A atriz e comediante Berta Loran faleceu na noite deste domingo (28), aos 99 anos. A artista estava internada há alguns meses em um hospital particular na Zona Sul do Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa do Hospital Copa D’Or e, até o momento, a causa da morte não foi divulgada.
"O Hospital Copa D'Or informa, com pesar, o falecimento da Sra. Berta Loran na noite de domingo (28) e se solidariza com a família, amigos e fãs por essa irreparável perda. O hospital também informa que não tem autorização da família para divulgar mais detalhes", diz a nota.
Com uma carreira de mais de 70 anos dedicada ao teatro, cinema e televisão, Berta consagrou-se como um dos grandes nomes da arte no Brasil. Nascida em Varsóvia, na Polônia, ela veio para o país ainda criança, aos nove anos, e tornou-se brasileira de alma e coração.
Relembre a trajetória de Berta Loran
De família judia, ela fugiu do Holocausto e do regime nazista. Ao chegar ao Brasil, Basza Ajs adotou o nome artístico Berta Loran e logo se apaixonou pelas artes. Formou a dupla Berta e Bela Ais com a irmã e começou a se apresentar em clubes da comunidade judaica.
"Meu pai disse: 'Ai, meu Deus'. Vendeu as duas máquinas e veio para o Brasil. E nós perdemos toda a família, mas não quero falar de drama", disse ela em entrevista ao Conversa com Bial. Tão forte quanto talentosa, Berta afirmou que a única coisa que não perdeu foi seu humor.
Em 1950, estreou no teatro de revista ainda jovem, mas foi apenas em 1966, ao assinar com a Globo, que a fama realmente bateu à sua porta.
Divulgação/TV Globo
Seu talento era tão grande que participou dos principais programas humorísticos da emissora: Riso Sinal Aberto (1966), Balança Mas Não Cai (1968), Faça Humor, Não Faça Guerra (1970), Satiricom (1973), Planeta dos Homens (1976), Escolinha do Professor Raimundo (1990), Zorra Total (1999) e A Grande Família (2012).
Berta foi fundamental para que esses programas adotassem um tom mais naturalista, mudança que começou efetivamente em Faça Humor, Não Faça Guerra (1971-1973).
"Nesse programa, paramos com exageros, passamos a interpretar o tipo, mas falando com naturalidade. Sem falar alto demais, gritar, porque o microfone captava muito bem. E mudou o jeito de representar, que eu achei maravilhoso. Era como se fosse cinema americano", afirmou Berta em entrevista ao Memória Globo.
Multifacetada, Berta também esteve em grandes novelas como Amor com Amor se Paga (1984), Cambalacho (1986), Cama de Gato (2010), a segunda versão de Ti-Ti-Ti (2010), Cordel Encantado (2011) e A Dona do Pedaço (2019), seu último trabalho na TV. A atriz fez tudo isso sem deixar de se dedicar ao teatro, sua grande paixão.
No cinema, atuou em filmes como Sinfonia Carioca (1955), Jovens Polacas (2020), A Guerra dos Rocha (2008), Até que a Sorte nos Separe 2 (2018) e Juntos e Enrolados (2022), sua última aparição nas telonas, ao lado de Cacau Protásio e Rafael Portugal.
Nos últimos anos, a atriz manteve-se reclusa e evitava aparições públicas, chegando a recusar entrevistas e até visitas de amigos próximos. Berta Loran completaria 100 anos em março de 2026. Agora, sua presença permanece viva na memória e no coração dos fãs.