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    O Paraíso e a Serpente: O que a psicocriminologia diz sobre o serial killer interpretado por Tahar Rahim?
    Por Nathalia Jesus — 16 de abr. de 2021 às 13:55

    A nova série da Netflix acompanha o assassino em série Charles Sobhraj, que cometeu diversos crimes no Sudeste Asiático.

    O Paraíso e a Serpente está entre um dos vários lançamentos da Netflix em abril e tem intrigado os fãs desde sua estreia. Estrelado por Tahar Rahim e Jenna Coleman, a minissérie baseada em fatos reais acompanha a vida de Charles Sobhraj, um assassino que cometeu diversos crimes na área hippie do Sudeste Asiático e, surpreendentemente, sempre conseguiu escapar da Justiça.

    Com o objetivo de entender o perfil psicológico do complexo personagem, o site AlloCiné entrevistou a psicocriminóloga Emma Oliveira, co-autora do livro “Psychologues du crime”. Confira as conclusões que a profissional tirou sobre o papel vivido por Tahar Rahim.

    Mestre na criação de cultos

    Em sua análise à primeira vista, Emma Oliveira assistiu à série completa e relatou que Charles Sobhraj é o clássico mestre que dá início a cultos e está propenso a garantir diversos seguidores.

    “O personagem é tipicamente o tipo de perfil que encontraremos em gurus de culto, por exemplo. Ele tem uma espécie de dom oratório que facilita o contato com as pessoas. Frequentemente, são pessoas vulneráveis. Como nas seitas. Porque são pessoas em busca de identidade, de encontros...Isso é o que encontramos entre os seguidores do culto, independentemente da idade ou nível social. É em um determinado momento, uma necessidade de entender a vida, o porquê, quem nós somos... E eu acho que esse tipo de personagem consegue manipulá-los nessa busca.”

    Não sente prazer em matar

    Ao contrário de muitos serial killers retratados em filmes e séries baseados em fatos reais, Charles Sobhraj não sentia prazer em matar. De acordo com a psicocriminóloga, ele usa o assassinato para se beneficiar em outros crimes.

    “Na verdade, não é matar que o agrada. Isso é o que chamamos no comércio de 'assassinato utilitário’. É o que permitirá encobrir outro crime, neste caso o de roubar. Michel Fourniret, por exemplo, acabou fazendo isso. No início ele era um estuprador e acabou cometendo assassinatos utilitários: o que ele queria era estuprar e não matar; mas matamos para não correr o risco de reclamarmos e sermos procurados.

    O que o motiva é manipular e roubar suas vítimas. Então surge a questão de saber se foi realmente útil ou não. E há a questão do número. Quanto mais crimes você cometer, maior será a probabilidade de que, em algum momento, alguém apresente uma queixa contra você e seja identificado.”

    Charles Sobhraj tem autoódio

    Em O Paraíso e a Serpente, Charles Sobhraj comete muitos crimes contra jovens ocidentais. De acordo com a profissional, o assassino vietnamita odeia a si mesmo por se sentir rejeitado e não fazer parte da população considerada padrão em termos gerais.

    “O que chama a atenção na série é que existe um ódio real pelo que esses jovens representam. Esses jovens, enfim, que ele gostaria de ser. Ele nasceu em uma boa família, mas gostaria de ter nascido ocidental, de ter aparência de ocidental para ser aceito. Esse argumento é seu motivo para agir, para roubá-los e matá-los. De qualquer forma, há um lado muito psicopático nele, no sentido de que a vida do outro não tem valor aos seus olhos. Então, por que não eliminá-los? Deixá-los vivos o faz correr riscos.”

    Necessidade de controle

    Ao ser libertado da prisão, Charles Sobhraj se expôs dando entrevistas e provocou a polícia nacional de Nepal. Para Emma Oliveira, essa característica de querer estar em evidência é um traço comum entre psicopatas.

    “Isso é o que encontramos em psicopatas que são assassinos em série. É um sentimento de onipotência. Nos Estados Unidos, com mais frequência do que em nosso país, muitos se divertem brincando com a polícia. O que Fourniret ainda faz hoje com Estelle Mouzin é a necessidade de controlar o outro. É disso que eles gostam.”

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