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    O drama nos bastidores de Esquadrão Suicida: os diferentes cortes do filme e as complicações antes do lançamento
    Por Laysa Zanetti — 3 de ago. de 2016 às 17:00

    Reportagem detalha os problemas por trás das câmeras e as diferentes visões do estúdio e do diretor David Ayer.

    Esquadrão Suicida carregou consigo a grande missão de resgatar a crença dos fãs no Universo Estendido da DC (ou DC Extended Universe - DCEU). Após a má recepção de Batman Vs Superman e a arrecadação que não chegou ao almejado US$ 1 bilhão (o filme estacionou em US$ 872.662 nas bilheterias mundiais), a reunião dos vilões (alguns emblemáticos, outros nem tanto) prometeu muito em seu material de divulgação, mas o resultado não foi o suficiente para agradar a crítica. Antes de sua grande estreia em circuito (que acontece nesta quinta-feira no Brasil, e na sexta-feira nos EUA), os problemas de bastidores já vieram à tona para explicar as complicações em torno do filme.

    O The Hollywood Reporter publicou uma detalhada reportagem em que denuncia as interferências da própria WB como motoras do caos por trás das câmeras. É claro, muitos fatores podem interferir para um resultado final conturbado: uma agenda de produção que precisa concordar com um lançamento ambicioso; um diretor (David Ayer) que não tem experiência em filmes de grande porte; e, por fim, executivos preocupados em proteger a marca, ansiosos por resultados melhores que os de BvS.

    "Kevin [Tsujihara, chefe da Warner Bros.] ficou muito irritado com o dano causado à marca", disse um executivo próximo ao estúdio. E, na soma dos problemas de Batman Vs Superman à natureza hilária dos trailers de Esquadrão Suicida (que definitivamente agradaram o público), o estúdio ficou tão preocupado com a possibilidade de o filme não atender às expectativas que convidou a companhia Trailer Park, que editou o teaser, para fazer um novo corte do filme, diferente da versão de Ayer.

    Além disso, um segundo problema recai sobre o roteiro. "[Ayer] escreveu o roteiro em coisa de seis semanas, e eles simplesmente seguiram com aquilo", afirmou uma fonte, argumentando que o processo teria se beneficiado caso o diretor e roteirista dispusesse de mais tempo em mãos. Entretanto, com toda a agenda de lançamento já planejada, um adiamento não era parte dos planos da WB. "Não é só você já ter falado para o público que o filme vai sair, você fez grandes acordos ao redor do mundo com grandes marcas (...) É muito complicado alterar a data de um filme desses", afirmou uma terceira fonte.

    O THR detalha que muitos editores foram envolvidos nos cortes de Esquadrão Suicida, e que em maio deste ano as duas versões do filme foram testadas com a audiênca na Carolina do Norte. Uma mais sombria, assinada por Ayer, e outra mais leve favorecida pelo estúdio. O resultado não foi unânime. "Se há muitas opiniões que não estão em sincronia, você acaba seguindo caminhos diferentes (...) Durante um período de tempo, esse foi o caso, sempre tentando chegar a algum lugar em que houvesse consenso." E, para tentar chegar, lá foi que começaram as gravações adicionais.

    "[Houve] muito pânico e ego ao invés de uma abordagem calma da questão do tom", disse uma fonte. "[David Ayer] estava sob muita – muita – pressão." E foi apenas no terceiro corte, finalizado um ou dois dias após Ayer demitir e recontratar sua agência, CAA, que as partes enfim chegaram a um lugar que, pelo jeito, agradou diretor e estúdio.

    Agora, é esperar os resultados das bilheterias. O filme gastou US$ 175 milhões em gravações, isso sem contar as campanhas de marketing e as correções ao longo do caminho. Esquadrão Suicida precisa arrecadar algo entre US$ 750 e 800 milhões em bilheterias apenas para não dar prejuízo à Warner, e vale lembrar que não tem o mesmo apelo que Batman Vs Superman de contar com três grandes heróis da DC Comics.

    A própria crítica do AdoroCinema soma ao coro de vozes que saiu descontente com o resultado final. "A direção e o roteiro de David Ayer pouco ajudam. Ele parece decidido em fazer um longa sobre um time, mas foca toda sua atenção em apenas dois personagens. Dar mais importância e tempo em cena a Will Smith e Margot Robbie é algo óbvio, afinal são os mais conhecidos e talentosos do time, mas falta um melhor equilíbrio." Leia o texto completo clicando aqui.

    Uma recepção negativa da crítica não necessariamente reflete nas bilheterias, então resta aguardar os números das próximas semanas. E, além da espera por Mulher-Maravilha, fica ainda no ar a segunda pergunta: Será que o spin-off focado na Arlequina vai para frente?

     

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