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    Festival de Cannes 2019: Com Parasite, diretor de Okja desponta como um dos favoritos à Palma
    Por Renato Hermsdorff — 22 de mai. de 2019 às 18:05
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    Filme com Isabelle Huppert e outro dirigido pelos irmãos Dardenne também entram para briga.

    Depois do lançamento de dois filmes falados em inglês - Snowpiercer e Okja -, o diretor coreano Bong Joon-ho volta à sua língua nativa com Parasite, exibido no Festival de Cannes, sob ovação de 5 minutos de aplausos - apenas um minuto a menos do que o hypado Era uma Vez em… Hollywood, de Quentin Tarantino, de acordo com o “palmômetro” não-oficial.

    O realizador já havia dito, a despeito da seleção do filme para a disputa pela Palma de Ouro, que os atores do longa até poderiam sair com algum prêmio da Croisette, mas que o longa dificilmente seria laureado, por se tratar de uma produção de abordagem muito “local”.

    Ironicamente, depois da exibição de “Parasita” (tradução não-oficial para o título em inglês) na noite da última terça-feira, não era raro ouvir um jornalista apontando o filme com um dos favoritos ao prêmio máximo do festival (mais provável do que para alguém do elenco, diga-se, embora os profissionais estejam ótimos em cena).

    Getty Images
    Elenco de Parasite no tapete vermelho.

    Uma fábula tragicômica sobre a luta de classes, Parasite se hospeda em um tipo de atitude inteligível em qualquer idioma: a malandragem.

    Depois de fazer de um tudo um pouco na vida, o senhor Ki-taek (Song Kang-ho) vive com a mulher e os dois filhos em um bairro pobre da Coreia do Sul. O filho dele (Woo-sik Choi), a pedido de um amigo rico, começa a dar aulas de inglês para a filha de um casal também abastado. Milionário, na verdade.

    Para a função, era necessário que o jovem tivesse uma qualificação específica, cujo certificado ele forja com a ajuda da irmã (So-Dam Park, impecável). É a primeira de uma série de falcatruas que vai colocar as famílias de lados opostos do espectro econômico lado a lado no mesmo ambiente.

    Divulgação
    Cena de Parasite.

    O que começa como uma comédia de exageros - do tipo para rir com culpa -, evolui em uma espiral de tensão cujo desfecho é praticamente impossível de prever. E tudo filmado com a beleza plástica característica do cineasta.

    “Esteticamente, o projeto demonstra a elegância pragmática do diretor, que jamais sacrifica a compreensão em nome da beleza. (...) O filme constrói uma bomba-relógio, acentuando as diferenças e as injustiças sociais até vê-las explodirem num clímax sangrento. Deste modo, representa de modo alegórico a luta de classes, as ideias de posse e de apropriação na era contemporânea”, destaca a crítica do AdoroCinema.

    No início da semana, outros dois longas entraram na briga pela Palma: Frankie, de Ira Sachs (Deixe a Luz Acesa), protagonizado por Isabelle Huppert; e Young Ahmed, dos irmãos Dardenne (Dois Dias, Uma Noite), veteranos em Cannes. Ambos foram bem avaliados pela crítica do AdoroCinema.

    Divulgação
    Frankie.

    Coproduzido por Portugal - e com um elenco hollywoodiano, o primeiro se passa em Sintra, para onde a personagem-título (Huppert) se desloca com a família, aparentemente, para desfrutar de simples férias com os parentes. Aparentemente. “A força plástica da última cena é impressionante, oferecendo um desfecho à altura não apenas do dispositivo ousado, mas também do material humano”. (Leia aqui).

    Divulgação
    Young Ahmed.

    Le Jeune Ahmed (no original) foca nos perigos da intolerância religiosa para acompanhar a história do jovem muçulmano do título. “A trama aborda a religião muçulmana com grande respeito, ressaltando que o radicalismo é uma leitura minoritária, e que esse tipo de desvio da norma também pode ser encontrado em outras situações ou religiões”. (Texto completo),

     

     

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