua jornada: "Sinto que toda a minha vida foi um protesto. Minha produtora é meu protesto. Eu não usando peruca no Oscar de 2012 foi meu protesto. É uma parte da minha voz".

    A atriz, que venceu o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por Um Limite Entre Nós, diz que sentiu como se tivesse traído a si mesma e seu povo por interpretar a empregada doméstica Aibileen Clark. "Não há ninguém que não se divirta com Histórias Cruzadas. Mas há uma parte de mim que parece ter me traído, meu povo também, porque eu estava em um filme que não estava pronto para dizer toda a verdade. Histórias Cruzadas, como muitos outros filmes, foi criado no filtro do racismo sistêmico", diz.

    "Poucas narrativas são centradas em nossa humanidade. Eles investiram na ideia do que significa ser negro, mas está atendendo ao público branco. O público branco, no máximo, pode obter a lição acadêmica sobre como somos. Então, eles deixam o cinema e falam sobre o que isso significa. Eles não são movidos por quem nós éramos”, completa.

    Davis também falou sua adolescência, marcada por dificuldades familiares e pessoais que afetaram diretamente sua autoestima. "Quem diz a uma garota de pele escura que ela é bonita? Ninguém diz isso. A voz da mulher negra de pele escura é tão rica em escravidão e em nossa história. Se nos manifestássemos, isso nos custaria a vida. Em algum lugar da minha memória ainda havia esse sentimento de que eu não tenho o direito de falar sobre como estou sendo tratada e que eu mereço isso. Não encontrei meu valor sozinha", conta.

    Apesar das dificuldades enfrentadas ao longo dos anos, Viola Davis hoje é dona de uma produtora ao lado seu marido, Julius Tennon. A empresa JuVee acaba de ser anunciada como parceira da Amazon e, futuramente, irá produzir em conjunto mais séries e filmes na plataforma de streaming. "Estamos animados para continuar nossa parceria com os estúdios Amazon, levando nossa divisão de TV e filmes para lá", afirmaram Davis e Tennon.

    Além disso, o site Hollywood Reporter anunciou nesta semana que Davis está envolvida no próximo filme da diretora Gina Prince-Bythewood. A cineasta chegou à Netflix no último dia 10 com o longa de ação The Old Guard. Protagonizado por Charlize Theron, o filme mantém-se como um dos mais vistos na plataforma.

    A parceria de Davis com Bythewood será com um épico chamado "The Woman King" (ainda sem tradução). Em comunicado, a atriz e seu marido disseram: "Nós da JuVee estamos animados para apresentar a incrível história das mulheres guerreiras 'ahosi' do Reino de Daomé. É tempo delas realmente ocuparem seu lugar na história e, nas mãos da diretora Gina Prince-Bythewood, será um divisor de águas. Este projeto não poderia ser um melhor exemplo do nosso legado."

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