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    Mostra de Tiradentes 2018: De mulher para mulher, IMO escancara a violência a partir de simbolismos
    Por Francisco Russo — 24 de jan. de 2018 às 18:25
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    Bruna Schelb Correa, guarde este nome.

    "Às vezes, a gente precisa mostrar as coisas para que sejam entendidas." Foi assim, com muita personalidade, que Bruna Schelb Correa subiu ao palco para apresentar seu primeiro longa-metragem como diretora, IMO, que integra a mostra Aurora. Confira nossa crítica!

    Dedicado às irmãs caçulas da diretora, IMO apresenta três historietas de grande rigor estético e sem qualquer diálogo, que enveredam pelo cinema fantástico para retratar, através de simbolismos, a violência cotidiana sofrida pelas mulheres. Não por acaso, são elas as personagens principais do filme.

    "Fazer este tipo de filme no Brasil de agora, e sem palavras, é uma escolha em tentar mostrar que nossas ações também podem falar por nós e que às vezes a gente pode se recusar a falar também", afirmou a diretora, no debate realizado sobre o filme. "A gente fica tão cansada de tentar explicar a mesma coisa, de forma didática, que também podemos optar em apenas mostrar o que podemos fazer."

    Durante o debate, tanto a diretora quanto a atriz Giovanna Tintori se queixaram do comportamento dos homens que integraram o elenco coadjuvante. "Uma hora ou outra, de alguma forma, aparece uma situação onde um homem se coloca de certa forma. É inevitável! Diante do que a gente estava fazendo, era um risco muito grande que isto acontecesse. Eles tiveram algumas posturas que foram lamentáveis." A atriz revelou que ouviu comentários machistas quando rodou uma cena em que era servida à mesa, completamente nua.

    Giovanna Tintori, em cena de "IMO"

    Questionada se o filme não vitimizaria as mulheres, a diretora negou de forma enfática. "É muito diferente a interpretação que um homem faz deste filme em relação a uma mulher [..] Minha mãe, quando viu o teaser, disse que aquela mulher deitada na mesa do banquete é como uma mulher se sente quando um monte de homem faz comentário machista, por isso ela está pelada. Este entendimento da mulher e o reconhecimento de uma situação que é terrível é importante. A ideia do filme é que as mulheres se vejam ali, mas nem todo mundo tem esta força. Então o filme precisa também abraçar esta mulher que não conseguiu. Pode ser um incentivo ou uma identificação, mas tenho certeza que uma mulher vendo este filme tem uma percepção muito diferente de um homem."

    Também estrelado por Helena Frade e a transexual MC Xuxu, IMO ainda não tem previsão de lançamento no circuito comercial.

    O AdoroCinema viajou a convite da organização do evento.

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