Não importa quantos anos passem: Naruto continua sendo um daqueles animes que todo fã deveria assistir pelo menos uma vez na vida. A obra de Masashi Kishimoto se tornou um dos grandes pilares da animação japonesa e fez parte do lendário Big Three, ao lado de One Piece e Bleach. Juntos, os três títulos ajudaram a popularizar os animes em escala mundial e transformaram o gênero em um fenômeno cada vez mais presente no mainstream.
No entanto, começar a assistir a Naruto atualmente pode ser uma tarefa bastante complicada. A franquia conta com cerca de 700 episódios entre Naruto e Naruto Shippuden, além de uma quantidade considerável de episódios de preenchimento. Para quem está acostumado ao ritmo dos animes atuais, acompanhar a história original pode exigir uma boa dose de paciência.
E existe uma razão para isso. A indústria mudou muito desde que Naruto começou a ser exibido, e algumas das características que eram comuns nos animes de duas décadas atrás hoje podem fazer a experiência parecer excessivamente lenta.
O ritmo de Naruto envelheceu com o tempo
Naruto foi um daqueles animes exibidos continuamente, sem grandes interrupções, enquanto o mangá de Masashi Kishimoto ainda estava sendo publicado. Isso criava um problema para o Studio Pierrot: a animação não poderia alcançar rapidamente o material original.
A solução encontrada foi recorrer aos famosos episódios de filler. Foram criados capítulos e até arcos inteiros que não faziam parte da história principal do mangá, permitindo que o anime ganhasse tempo enquanto Kishimoto continuava desenvolvendo sua obra.
O problema é que esses episódios nem sempre apresentavam a mesma qualidade da história principal. Além disso, o ritmo da própria trama canônica também era frequentemente desacelerado, com cenas prolongadas e acontecimentos que levavam mais tempo para avançar.
Hoje, esses elementos são justamente algumas das principais barreiras para quem pretende conhecer Naruto pela primeira vez. E até mesmo quem trabalhou diretamente na produção reconhece que o ritmo pode parecer bastante diferente aos olhos do público atual.
Studio Pierrot
O diretor Hayato Date, responsável por comandar boa parte do anime, comentou em entrevista ao Anime India, repercutida pelo AnimeHunch, que sua percepção sobre o ritmo mudou com o passar dos anos.
Segundo ele, há duas décadas aquele estilo parecia adequado, mas a evolução da animação japonesa modificou completamente a maneira como as histórias são contadas. Ao olhar novamente para Naruto, Date admitiu que hoje percebe como a série pode ser lenta em determinados momentos.
Isso não significa, porém, que o diretor considere o ritmo original um erro. Na época, ele simplesmente seguia uma linguagem que fazia sentido para a indústria daquele período. Afinal, a maneira de produzir e transmitir animes mudou consideravelmente nos últimos 20 anos.
O diretor não faria Naruto do mesmo jeito hoje
Date também explicou que, se tivesse a oportunidade de comandar um novo projeto atualmente, provavelmente adotaria um ritmo melhor. Isso não significa, entretanto, que ele simplesmente copiaria a velocidade vertiginosa de muitos animes modernos.
O diretor acredita que seu estilo ainda seria influenciado por uma característica muito tradicional da cultura japonesa: o ritmo do teatro Kabuki, que utiliza pausas e momentos de silêncio como parte importante da narrativa. Por isso, mesmo que fizesse uma nova obra hoje, Date não gostaria de acelerar tudo a ponto de eliminar completamente esses momentos de respiro.
Studio Pierrot
A diferença estaria principalmente no equilíbrio. O diretor reconhece que não faria uma nova produção tão lenta quanto Naruto, mas também não acredita que precisaria acompanhar o ritmo extremamente acelerado que se tornou comum em muitos animes atuais.
Essa reflexão ajuda a explicar por que uma eventual nova versão de Naruto poderia funcionar tão bem nos dias de hoje. O objetivo não precisaria ser simplesmente contar a mesma história de maneira mais rápida, mas encontrar um equilíbrio entre a identidade da obra original e o ritmo que o público atual espera de uma série de anime.
Um remake de Naruto não seria tão improvável
A ideia de refazer Naruto ainda é apenas uma possibilidade, mas o momento da indústria japonesa favorece esse tipo de projeto. O melhor exemplo é One Piece, que ganhará The One Piece, uma nova adaptação produzida pelo Wit Studio para a Netflix.
A proposta é recontar a história desde o começo, permitindo que uma nova geração acompanhe a aventura de Luffy com uma produção moderna. O movimento mostra que os grandes clássicos dos animes também podem ganhar novas versões sem necessariamente apagar ou substituir as obras originais.
Toei Animation
Por isso, não seria absurdo imaginar que Naruto eventualmente seguisse o mesmo caminho. A franquia possui uma história extremamente popular, personagens reconhecidos mundialmente e uma quantidade enorme de material que poderia ser adaptada novamente.
Uma nova versão também teria a oportunidade de resolver alguns dos problemas mais conhecidos do anime original. Em vez de criar centenas de episódios de filler para evitar alcançar o mangá, um remake poderia seguir uma estrutura mais planejada e próxima do material de Kishimoto.
Isso permitiria que momentos importantes da história tivessem mais impacto, ao mesmo tempo em que reduziria drasticamente a quantidade de episódios que um novo espectador precisa enfrentar para chegar ao final. E talvez esse seja justamente o maior benefício de um remake: tornar Naruto mais acessível sem perder aquilo que fez da obra um clássico.
One Piece já está seguindo esse caminho, enquanto os remakes e novas adaptações de franquias consagradas parecem cada vez mais comuns no Japão. Portanto, talvez seja apenas uma questão de tempo até que Naruto também volte para a Vila da Folha em uma versão completamente renovada.
Não seria necessário transformar a história em uma corrida desenfreada, eliminando todas as pausas que fazem parte de sua identidade. Mas, depois de mais de 20 anos, um pouco de modernização no ritmo poderia fazer muito bem a um dos maiores animes de todos os tempos.