"Nunca houve chance de final feliz": Criador de The Boys explica AQUELA morte chocante na despedida da série
Diego Souza Carlos
Apaixonado por cultura pop, latinidades e karê, Diego ama as surpresas de Jordan Peele, Guillermo del Toro e Anna Muylaert. Entusiasta do MCU, se aventura em estudar e falar sobre cinema, TV e games.

Produtor da série do Prime Video explica os bastidores do último episódio da adaptação que se tornou um dos maiores sucessos do serviço de streaming.

Como muitos fãs já esperavam, The Boys encerrou a 5ª e última temporada de maneira agridoce. Ainda que tenha dado um final otimista para alguns dos personagens principais, a trama reservou um destino sombrio para muitos daqueles que acompanhamos ao longo dos últimos sete anos.

Mortes e confrontos esperados finalmente aconteceram oferecendo uma conclusão minimamente satisfatória para uma leva de episódios que teve uma recepção abaixo do esperado - mesmo que o desempenho de audiência tenha sido o maior de toda a série.

Ao The Wrap, o produtor executivo Eric Kripke contou alguns detalhes do que estava planejado para o fim da adaptação desde o começo.

"Nunca houve chance de final feliz"

Prime Video / Reprodução/X

Naturalmente, o texto a seguir está recheado de spoilers do final de The Boys.

The Boys chegou ao fim com a vitória do grupo dos protagonistas deslocados, mas com um preço que já era de conhecimento geral há muito tempo. Com sua sede de vingança renovada após a rejeição de Ryan e a morte de Terror, Bruto decide liberar o vírus que mataria todos os super-heróis. No entanto, após um emocionante acerto de contas, ele é impedido por Hughie com uma bala que tira sua vida.

“Acho que nunca houve um final feliz reservado para o Butcher”, disse o produtor ao veículo internacional. “Ele se transformou em um monstro de tal forma que, mesmo tendo alcançado seu objetivo final, não pode simplesmente estalar os dedos e de repente ficar feliz e bem. Para dar o devido crédito, essa ideia dos quadrinhos foi realmente do Garth Ennis. Essa é uma das ideias que sabíamos desde a primeira página do episódio piloto que iríamos desenvolver, porque eu simplesmente adorei a interação final entre Hughie e Butcher nos quadrinhos; pareceu tão honesta depois do que esse cara se tornou, e esse conflito secreto entre Butcher e Hughie que vínhamos construindo há sete anos. Foi um prazer trazer isso à tona.”

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Ele continua: "Acho que se Hughie não estivesse lá, ele provavelmente teria apertado o gatilho [e liberado o vírus]", acrescentou Eric. "Só queríamos demonstrar que Hughie cumpriu o propósito que Butcher queria que ele cumprisse, que é, neste momento final, ver Hughie, ver seu irmãozinho, sabe, dá a ele apenas um segundo de hesitação, tempo suficiente para Hughie impedi-lo."

“Havia apenas aquela pequena, minúscula, ínfima faísca de humanidade que Hughie conseguiu despertar naquele momento. Hughie, sendo esse cara bom e sincero ao longo de toda a série, naquele instante, foi crucial para salvar o mundo”, continuou Kripke. “Acho que se qualquer outro personagem estivesse ali, se qualquer outro momento estivesse acontecendo, teria havido genocídio e danos colaterais humanos, mas foi a bondade de Hughie naquele momento crucial que fez toda a diferença.”

Alguns tiveram um final feliz em The Boys

Prime Video / Reprodução/X

Para Kripke, a série sempre teve um lado otimista, mesmo com todo o sarcasmo e as diversas críticas à sociedade norte-americana. O encerramento ainda teve um epílogo com o destino dos personagens: Stan Edgar volta a presidir a Vought; Ashley sobrevive, mas sofre impeachment da presidência; Kimiko é vista na França na companhia de um novo parceiro, um cachorrinho que se parece com aquele mencionado por Francês; Leitinho adota Ryan e se casa com a mãe da sua filha; e Annie engravida de Hughie, enquanto ambos atuam como vigilantes - o nome da filha deles é Robin, em homenagem à ex-namorada do personagem de Jack Quaid, morta por Trem-Bala e o motivo dele entrar nesse caos contra super-heróis.

“Eu venho dizendo desde o início que não vejo a série como cínica, sempre a vi como esperançosa”, compartilhou Kripke. “Ela é cínica em relação a figuras autoritárias, redes sociais e todas as besteiras que nos jogam em cima. Nunca foi cínica em relação às pessoas, e, se alguma coisa, sempre foi sincera e emotiva em relação a elas. Nós realmente queríamos terminar a série para deixar claro que nada é perfeito, há um monte de super-heróis correndo por aí quase como bombas nucleares descontroladas, Annie está vomitando e brigando com a mãe. Tudo sempre será complicado e nada jamais será totalmente resolvido, mas com muito sacrifício, muitas falhas e muita persistência, a esperança e a felicidade são possíveis.”

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"Acho que muita gente não percebe isso, mas para mim, essa sempre foi a mensagem da série", concluiu ele, "ou uma das mensagens principais da série."

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