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    "Games são plataformas para contar histórias convincentes", diz autora de livros de World of Warcraft [Entrevista]
    Por Pablo Miyazawa — 30 de dez. de 2019 às 18:05

    Ao AdoroCinema, Christie Golden falou sobre sua experiência escrevendo histórias de Star Wars e Star Trek.

    Blizzard / Divulgação

    A trajetória da escritora norte-americana Christie Golden pode ser descrita como rica e atribulada, pelo menos em se tratando de grandes marcas da cultura pop. Especializada em histórias de fantasia, terror e ficção científica, ela passou mais de uma década escrevendo livros baseados no universos de Star Trek (principalmente a saga "Voyager") e Star Wars (a série "Fate of the Jedi"). Mas foi no universo das aventuras digitais dos videogames que Golden encontrou seu maior espaço -- especialmente criando histórias em torno dos jogos criados pela produtora norte-americana Blizzard. Entre os games da Blizzard, World of Warcraft é a principal especialidade dessa autora de 56 anos cuja principal tarefa é expandir o universo do mundo virtual para as páginas de papel, de modo a criar ainda mais contexto para os títulos vindouros. “Videogames são uma forma de arte e grandes histórias podem ser contadas por essa mídia”, diz ela, que escreveu onze livros inspirados em WoW desde 2001, inclusive a novelização do roteiro do filme, Warcraft: O Primeiro Enconto de Dois Mundos, dirigido por Duncan Jones.  Durante sua passagem pela Comic-Con Experience 2019, onde participou do painel “Criando os Mundos da Blizzard”, Golden conversou com o AdoroCinema sobre como os videogames podem ser a próxima plataforma para grandes narrativas, relembrou sua experiência com Star Trek e Star Wars e falou sobre sua paixão pelos filmes, especialmente aqueles destinados à experiência diante da tela grande. “Eu ainda preciso ver Frozen 2O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio e Zumbilândia 2", ela enumera, "e, em breve, A Ascensão SkywalkerMulan e Mulher-Maravilha 1984”. Confira a entrevista abaixo.

    Blizzard / Divulgação

    AdoroCinema: Você escreveu muitas histórias baseadas nos universos de Star Wars e Star Trek. O que é mais fácil para você: escrever suas próprias histórias ou escrever histórias que fazem parte de franquias estabelecidas? Christie Golden: As pessoas pensam que escrever para franquias deve ser mais fácil porque "todo o trabalho duro já foi feito". Mas é exatamente isso que torna o trabalho mais difícil. É claro que você quer escrever um livro com todas as qualidades que gostaria de mostrar em seu próprio trabalho: personagens interessantes, um enredo intrigante, diálogo brilhante, ação emocionante, bom ritmo e um final satisfatório. Exceto que você precisa fazer tudo isso com personagens que não foram inventados por você (e que as pessoas já conhecem intimamente), em um mundo que você não criou. Isso tudo, sabendo que há um monte de idéias que você não pode usar por várias razões e que cada passo deve ser aprovado por um comitê. Embora isso tudo torne mais difícil a tarefa de contar uma ótima história, eu adoro o desafio. ADC: Entre Star Trek e Star Wars, qual das duas franquias apresenta os desafios mais narrativos? Qual delas tem os fãs mais exigentes?  CG: Escrevi livros para 13 franquias e todas elas trazem sabores e sentimentos diferentes. É difícil dizer entre essas duas, pois os anos em que eu escrevia para eles ditaram muitas coisas sobre as quais você está perguntando. Eu entrei em Star Trek nos anos 1990, escrevendo principalmente romances da saga Voyager. Não havia "Wookiepedia" ou "Memory Alpha" para consultar quando tínhamos perguntas, nem havia nada no Youtube que pudéssemos usar para pesquisar algo rapidamente. Tudo o que tínhamos eram nossas fitas VHS gravadas dos episódios para referência. Tínhamos que pesquisar muita coisa da ciência difícil, o que é muito desafiador -- especialmente quando "a ciência estabelecida” de Star Trek contradiz a ciência real! Lembrando que o programa já existe há tanto tempo! Já Star Wars, enquanto isso, tinha 30 anos ou mais de histórias escritas do Universo Expandido. Meu primeiro empreendimento nessa franquia foi escrever o segundo, o quinto e o oitavo de uma série de nove livros, em co-autoria com Troy Denning e o falecido e saudoso Aaron Alston.

    ADC: O cinema como o conhecemos mudou muito nos últimos cinco anos. Serviços de streaming como Netflix, Amazon, Disney+ e HBO fazem com que os espectadores fiquem em casa, e apenas poucos filmes são realmente considerados "para se assistir no cinema". Como contadora de histórias, você tem ideia sobre onde estaremos daqui a cinco anos? CG: Eu costumava brincava dizendo que estava esperando pelo chip implantado em nossas cabeças que pudesse enviar imagens diretamente para o nosso cérebro em um estalo, mas de certa forma essa piada não é mais engraçada! [risos] Acho que o que estamos vendo agora é a presença crescente dos videogames como plataforma para contar histórias convincentes, o que para mim é algo muito emocionante. ADC: E você acha que existem tipos específicos de histórias que devem ser vivenciadas exclusivamente como um filme completo, somente dentro de uma sala de cinema? CG: Sim, muitos deles são de anos recentes. Hollywood costumava fazer épicos arrebatadores e magníficos que acabam sofrendo quando vistos pela televisão. Menos do que costumavam ser, pois as TVs grandes são bem comuns agora. Eu adoraria, por exemplo, ver todos os filmes de Star Wars novamente na tela grande. Acho que muita coisa se perde na transição da telona para a telinha da TV.

    ADC: Como alguém se torna um escritor de fantasia? Quais referências são necessárias? Quais são os livros de cabeceira que formaram seu estilo de escrita? CG: Para se tornar um escritor de qualquer coisa, na minha opinião, você precisa fazer três coisas: Leia, fique atento às idéias e escreva. Adoro os Livros das Fadas de Andrew Lang, as Crônicas de Nárnia, qualquer coisa de Zilpha Keatley Snyder, livros de mitologia, lendas e folclore, a série Rescuers de Margery Sharp, a série Deryni de Katherine Kurtz ... e a lista segue! Pergunte-se “o que aconteceria se”. Invente histórias sobre a garotinha e a velha que você viu no parque, ou sobre o esquilo que olhava para elas. Pegue uma manchete de uma notícia e crie uma reviravolta fantástica. Não censure suas idéias, anote-as (ou grave-as). E respeite a arte e a si mesmo!

     

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