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    Opinião: Tom Cruise e seus filmes de ação genéricos
    Por Francisco Russo — 24 de jun. de 2017 às 09:53

    Onde estão os papéis mais ousados de antigamente?

    Tom Cruise está mais do que acostumado aos holofotes. Astro do cinema desde a explosão em Negócio Arriscado, no distante 1983, ele tem no currículo filmes que ficaram marcados no imaginário cinéfilo coletivo, como Top Gun, Entrevista com o VampiroJerry Maguire e, é claro, na pele do espião Ethan Hunt na franquia Missão Impossível, que já vai para o sexto episódio.

    Entretanto, na última década, Cruise tem se mostrado repetitivo. Por mais que tenha se notabilizado como galã e pelos filmes de ação, sua carreira foi marcada por uma certa diversidade de gêneros e papéis, como em Nascido em 4 de Julho, Rain ManMagnólia e De Olhos Bem Fechados. Era como se, consciente de seu star power em Hollywood, o utilizasse para também executar projetos mais autorais, entremeados aos blockbusters de ocasião. Cruise, é bom lembrar, já foi três vezes indicado ao Oscar, sem jamais ter levado a cobiçada estatueta dourada para casa.

    Tom Cruise em "Nascido em 4 de Julho", que lhe rendeu a primeira indicação ao Oscar

    Este ator inquieto, tentando fazer algo diferente, pouco tem sido visto ultimamente. Nas brechas deixadas pelas novas aventuras de Hunt, o astro tem se aventurado em filmes de ação genéricos que pouco acrescentaram à sua carreira - a lista é extensa, indo de Encontro Explosivo a Oblivion, passando por Operação Valquíria e os dois Jack Reacher. O exemplo maior é o atualmente em cartaz A Múmia, um filme de ação burocrático moldado em torno de sua posição de astro de Hollywood que, como novidade, apenas traz sua inclusão em um universo compartilhado.

    A questão principal é que Cruise não precisa disto. Pela posição conquistada ao longo de décadas, poderia perfeitamente se dedicar à série Missão Impossível - a qual é também produtor, detalhe importante! - e abrir espaço na agenda para papéis mais ousados, como os que já teve em Rock of AgesTrovão Tropical e Colateral. A obsessão em permanecer como astro de filmes de ação, superando a barreira da idade - ele está prestes a fazer 55 anos -, aliado ao ego massageado pela procura de grandes estúdios para que (ainda) protagonize franquias nascentes têm sido um forte impeditivo e, ao mesmo tempo, motivo de acomodação.

    Como Ethan Hunt, na franquia "Missão Impossível"

    Neste sentido, um filme que promete um certo frescor no trabalho recente do astro é Feito na América, cuja estreia está agendada já para 31 de agosto deste ano. Com ares de Prenda-me Se For Capaz, o trailer traz ao menos uma cena surpreendente para sua versão século XXI: Cruise surge com o rosto completamente coberto por cocaína! No mais, sua agenda conta com mais um Missão Impossível (para 2018), uma sequência para Top Gun (ainda sem data) e futuras conexões no tal Dark Universe. Ou seja, mais do mesmo - por mais que o padrão Cruise de filmes de ação sempre resultem ao menos em boas cenas de ação, estreladas pelo próprio ator.

    Tom Cruise é melhor que isso. Com a popularidade ainda em alta, vide o fato de A Múmia ter sido sua melhor estreia internacional na carreira, ele é capaz de se reinventar e até surpreender, como fez no passado na pele de Lestat, Les Grossman e Frank T.J. Mackey. Basta querer.

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