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Ave, César!
Críticas AdoroCinema
3,5
Bom
Ave, César!

Sátira funcionaria melhor se estendida

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No vasto universo das produções cinematográficas, não é raro se deparar com longas-metragens apoiados em tramas tão forçosamente arrastadas, que certamente funcionariam melhor no formato curto. Recheado de ramificações, superpovoado por um time dos mais valorizados atores da Hollywood atual, Ave, César!, a sátira à indústria do pós-guerra comandada pelos irmãos Joel e Ethan Coen, padece do drama oposto.

Ave, César! - FotoA história se passa no período de um dia, no clima da paranoia anti-comunista dos anos 1950, data em que a principal estrela dos estúdios Capitol Pictures, Baird Whitlock (George Clooney, ótimo) – não tão bom ator assim –, é sequestrada bem no meio das filmagens da superprodução de época chamada... "Ave, César!". Caberá ao leão-de-chácara da companhia, Edward Mannix (Josh Brolin) – cuja função é proteger os atores da empresa, desde fazer com que eles cumpram seus compromissos profissionais a abafar escândalos –, trazer o artista são e salvo de volta ao set no decurso deste dia terrível, horrível, espantoso e horroroso.
 
Em Hollywood (a de hoje), não se recusa um pedido dos irmãos Coen (de Bravura Indômita, Onde os Fracos Não Têm Vez, O Grande Lebowski). E, por isso, não são poucos os atores da A-list que toparam embarcar na brincadeira. O elenco do filme não poderia ter sido melhor escalado. Scarlett Johansson (a falsa donzela), Channing Tatum (o galã vaidoso), Tilda Swinton (as jornalistas de fofoca – sim, são Ave, César! - Fotogêmeas), Alden Ehrenreich (o ator de western "promovido” a um papel sério), Ralph Fiennes (o diretor respeitado), por exemplo, têm papéis tão simbólicos e caricaturais – e, sim, dão conta de representá-los no tom que a produção pede – quanto efêmeros.

É quase fisicamente impossível explorar tantos – e tão bons – personagens em pouco mais de uma hora e meia de projeção – a duração total é de aproximadamente 1h40. E o resultado é uma série de números picotados que, embora interessantes individualmente, pouco ou nada contribuem para o eixo central da narrativa, em sua maioria. Isso sem contar as participações de Jonah Hill (o “laranja”), Christopher Lambert (o diretor aproveitador) e Frances McDormand (a projecionista, involuntariamente hilária, que rouba a curta cena que tem), “pontas” entre os mais de 80 nomes creditados no elenco.

Ave, César! - FotoClaro, há um riquíssimo trabalho de reconstrução de época por trás da produção, que serve para sustentar o texto cínico assinado pelos próprios Coen. É como ganhar uma viagem para a época de ouro do glamour do cinema norte-americano, porém de classe econômica, que é onde o mundo real acontece de verdade, por baixo dos panos. Comparado com outras produções da dupla, no entanto, o exagero é até comedido, por incrível que possa parecer. Falta um pouco da dose nonsense de Fargo ou Queime Depois de Ler – elemento que talvez tenha sido suprimido pelo excesso de subtramas.

É como declarou Channing Tatum – responsável por um número musical complexo, sarcástico e muito, muito divertido: “muitos dos atores são retratados como idiotas nesse filme”. E ele tem razão. Faltou, só, mais tempo para rirmos deles. Fica aqui a sugestão: Ave, César – a Série, já!
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