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    Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos
    Por Francisco Russo — 11 de mar. de 2010 às 21:46

    Entrevista exclusiva com Caio Blat e Maria Ribeiro

    Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos teve seu lançamento no Festival do Rio 2009 e logo chamou a atenção. Não apenas por ser a estreia como diretor de Paulo Halm, roteirista de Pequeno Dicionário Amoroso e Amores Possíveis, nem pelas tórridas cenas entre o trio Caio Blat, Maria Ribeiro e Luz Cipriota. Seu apelo popular foi o maior destaque. Afinal de contas, foi o filme nacional mais visto e o sexto, entre longas de todas as nacionalidades, no festival. É apostando neste potencial que, seis meses depois, o filme enfim chega ao circuito comercial. Francisco Russo, editor do Adoro Cinema, esteve com os atores Caio Blat e Maria Ribeiro, casados na vida real. O resultado deste encontro você confere logo abaixo: ADORO CINEMA: Vocês são também produtores do filme. Por que se interessaram por esta função e como foi este trabalho? CAIO BLAT: De uns tempos para cá tenho me envolvido cada vez mais em todas as etapas dos filmes que faço. Geralmente fico muito agoniado, com cartaz, trailer, onde o filme deveria entrar e não está entrando, o porquê... MARIA RIBEIRO: A gente sempre gosta de dar nossa opinião. Então resolvemos canalizar nossa opinião. Caio: A gente resolver se tornar sócio do filme é uma forma de poder interferir mais no processo. A gente até corre atrás de patrocínio, mas é uma questão mais de interferir, de poder trazer profissionais que a gente confia para dentro da equipe, poder dar palpite na montagem final ou no lançamento, ganhar pouco mas pelo menos ser dono do filme. Por todos estes aspectos cada vez mais tenho me tornado sócio de todos os filmes os quais venho fazendo. AC: Vocês já entraram no filme como produtores ou esta possibilidade veio depois? Caio: Fui convidado para fazer o filme. A gente adorou o roteiro, achou que tinha tudo a ver, que seria o máximo trabalhar como um casal sendo um casal. A gente nunca fez alguma matéria juntos, tipo banheira de Caras. A gente adorou o roteiro, acreditou nele e achamos que nosso relacionamento e nossa intimidade podiam enriquecê-lo, podiam dar uma textura legal. Ao mesmo tempo seria um trabalho junto, para termos registrado. Achamos o roteiro absolutamente contemporâneo. São personagens que não são parecidos com a gente, mas são próximos. São pessoas que poderiam perfeitamente estar em nossa roda de amigos. Acho que existe também um lance de geração, que o Paulo Halm conseguiu captar muito bem. Esta galera que está chegando aos 30 e não vira adulto, não sai da casa dos pais, não termina um trabalho. Mesmo na relação, pois não estão inteiros nela, estão casados mas não querem ter filhos agora e quando vê, quando querem ter filhos, já estão com 45 anos. Gente que está demorando mesmo para se comprometer. A gente achou que o filme retratava estas duas coisas muito bem. AC: Quando o projeto chegou até vocês já era para que ambos atuassem? Maria: O convite foi para o Caio. Ele me indicou e o Paulo achou ótimo. AC: O filme é bem atual e também é muito brasileiro, pelo lado da sensualidade. A exposição do corpo é algo típico do cinema nacional, ao contrário de muitos países. Caio: Se você pegar o filme do Kubrick, por exemplo, que a Nicole Kidman e o Tom Cruise fizeram juntos (De Olhos Bem Fechados), tem bastante exposição do corpo, é ousado. É um filme que serviu bastante de referência para nós. Outro foi Em Paris, do Christophe Honoré, que tem algo parecido com nosso filme. Mas muita gente fala que ele lembra muito Vicky Cristina Barcelona. Eu já acho que Vicky é um filme mais de mentira, existe um casal que está li mas quando o Javier Bardem está com uma atriz existe um beijinho