Um dos programas mais absurdos da história: Há mais de 20 anos, reality iludia os participantes para buscar os piores cantores em segredo
Ketlyn Ribeiro
Ketlyn Ribeiro
-Redatora
Apaixonada por cultura pop e com um grande acervo de curiosidades aleatórias na memoria, Ketlyn ama enaltecer produções nacionais.

O Superstar USA ficou marcado como um dos formatos televisivos mais cruéis por enganar os concorrentes e ainda mentir para a plateia.

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Desde a estreia do primeiro reality musical do Brasil, o Fama, da TV Globo, as competições de canto tomaram conta da TV brasileira e conquistaram um público fiel. Ídolos, Canta Comigo, The Voice Brasil, Estrelas da Casa... Praticamente qualquer pessoa com talento para soltar o gogó pode tentar a sorte e alcançar o estrelato em algum programa do gênero.

Eese fenômeno, claro, não é exclusivo do nosso país. Nos Estados Unidos, desde o sucesso estrondoso do American Idol, que já chegou à sua 24ª temporada, centenas de programas semelhantes tentaram seguir seus passos. No entanto, um deles se destacou dos demais por um motivo simples: secretamente, a produção zombava dos participantes.

O reality que enganava e era perverso

Não é de hoje que programas de talentos usam candidatos sem muita habilidade para arrancar risadas do público. No Brasil, por exemplo, mesmo sem essa proposta explícita, o Ídolos, exibido pelo SBT e depois pela Record, ficou marcado tanto pelos talentos revelados quanto pelas apresentações desastrosas. Com jurados rudes e candidatos dos mais diversos perfis, o talent show rendeu cenas icônicas e memes que circulam nas redes sociais até hoje.

No caso do Superstar USA, de 2004, uma reviravolta o tornou mais maquiavélico que qualquer formato musical já criado na história: os participantes acreditavam que estavam avançando nas fases graças ao próprio talento, sem imaginar que, na verdade, o reality tinha um objetivo completamente diferente: coroar o pior cantor dos Estados Unidos.

Reprodução The WB/Youtube

A ideia por trás da atração, exibida no extinto canal The WB, era mostrar ao público uma espécie de American Idol ao contrário: centenas de pessoas cantavam diante de um painel de jurados composto por Christopher Briggs, Tone Loc e Vitamin C, competindo por um prêmio de nada menos que 50 mil dólares e um contrato com uma gravadora.

No entanto, os bons cantores eram imediatamente eliminados das audições, e apenas aqueles que cantavam desafinados recebiam elogios e avançavam para a próxima fase. Alerta de spoiler: a vencedora, Jamie Foss, teve um desempenho tão ruim que os 50 mil dólares adicionais que recebeu como orçamento para gravação nunca foram gastos. Afinal, mesmo como uma metalinguagem sobre a fama no início dos anos 2000, quem gostaria de comprar algo assim?

Para se ter uma ideia da dimensão desse absurdo televisivo, um dos produtores do Superstar USA, Mike Fleiss, se aproximava da plateia antes do início do programa e, para fazê-los aplaudir em vez de rir, insinuava que os participantes estavam à beira da morte e que seu último desejo era participar de um reality show musical. Que Horror! E, claro, quem teria coragem de zombar de alguém nessa situação trágica? Assim, ninguém ousava escancarar o sorriso.

Ruim, desagradável e viciante

O reality show durou apenas sete semanas e, quando coroaram o vencedor, Foss, o segundo colocado, Mario Rodgers, saiu mega furioso do estúdio, porque realmente acreditava ser o verdadeiro vencedor. Sua interpretação de 'I Don't Wanna Miss a Thing', do Aerosmith, é possivelmente a pior coisa que já ouvi (ouça abaixo, por sua conta e risco!).

A verdade é que vale a pena assistir, mas não há nada do que se orgulhar: ninguém acerta uma nota sequer, como em um karaokê às quatro da manhã. Claro, o programa nunca foi reprisado e acabou ficando conhecido como um dos reality shows mais cruéis da história da televisão.

O próprio Mike Fleiss (criador de The Bachelor e produtor de O Albergue e O Massacre da Serra Elétrica: O Início) disse certa vez: "É um programa que provavelmente não deveríamos ter feito porque é ruim e nojento, mas, meu Deus, é divertido de assistir."

Anos se passaram, e enganar participantes de reality shows continua sendo divertido, como demonstra Jury Duty, do Prime Video, e, em uma reviravolta muito semelhante à de Superstar USA, o falso programa que Nathan Fielder encena em O Ensaio, da HBO Max.

*Conteúdo Global do AdoroCinema

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