Minha conta
    Mostra de Tiradentes 2018: Em busca do desconforto, Era uma Vez Brasília provoca debandada do público
    Por Francisco Russo — 21 de jan. de 2018 às 19:04

    "É tão legítimo uma pessoa sair da sala de cinema quanto eu fazer o filme que quiser", afirmou o diretor Adirley Queirós.

    Adirley Queirós tem história na Mostra de Tiradentes. Vencedor da mostra Aurora com A Cidade é uma Só?, ele foi ovacionado ao exibir seu longa seguinte, Branco Sai, Preto Fica. Diante deste histórico, havia uma certa expectativa acerca de seu novo trabalho, Era uma Vez Brasília, exibido na noite de sábado. A reação, desta vez, foi bem diferente. Com menos de meia hora de projeção, a antes abarrotada Cine-Tenda começou a esvaziar. O ritmo lento da narrativa, com planos longuíssimos ora contemplativos ora sem grandes informações, logo se tornou um desafio não aceito pelo público, que simplesmente se recusou a ver o que aconteceria a seguir. Cerca de metade da plateia se foi e, entre os remanescentes, muitos não resistiram a um cochilo. Confira nossa crítica de Era uma Vez Brasília!

    No debate sobre o filme ocorrido neste domingo, o diretor declarou não ter se surpreendido com tal reação. Afinal de contas, desde o início seu interesse maior era a busca pelo incômodo, seja em relação à estética estabelecida, ao trabalho com os atores em cena ou mesmo o espectador. "Em Brasília, o filme foi uma deprê total!", comentou, se referindo à exibição ocorrida no Festival de Brasília 2017. "Quando o filme vai bem tem uma fila de abraços, quando não vai as pessoas até evitam [falar contigo] quando saem. O filme desde o início tinha esta proposta, foi a melhor experiência que tive em Brasília. Não na hora, claro! Na próxima, vou contratar ao menos três pessoas para gritarem quando acabar o filme", brincou. Adirley aproveitou a oportunidade para criticar a falta de ousadia no cinema independente brasileiro em relação à linguagem. "É tão legítimo uma pessoa sair da sala de cinema quanto eu fazer o filme que quiser. É o jogo, não vejo problema algum nisso [..] Na nossa cabeça, não havia possibilidade em fazer algo na média. Conscientemente, é uma fuga das formas. Não queria fazer Branco Sai, Preto Fica 2, pra que fazer um filme desse? Todo mundo que faz cinema sabe que existe uma forma, que cola [junto ao público]. É muito fácil ter este lugar na mão. Que cinema independente é esse que a gente tanto fala, que não tem coragem de, às vezes, cair no buraco?" Vencedor da Semana e ganhador dos prêmios de direção, fotografia e som no Festival de Brasília, Era uma Vez Brasília ainda não tem previsão de lançamento no circuito comercial. O AdoroCinema viajou a convite da organização do evento.

    facebook Tweet
    Links relacionados
    Pela web
    Comentários
    Mostrar comentários
    Back to Top