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    Cobra Kai: Crítica da 3ª temporada da série na Netflix
    Por Bruno Botelho dos Santos — 28 de dez. de 2020 às 10:00

    Em sua temporada mais madura, Cobra Kai lida com o peso das consequências sem deixar a nostalgia de lado

    NOTA: 4,0/5,0

    A primeira temporada de Cobra Kai foi responsável por trazer os anos 80 de volta com o retorno dos rivais Daniel Larusso e Johnny Lawrence mais de 30 anos depois dos acontecimentos de Karatê Kid e situá-los no mundo atual. A segunda temporada agrava essa rivalidade com o retorno de John Kreese (Martin Kove) e um final chocante com a luta entre os alunos na escola, que gera o grave acidente de Miguel (Xolo Maridueña). Com isso, a 3ª temporada é responsável por lidar com o peso dessas consequências.

    O enredo da terceira temporada retoma a violenta briga que colocou a vida de Miguel em risco. Enquanto Kreese manipula alunos com a sua própria visão de dominação, os protagonistas embarcam por caminhos diferentes: Johnny (William Zabka) busca redenção e Daniel (Ralph Macchio) procura respostas em seu passado.

    Todos precisam lidar com as consequências

    A temporada começa bem dramática, com os personagens tendo que se responsabilizar pelo acidente com Miguel. Assim, cada um lida com o peso das consequências de maneira diferente: Robby (Tanner Buchanan) fugitivo após ter deixado Miguel em coma, e depois acaba preso; Johnny Lawrence extremamente abalado e se envolvendo em problemas; escola passando por transformações contra a violência entre os estudantes e a comunidade contra o caratê; os LaRusso passando por uma crise que afeta sua companhia de carro e Daniel buscando se reencontrar.

    Como resposta ao que aconteceu com Miguel, o Cobra Kai resolve se vingar do Miyagi-Do, já que Robby era aluno de Daniel, enquanto os alunos do Miyagi-Do e Lawrence se esforçam para arrecadar dinheiro para ajudar na cirurgia do garoto. Isso tudo gera um clima de instabilidade e dramaticidade muito forte e bem vindo na série, que deixa a nostalgia de lado em alguns momentos para os personagens fortalecerem seus vínculos e superarem os obstáculos.

    Na vida, sempre nos perdemos. Mas são as pessoas, não os sinais, que nos trazem de volta ao caminho certo

    Mas como não poderia deixar de ser, a nova temporada de Cobra Kai também está repleta de nostalgia. Ela aparece mais fortemente durante uma viagem que Daniel Larusso faz para Okinawa, no Japão, para conseguir se encontrar em meio ao caos.

    Lá ele explora a origem do Sr. Miyagi e reencontra dois personagens clássicos: Kumiko (Tamlyn Tomita) – que foi par romântico de Daniel San em Karatê Kid 2 - A Hora da Verdade Continua – e Chozen (Yuji Okumoto), o principal oponente do protagonista no segundo filme, substituindo Lawrence na época. São adições do passado que conseguem influenciar de maneira natural e importante o presente e a conduta de Daniel.

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    O inimigo agora é outro

    Um dos pontos altos da temporada, e mais assustadores, é o desenvolvimento ainda maior de Kreese como a principal ameaça da série. Após ganhar confiança de Lawrence e, mais tarde, tomar o Cobra Kai de seu antigo aluno, ele volta a ser o grande vilão que vimos na série de filmes, com ensinamentos problemáticos, ameaçadores e violentos aos seus aprendizes. É importante destacar a imponência na atuação de Martin Kove, sua intimidação é palpável e impressiona.

    Nessa tentativa de estar no caminho certo, os jovens acabam repetindo os erros da segunda temporada e não sabendo lidar com a fúria adolescente. O Cobra Kai, encabeçado por um Falcão (Jacob Bertrand) ainda mais agressivo e destemido, está cada vez mais ameaçador, e por isso, o Miyagi-Do, liderado por uma Amanda LaRusso (Courtney Henggeler) traumatizada por sua luta brutal com Tory (Peyton List) e pelo acontecido com Miguel, está mais fragilizado e sofre toda a fúria do dojo. Todos esses arcos acrescentam mais desenvolvimento nas personalidades dentro do núcleo adolescente da série.

    Miguel luta ao longo da temporada para tentar se recuperar do ocorrido e poder voltar a andar, enquanto sua mãe Carmen (Vanessa Rubio) representa toda a indignação com o que aconteceu com seu filho ao envolver no mundo do caratê, que antes era apenas um jovem tranquilo. Isso, inclusive, abala inicialmente bastante o relacionamento dela com Lawrence.

    Os garotos só se meteram em confusão por nossa causa. Eles não podem sofrer por nossa causa. Só resolveremos isso juntos

    Sem dúvidas, o grande acerto da terceira temporada foi um desenvolvimento maior e ainda mais honesto das personalidades de Daniel e Johnny, com uma humanização importante que os levam a entender que tudo não se trata apenas de uma rivalidade antiga entre dois jovens, mas sim um perigo ainda maior.

    O ex-sensei do Cobra Kai encontra na culpa pelo acontecido ao Miguel uma maneira de se entender melhor, aprender com os erros e compreender seu papel. Já o protagonista de Karatê Kid se culpa pela ação de seu aluno Robby e (re) encontra no seu passado o rumo para seguir.

    O season finale garante mais cliffhangers incríveis que vão fazer os fãs aguardarem ansiosamente pela 4ª temporada, que já havia sido confirmada pela Netflix antes mesmo da estreia dessa 3ª temporada.

    Cobra Kai acerta em cheio na sua temporada mais madura até então, após as duas primeiras temporadas prepararem bem o terreno em relação à nostalgia e impulsionar as rivalidades. Com isso, a terceira temporada de Cobra Kai é mais densa para lidar com consequências e obstáculos de tudo que foi visto anteriormente, ao mesmo tempo que consegue ser divertida como sempre e trazer grandes doses de nostalgia para os mais saudosistas.

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