e já sai de quadro. Nosso filme é muito mais ousado. Maria: Ele tem muito a ver com as chanchadas, os filmes brasileiros das décadas de 70 e 80. Eu me sinto a Nicole Puzzi. AC: Por formarem um casal isto facilita muito na gravação das cenas íntimas entre vocês. Como foi rodar as cenas mais picantes, com a Luz Cipriota? Maria: Fiz muita ginástica, muita abdominal. Caio: O Paulo Halm é um diretor novato, é o primeiro filme dele. Ele foi muito generoso, no sentido de conversar sobre o filme. Discutir o conceito, sobre o que pedia o filme... Maria: Do tipo "ah, não quero aparecer tão pelada". AC: Vocês tinham liberdade sobre o quanto o filme deveria mostrar? Maria: A gente tinha liberdade média. Foi delicado. Caio: O Paulo dizia tipo "esta cena preciso um pouco mais do corpo de vocês, aqui dá para a gente economizar". Até na montagem a gente pôde falar o que não queríamos. Maria: É sempre muito chato fazer cena de sexo. Caio: A gente tem que ter uma relação de confiança com o diretor e o fotógrafo, tem que acreditar no filme. Depois a gente tem que saber a medida, pois o que importa é a história. Ela tem que ser bem contada e se a gente está contando uma história sexy ela tem que despertar o desejo. E ao mesmo tempo não pode ser maior que o filme, as cenas de sexo têm que servir ao filme. Para você ter uma ideia, um dia antes de começarmos a filmar a gente foi ver uma pré-estreia do filme do Domingos de Oliveira (Todo Mundo Tem Problemas Sexuais) e o Pedro Cardoso deu aquele pronunciamento, dizendo que a atriz não tinha que mostrar o corpo, que eles no filme tinham feito cenas de sexo vestidos e que achava que esta é uma situação em que a mulher é explorada... Maria: Mas eu quero defender o Pedro Cardoso. Ele estava apaixonado e ficou com ciúmes da mulher dele. Por amor pode tudo. Caio: O que quero dizer é que isto tudo foi debatido, foi negociado. Maria: E também a gente tem prazer em aparecer desta forma. Tem gente que quer aparecer pelada e tem gente que não quer, que se ofende. Pode tudo, não dá para ter uma regra. AC: O filme começa com o ciúme e depois passa para o desejo, com as fantasias. Ele tem um olhar muito masculino. Vocês temem que isto acabe afastando o público feminino dos cinemas? Maria: Eu acho que mulher gosta de ver mulher. Eu pelo menos quando tem alguma amiga que vai posar para a Playboy fico louca para ver. Se fulana está bem, se está gata... Acho que isto não afasta o público, sinceramente. Acho até que usamos esta questão da sensualidade porque a gente não se importa que as pessoas vejam o filme para ver a gente pelado. AC: O filme estreia com quantas cópias? Caio: Não sabemos, mas o Bruno Wainer é apaixonado pelo filme desde que viu o primeiro corte. Ele está acreditando e apostando bastante. Tenho certeza que ele será bem cuidadoso para tentar atingir todo o público. O lançamento agora será em alguns estados apenas. AC: Ele tem sido bastante comentado. Apenas pude assisti-lo agora, mas tenho ouvido elogios ao filme desde o Festival do Rio do ano passado. Caio: A gente acredita muito que o filme tenha uma boa capacidade de fazer um bom público. Tenho filmado bastante ultimamente. Todos filmes de autor, todos filmes de diretores que eu adoro mas que não fazem bilheteria. Filmei com Cláudio Assis, Laís Bodansky, Cao Hamburger, mas são todos filmes que fazem 100 mil espectadores e ganham um monte de prêmios, vou a tudo quanto é festival. Este filme a gente acredita que é tão pequeno quanto os outros, feito com uma equipe reduzida, mas que tem um apelo para ser super popular. Nem que seja para que as pessoas venham ver a gente pelado e acabe vendo uma bela história, pois há uma série de questões além da sexualidade do personagem. É um filme muito esperto, que tem capacidade de fazer uma bela carreira.

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