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    Reality Z: Série brasileira de zumbis da Netflix é "uma celebração à vida", garante elenco (Entrevista Exclusiva)
    Por Ygor Palopoli — 29 de mai. de 2020 às 10:00

    O AdoroCinema conversou com Sabrina Sato, Anna Hartman, Guilherme Weber e o diretor Cláudio Torres.

    Suzanna Tierie/ Netflix

    Todo cinéfilo que se preze provavelmente já passou pelo processo de se imaginar em um apocalipse zumbi. Por mais que a maior chance aqui seja a de que todos nós acabemos rastejando por aí como mortos-vivos, gostamos de acreditar que seríamos sobreviventes, é claro. Paralelamente a isso, todo fã de reality show já se imaginou dentro das casas mais vigiadas do Brasil, correto? Imagine agora as duas coisas juntas

    Essa é a sinopse da nova série brasileira da Netflix, Reality Z, baseada na britânica Dead Set, concebida por Charlie Brooker, criador do estrondoso sucesso Black Mirror. Sob direção de Cláudio Torres (Magnífica 70O Homem do Futuro) e estrelada pelo trio Sabrina SatoGuilherme WeberAnna Hartmann, a adaptação terá seus 10 episódios disponibilizados na plataforma de streaming no dia 10 de junho.

    Aproveitando o lançamento, o AdoroCinema recebeu seis episódios com antecedência — em breve a matéria de Primeiras Impressões! — e também a oportunidade de entrevistar o diretor e o trio de protagonistas para falar um pouco a respeito dos detalhes dos bastidores, os principais pontos da trama e as semelhanças entre o Brasil e os acontecimentos da narrativa.

    OS DESAFIOS DE REALITY Z
    Suzanna Tierie/ Netflix

    "Esse projeto foi encomendado pela Netflix e começou como um desafio. Quando eu vi o Dead Set original pela primeira vez eu pensei: 'Como é que vocês querem filmar isso de novo? Tá totalmente atual'. E eles falaram que queriam continuar e, de alguma forma, tornar essa série brasileira. Queriam que a gente introduzisse elementos brasileiros na série", contou Cláudio Torres. 

    Em relação aos tais elementos brasileiros, Cláudio reforçou ainda que este foi um grande ponto de atenção, no geral: "Veio a ideia de usar o reality como um ponto confinante para ir trocando a população [por zumbis] inclusive lá dentro. Me veio o antropofagismo e o tropicalismo, que são dois movimentos culturais que aconteceram no Brasil que propõem a ideia de você comer a arte estrangeira e vomitar a arte brasileira. CaetanoGil, fizeram isso em 68 quando eles colocaram a guitarra dentro da Música Popular Brasileira. E a gente fez exatamente isso com Dead Set: a gente comeu uma produção cultural inglesa e colocamos pra fora uma visão tropicalista do universo zumbi".

    Por fim, Cláudio afirma que não poderia ter ficado mais agradecido e impressionado com o resultado da parceria entre Netflix e Conspiração Filmes, mas ele não foi o único. A protagonista Anna Hartmann, por exemplo, reforçou alguns detalhes importante do seu processo para liderar a trama como fio condutor entre os personagens.

    A CONSTRUÇÃO DOS PERSONAGENS DE REALITY Z
    Suzanna Tierie/ Netflix

    "Eu acho que desde o início eu já tinha uma construção da personagem e depois, sabendo que eu ia fazer parte da série, veio uma alegria imensa e uma grande responsabilidade, um certo nervosismo de estar lidando com essa magnitude e também com tantos profissionais incríveis que eu já conhecia e já admirava — Gui e Sabrina estão entre esses profissionais [...] É difícil porque ser protagonista é saber que você vai estar mais em cena, é a visão da protagonista que leva o público também. Então eu tive que estar conectada com o verdadeiro sentido da série o tempo todo", explicou.

    E quanto ao gênero de zumbi? Para alguns é um sonho estar dentro desse tipo de obra, como foi o caso de Sabrina Sato: "Eu sou muito fã do gênero e esse foi um dos motivos pelos quais eu quis fazer! [...] Eu sou muito sortuda em ser chamada pra fazer participação numa série de zumbi, foi muito legal, desde a preparação, foi um presente que eu ganhei. É completamente diferente de tudo que eu já fiz, eu sou muito leve, faço entretenimento muito leve", adicionou. 

    Sobre a Divina, sua personagem, no entanto, Sabrina não vê tantas correlações com ela na vida real: "Além da verruga na testa? Nós duas somos apresentadoras, mas a Divina é um pouco mais "escrota" do que eu (risos). Ela é aquela que se faz na frente das câmeras e por trás ela meio que cai muito na pressão do Brandão (Guilherme Weber), na pressão do que ela vive. Ela é uma pessoa difícil". 

    Mas nem tudo são flores! Guilherme, por exemplo, teve a dura missão de interpretar o diretor do reality show que possui um caráter, digamos... questionável. "Os personagens todos são arquétipos. Os participantes do reality, especialmente pela associação com a mitologia, são mais arquétipos ainda, e esse meu personagem é um arquétipo de todos os diretores de televisão muito poderosos e muito vaidosos, mas que também têm uma responsabilidade muito grande. Então, eu pensava sempre no Brandão com uma energia de um cara que tem a responsabilidade de colocar no ar um programa ao vivo numa noite de "sacrifício", num programa de alto apelo popular, sendo pressionado por gente acima dele na emissora... e parando de fumar!", explicou.

    "Então o cara está um feixe de nervos, e dali ele só aumenta essa curva. Ele vai se tornando um selvagem ao longo da série. Come comida estragada, caga no cinzeiro, xinga as pessoas, vai deixando o seu pior aflorar. Era uma energia de vaidade e responsabilidade que vai se tornando um selvagem. O que é um paralelo também a um zumbi, com estilos de selvageria diferentes", completou Guilherme.

    OS PARALELOS DA SÉRIE COM A REALIDADE
    Suzanna Tierie/ Netflix

    A selvageria é assunto também dentro da protagonista Nina, conforme diz Anna Hartmann: "Um grande tema da Nina é o fato dela se revelar, ter uma selvageria dentro dela de instinto de sobrevivência e de proteção, que só se revela nessa situação de catástrofe. E acho que, fazendo esse paralelo, as pessoas numa situação dessas podem mostrar o seu pior e o seu melhor. Num apocalipse zumbi o que tá em jogo? A nossa vida? Sim, claro, sempre, mas acima de tudo a nossa humanidade. [...] Então a luta ali não é só pela vida, é pela dignidade e pela humanidade".

    E quanto ao recado final? É Guilherme quem dá a letra: "É possível fazer uma catarse através do Reality Z, de projetar esses medos. Zumbi é um lugar para projetar os medos primitivos, e através desta projeção compreender os medos primitivos, agora mais do que nunca, até porque a gente está vivendo esses medos também fora de casa. E quando a gente se confronta com o medo de presenciar o fim da civilização, é a hora que a gente deve se armar pra nos tornarmos seres humanos melhores. Um filme de zumbi é sempre uma celebração à vida e é sempre um aprendizado do porquê você quer sobreviver. Para criar talvez um novo mundo. Então, que a gente possa através do Reality Z, perceber que existe um mundo novo a ser criado após essa sobrevivência". 

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