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    Festival de Cannes 2019: Xavier Dolan recusa título de realizador de “cinema gay”
    Por Renato Hermsdorff — 23 de mai. de 2019 às 18:08
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    Matthias et Maxime traz a história de dois amigos que entram em conflito com os próprios sentimentos depois de se beijarem.

    Getty Images

    Lá se vai uma década desde que o menino prodígio de Cannes conquistou a Croisette com Eu Matei Minha Mãe, quando tinha apenas 20 anos. Jovem trintão agora, Xavier Dolan concorre à Palma de Ouro com Matthias et Maxime. Na sessão de gala do Festival, na última quarta-feira, o ator e diretor chorou copiosamente, depois de ser aplaudido efusivamente.

    Trata-se do filme mais maduro de Dolan. “Diretor conhecido pela mão pesada e pelos truques de linguagem (trilha sonora em excesso, câmeras lentas, cores saturadas e outros penduricalhos), ele tenta revelar seu lado minimalista, até porque o tema constitui justamente o não-dito”, destaca a crítica do AdoroCinema (completa aqui).

    No longa, ele atua, como Maxime, o amigo de infância de Matthias (o também canadense Gabriel d’Almeida Freitas, de ascendência portuguesa). Depois de perder uma aposta, Matt tem que beijar Max para o projeto de um curta-metragem da irmã mais nova de outro amigo. O contato desperta nos dois (principalmente no personagem de Gabriel), um tipo de sentimento com o qual eles não sabem lidar. Para completar, Maxime está de passagem marcada para a Austrália, para onde vai se mudar, para viver por dois anos.

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    Matthias et Maxime.

    Apesar (e por causa) da trama, parte da coletiva de imprensa com a equipe do filme nesta quinta foi dedicada a perguntas sobre o “cinema gay” ou “cinema queer”, com o qual a filmografia de Dolan está fortemente associada. Ele recusou o rótulo, entretanto.

    "Este não é um ‘filme gay, é a vida! Nós nunca falamos sobre ‘filmes heterossexuais’: ‘Oh, eu vi essa grande história de amor heterossexual!’ Para mim, não é uma história de homossexualidade ou amor gay. Em última análise, não acho que os dois protagonistas estejam cientes de que é amor gay. É amor!", declarou o cineasta para o grupo de jornalistas.

    Dolan acrescentou que o filme explora um tipo de abordagem da busca pela identidade sexual mais condizente com o universo dos millennials, que seria menos “careta” do que a da própria geração dele - lembrando, mais uma vez, que ele agora está na casa dos 30.

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    Dolan faz graça na coletiva.

    O segundo filme do dia a ser exibido pela mostra competitiva foi Oh Mercy, de Arnaud Desplechin (Reis e Rainha), com Léa Seydoux (Azul É a Cor Mais Quente) no elenco.

    O longa é centrado no papel do chefe de polícia da pequena cidade de Roubaix, Daoud (Roschdy Zem). Ele e o novo assistente, o inexperiente Louis (Antoine Reinartz), são incubidos de investigarem o brutal assassinato de uma senhora. Todos os indícios apontam para as vizinhas da idosa, o casal de namoradas Claude (Seydoux) e Marie (Sara Forestier).

    O título não convenceu o crítico do AdoroCinema, que conferiu a nota mais baixa até aqui (2,0), já na reta final, para um filme na disputa pela Palma. “O diretor tenta inserir seu espectador numa atmosfera ideal, ao invés de verossímil, onde todos podem se entender, mesmo sem se gostar”. “O discurso deste filme é calcado no amor ao invés da sociopolítica, razão pela qual soa tão inocente”. (Leia mais aqui).

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    Oh Mercy!

    Nenhum dos dois filmes tem previsão de estreia no Brasil.

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