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Mostra de Tiradentes 2018: Aos 85 anos, Sérgio Ricardo reestreia na direção com Bandeira de Retalhos
Por Francisco Russo — 22/01/2018 às 16:49
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Trata-se do primeiro filme do diretor em 44 anos.

Os mais novos dificilmente se lembrarão, mas Sérgio Ricardo tem ao menos um momento antológico: quando, durante o III Festival de Música Popular Brasileira, quebrou seu violão ao vivo, diante das câmeras, ao ser vaiado após cantar "Beto Bom de Bola". Momento de transgressão registrado no documentário Uma Noite em 67, que marcou para sempre sua carreira.

Entretanto, seria leviano simplificá-lo apenas por este acontecimento. Músico consagrado que também se aventurou pelo cinema, Sérgio dirigiu quatro longa-metragens, entre as décadas de 60 e 70. Desde A Noite do Espantalho, lançado em 1974, se afastou da sétima arte. Não por falta de interesse, mas devido às dificuldades em conseguir dinheiro para rodar novas produções.

O tempo passou e, mais de quatro décadas depois, seu destino cruzou com o de Cavi Borges, produtor carioca conhecido por diversos longas de baixo orçamento, como RiscadoGuerra do Paraguay e Cidade de Deus - 10 Anos Depois. Do encontro, um antigo projeto veio à tona: Bandeira de Retalhos, ficcionalização da tentativa da prefeitura do Rio de Janeiro em retirar parte da comunidade do Vidigal, em 1977, para a construção de um hotel de luxo. Era o retorno de Sérgio Ricardo ao cinema, aos 85 anos.

Antonio Pitanga e Osmar Prado, em cena de "Bandeira de Retalhos"

Inicialmente orçado em R$ 2 milhões, Bandeira de Retalhos foi realizado com apenas R$ 90 mil e o essencial apoio da ONG Nós do Morro, que encampou o projeto. "Ninguém do elenco ou da equipe ganhou dinheiro com este filme", afirmou o diretor. "Não temos a cultura da ópera, mas a da macumba. Nosso cinema é o possível, dentro das contingências. Não é a crueza do capital que vai nos impedir de fazer."

Apesar da garra e dedicação da equipe envolvida, a ausência de recursos fica nítida no filme devido a um punhado de problemas técnicos: fotografia, edição, som e até mesmo na sincronia entre movimento labial e o que é ouvido. Soma-se a isto um certo anacronismo entre diálogos e ambientação, já que o visto nem sempre combina com o período retratado na narrativa, o ano de 1977. Por outro lado, o retrato dos oprimidos pelo sistema, a partir do olhar dos moradores do Vidigal, apresenta uma triste atualidade, vide o ocorrido com outra comunidade carioca, a Vila Autódromo, durante as obras para as Olimpíadas de 2016.

"A escola que respeito do cinema brasileiro é a do Cinema Novo", declarou o diretor, em debate sobre o filme. "Se a arte não tiver uma intervenção filosófica ou social ao seu povo, ela não tem valor algum. Ela pode ser um buquê de flores, esteticamente bonitinha, mas o cinema para ter importância precisa ter relação com alguma coletividade que o represente. No nosso país então, se você não chegar até o povo e revelar seus segredos a gente não vai descobrir este povo nunca, e ele mesmo não vai se descobrir."

Protagonizado por Kizi Vaz e com participações especiais de Babu Santana, Antonio Pitanga, Osmar Prado e Bemvindo Siqueira, Bandeira de Retalhos ainda não tem previsão de estreia no circuito comercial.

O AdoroCinema viajou a convite da organização do evento.
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