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    Almodóvar é um dos poucos que viu este polêmico filme da Netflix guardado há anos – e sua reação surpreende
    Por Lucas Leone — 17 de mai. de 2022 às 18:00

    Diretor espanhol classificou como "fantástica" a produção que traz Ana de Armas na pele de Marilyn Monroe.

    Há um tempo, a Netflix vem cozinhando Blonde, filme dirigido por Andrew Dominik e estrelado por Ana de Armas. A princípio, veria a luz em junho de 2021, mas, quase um ano depois, não há previsão de lançamento. Ao longo do caminho, surgiram rumores sobre cenas de sexo excessivamente explícitas e divergências com a gigante do streaming – tudo negado pelo próprio diretor. Acontece que alguns poucos privilegiados já assistiram ao longa-metragem, e a primeira reação vem de ninguém menos que Pedro Almodóvar.

    A trama é baseada no romance homônimo de Joyce Carol Oates, que reimagina a vida de Norma Jeane – mais conhecida como Marilyn Monroe – e sua ascensão à fama mundial. A escritora sempre destacou que sua obra é de ficção e que não deve ser encarada como uma biografia, mas foi o fascínio que sentiu pela estrela de Hollywood que a levou a escrever 738 páginas. Por isso, o leitor tem a sensação de acompanhar algo real, o que é potencializado na adaptação cinematográfica de Dominik.

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    Em sua coluna no jornal El Diario, Almodóvar descreveu Blonde como "fantástico", elogiando não apenas o trabalho de Dominik, como a atuação de Ana de Armas – a quem vê como uma Marilyn "assustadoramente real". Porém, um momento específico do filme não sai da cabeça do cineasta espanhol. "Há uma sequência (se não desaparecer da montagem final) do assédio que ela sofreu do presidente JFK [John F. Kennedy]. A sequência é explícita o suficiente para fazer você sentir a repulsa da própria Marilyn", observou.

    Blonde também mostra como, pouco depois, ela foi convidada para cantar o famoso "Parabéns, Sr. Presidente" no aniversário de 45 anos de Kennedy. "Imagino como a pobre Norma deve ter se sentido diante do dever patriótico de performar para o mesmo homem que abusou dela (sempre me refiro ao que vi no filme), trajada com um vestido justo que se tornou um ícone", continuou Almodóvar.

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    O diretor espera que, assim como ele, os espectadores se impressionem com a obra de Dominik. "Se tivesse saído há alguns anos, teria coincidido com o movimento #MeToo e teria sido uma expressão de tudo isso. Agora vivemos um momento, acho, em que as pessoas não sabem onde estão as linhas. É um filme que definitivamente tem uma moral, mas nada em águas muito ambíguas porque não acho que seja tão simples quanto as pessoas querem ver. Há algo nele que ofende a todos", escreveu.

    Anteriormente, em entrevista ao Screen Daily, Almodóvar havia chamado Blonde de "filme exigente" e feito um alerta: "Se o público não gostar, o problema é dele. Ele não foi feito para agradar a todos."

    No elenco ainda estão nomes como Adrien Brody (O Pianista), Bobby Cannavale (Nove Desconhecidos) e Julianne Nicholson (Mare of Easttown). A Netflix recrutou os produtores de 12 Anos de Escravidão e MoonlightDede Gardner e Jeremy Kleiner, para o projeto, que tem Brad Pitt como coprodutor.

    Blonde
    Blonde
    Criador(es): Andrew Dominik
    Com Ana de Armas, Bobby Cannavale, Adrien Brody, Julianne Nicholson, Caspar Phillipson
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