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O Segredo de Davi
Críticas AdoroCinema
1,0
Muito ruim
O Segredo de Davi

A casa que Davi construiu

por Francisco Russo

O prazer decorrente de um crime perfeito é um tema que já percorreu os mais diversos cineastas, de Hitchcock e seu Festim Diabólico ao recente A Casa que Jack Construiu, do sempre perverso Lars von Trier. Em O Segredo de Davi, escrito e dirigido pelo estreante Diego Freitas, o tema é abordado sob um viés contemporâneo: um jovem estudante, voyeur assumido, decide filmar os assassinatos por ele cometidos, por puro prazer em se ver sem ser identificado. Se o nascimento de um serial killer é uma proposta interessante por si só, é uma pena que tal ideia seja tão diluída em uma imensidão de subtramas (e propostas) tão mal executadas.


Por todo O Segredo de Davi, chama a atenção o excesso: as explosões raivosas do protagonista Nicolas Prattes são sempre um tom acima, dificultando (bastante) a coesão do personagem; a trilha sonora extremamente clichê insiste em provocar uma risível tensão artificial; o apuro estético na fotografia e direção de arte rapidamente se torna vazio diante de tantas reviravoltas. De clara inspiração nos suspenses norte-americanos pela atmosfera estabelecida, o longa-metragem escancara a obviedade ao explorar a dicotomia visual do anjo loiro que apenas usa branco para as vestes negras corrompidas, em uma narrativa que salta aos blocos. Personagens vão e vem sem qualquer justificativa, servindo à necessidade de momento do roteiro - fora dele, é como se inexistissem.

Soma-se a todos estes problemas de condução da narrativa algumas falhas primárias em relação ao roteiro, repleto de diálogos absurdos ao tentar desviar o foco de ausências consideráveis. Por mais que o filme busque manter um certo mistério em relação ao seu personagem principal, especialmente em relação à construção da estranha família em torno de si, falta ao texto habilidade para conduzir o suspense de forma orgânica, sem rupturas bruscas que provoquem o riso involuntário. Isso sem falar da ausência de explicações básicas, muito devido a uma certa insistência em abordar muito ao mesmo tempo agora. Há, também na proposta do filme, um excesso de temas que prejudica o filme como um todo.

Isso porque, mesmo em meio a tantos problemas, é possível vislumbrar uma história interessante. Seja pelo voyeurismo que envereda pela construção de um assassino ou mesmo com o subtexto sobrenatural em torno do passado de Davi, há no filme boas ideias que, em mãos mais habilidosas, poderiam resultar em um suspense envolvente. Talvez por ser este seu primeiro longa-metragem, o diretor/roteirista comete erros básicos na construção da narrativa que não só prejudicam a percepção do espectador, como afetam a história em si. Basta acompanhar a desculpa dada logo na reaparição de Maria - "não importam os porquês, e sim que estou me sentindo ótima!" - ou ainda o tenebroso flerte entre o personagem principal e Dóris (Bianca Müller), suficiente para que qualquer pessoa com um mínimo de sensatez fosse para bem longe daquele garoto tão interessado em histórias tristes. Difícil aceitar, mesmo com muita boa vontade, assim como a patética explicação dada para a compra de uma nova câmera.


Apesar disto, pode-se notar aqui e ali algumas boas atuações. Se André Hendges é de longe o melhor do elenco, João Côrtes tem breves e boas participações - mesmo que sempre surja usando o mesmo figurino, no melhor estilo turma da Mônica - e Bianca Müller também se sai bem, dentro do possível. Já Nicolas Prattes aparenta sentir o peso do protagonismo, por mais que também tenha sido prejudicado pela condução brusca das variações emocionais de seu personagem. Apesar disto, é no elenco e em uma certa sofisticação visual que O Segredo de Davi encontra algum interesse.

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