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    The Old Guard
    Críticas AdoroCinema
    2,0
    Fraco
    The Old Guard

    Uma missão imprecisa

    por Barbara Demerov

    Mad Max: Estrada da Fúria e Atômica são dois exemplos de filmes protagonizados por Charlize Theron que possuem ação para dar e vender, mas que ao mesmo tempo estão apoiados por um roteiro que justifica as ações e motivações dos personagens. De tal forma, estes filmes não fazem com que a narrativa fique amparada apenas pela violência, chegando a ir além da capacidade de impactar visualmente para deixar uma mensagem consolidada.

    Em The Old Guard, no entanto, isso não chega a acontecer. O roteiro do filme dirigido por Gina Prince-Bythewood centra-se muito no impacto visual que a história em quadrinhos explora (algo claramente importante na composição do enredo), mas ao mesmo tempo o cenário total falha em entregar mais complexidade à história. E isso acontece especialmente quando o espectador passa a conhecer algumas informações sobre o background dos três personagens que atuam ao lado de Theron (mais uma vez dedicada em seu papel de líder). Ao mesmo tempo em que sabemos o que eles são, a explicação de suas origens são deixadas de lado. E isso faz falta para compreendermos tudo claramente.



    Imortais há centenas de anos, o time de Andy (Theron) é forte, corajoso e não mede esforços para obter sucesso em suas missões secretas para salvar pessoas em perigo. Fica claro deste o início que Andy e seus parceiros, viajantes do mundo, querem se manter nas sombras e têm medo do que uma exposição maior poderia fazer com suas vidas. A premissa é instigante, uma vez que estes personagens já viveram em séculos tão longínquos e possuem experiências das mais diversas - em certo ponto, há até uma piada envolvendo Rodin.

    HISTÓRIA SUPERFICIAL, AÇÃO DESENFREADA

    Porém, The Old Guard acaba por ter sua essência resumida a uma dezena de cenas com batalhas e sangue. Não importando a época, o quarteto é retratado como um grupo de seres sobrenaturais e meras cobaias de laboratório em cenas do presente ou flashbacks - nunca como pessoas multifacetadas e movidas por outro desejo a não ser o de permanecer anônimos. E outros personagens, como o de Chiwetel Ejiofor, possuem razões interessantes para estarem ali, mas só aparecem quando mais convém.



    Tal característica tira boa parte do dinamismo do filme, pois não há viradas narrativas consistentes nas vidas dos personagens que demonstrem motivações fortes o suficiente. O que acompanhamos é mais um capítulo de suas histórias, mas como se preocupar ou temer por eles quando todos são apresentados de maneira superficial?

    Quando uma nova imortal aparece nos sonhos de Andy e cia, o filme adiciona mais uma pergunta que, além de não garantir uma boa resposta, torna-se um tanto irrelevante ao longo dos eventos narrados: Afinal, ser imortal justifica o esquecimento de sua vida prévia? E ela leva a outras. É realmente preciso deixar sua família para viver uma rotina de guerra? Por que lutar ao lado de pessoas que você mal conhece? Esta última pergunta nunca é respondida de fato, porque a jovem Nile (KiKi Layne) tampouco ganha um tratamento profundo para que o espectador compreenda suas razões para ficar.

    The Old Guard é um exemplar do cinema de ação que peca por não trabalhar melhor algumas reflexões que estão lá, servindo somente como mero artifício de segundo plano. O forçado vilão mostra que toda a complexidade envolvendo a existência do imortais é reduzida a uma chance de a população mundial encontrar uma vida mais longa - tudo em troca de lucro e realização pessoal. Os heróis escondidos são aqueles que possuem uma bússola moral mais acertada, mas é uma pena que suas histórias sejam contadas de forma apressada, sem mais capricho. Afinal, como o desfecho deixa bem claro, a produção já foi pensada para ganhar uma continuação desde o princípio.

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    Comentários

    • René G Barreto
      buenas, é curioso notar que não há um personagem masculino forte: tem o imortal cachaceiro traíra, um casal gay, um vilãozinho nerd/esteriotipado e um ex-agente cheio de dilemas e submisso... ao contrário a chefe arregaçando o filme inteiro, a nova imortal é casca grossa também, e a amiga da chefona ressurge como coringa perturbada para a continuação! até na sequência da abordagem militar no Afeganistão, as mulheres estiveram em destaque
    • Bonny
      Acho que o filme se perde um pouco daquilo que ele poderia ser melhor, todos os imortais sendo super heróis, somente a mulher luta sozinha o filme todo, não vi ação nos homem, tudo depende do comando dela, a historia se perde em um roteiro fraco e no final deixa claro que vai rolar uma continuação.
    • jordan alves
      Olá barbara. Sinceramente não sei onde você tem visto filmes de ação tão melhores, O filme como entretenimento cumpre seu papel. Só a ideia no roteiro de como tentam matar a antiga companheira da Andy, nos traz certo ineditismo de um sofrimento insólito, não lembro de outro roteiro com essa ideia E o filme se quiser tem discussão de filosofia moral, onde até onde vai a ética na ciência, tanto que um próprio membro de imortais achou que valeria o sacrífico de poucos para o benefício de muitos. A volta da mortalidade da Andy é um conflito no roteiro.Discute o utilitarismo como filosofia política, enfim, eu acho que fraca é você. O filme está longe de ser muito bom, mas é um bom filme, os atores saem-se bem, edição e trilha também, o roteiro não é dos melhores, mas para filme de ação, é aceitável, enfim, o filme cumpre bem o seu papel de entreter.
    • Rosana Botafogo
      Vi algo a respeito, mas não vi uma relação direta, mas assumo que tive preguiça de procurar, ou foi realmente isso, ou jogaram uma cidade qualquer num ano qualquer, kkkk, mas deve ter relação sim…
    • cristiano bezerra
      Historicamente falando, a unica referencia que temos para este ano na Provincia de São Paulo, foi a instituição do Ato Adicional, na esperança de conter as revoltas e agitação crescente nas provincias, foi uma tentativa de conter os conflitos entre liberais e conservadores nas disputas pelo poder político central, acredito que a personagem faz referencia a estes conflitos....
    • Rosana Botafogo
      idem, o que aconteceu em SP 34?
    • beto moreira
      É o novo, novo mundo do cinema ruim pós pandemia que teremos. Ruim é pouco, mas agradeço até por isso.
    • Jackson A L
      O filme não é ruim, o ruim é a Netflix produzi-lo. É uma obra que lembra um pouco outras interpretações de Theron, como Atômica e Mad Max. A atriz consegue travar boas cenas de lutas e comanda as cenas com maestria. O roteiro é meio raso, o antagonista super clichê, e a mania da plataforma de Streaming de sempre produzir um filme pensando em uma continuação. Mas a maior dúvida que ficou é a seguinte: o que aconteceu em São Paulo em 1834???
    • Dheo C.
      Exatamente...o filme é mto raso. As cenas de ação são legais, mas só isso não sustenta uma trama q não é bem desenvolvida. Confesso q enquanto assistia me questionei o pq da Charlize ter produzido e aceitado estrelar o filme. Será q o cachê $$$$ não falou mais alto assim como o Merrick com seus intuitos $$$$?
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