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    Opinião: O recado da Academia com o Oscar dado a Ex_Machina: Instinto Artificial

    O pequenino filme independente faturou a estatueta de melhores efeitos especiais.

    Ninguém esperava, nem mesmo o mais ardoroso fã! A vitória de Ex_Machina: Instinto Artificial foi uma das maiores surpresas do Oscar 2016 (ao lado da derrota de Stallone como ator coadjuvante, é claro). Entretanto, se a derrocada do eterno Rocky Balboa pode ser justificada pela influência de Spielberg entre os votantes da Academia, e um certo preconceito ao astro de filmes de ação, a conquista desta pequena ficção científica levanta questões bem maiores.

    Senão, vejamos: os demais indicados a melhores efeitos especiais eram Mad Max: Estrada da Fúria, Star Wars - O Despertar da ForçaPerdido em Marte e O Regresso. Os três primeiros são blockbusters típicos, que usam e abusam dos efeitos para criar universos imaginativos e empolgantes para o espectador. No caso do drama estrelado por Leonardo DiCaprio, que também se tornou um blockbuster (US$ 410 milhões nas bilheterias mundiais), os efeitos eram essenciais para a forma como o diretor Alejandro González Iñárritu queria contar a história.

    Agora, analisemos Ex_Machina. Trata-se de uma ficção científica minimalista, cujos efeitos especiais surgem de forma delicada na construção visual do robô Ava (Alicia Vikander). O brilho não está em grandes explosões ou em sequências alucinantes, como nos demais indicados deste ano, mas na habilidosa definição sobre onde termina a máquina e começa o ser humano. Ava, no fim das contas, oferece ao espectador um impacto visual diferente de qualquer outro robô que já tenha surgido nas telas de cinema - e este é seu grande diferencial, sob o olhar dos efeitos especiais.

    Junta-se a isto o fato de que Ex_Machina custou apenas US$ 15 milhões e faturou, nas bilheterias, US$ 36 milhões. Pouco, muito pouco, para um indicado na categoria do Oscar que habitualmente é reservada aos blockbusters, que possuem dinheiro de sobra para investir em efeitos especiais (vide Transformers). A indicação, diante deste panorama, já era uma baita vitória.

    Mas Ex_Machina ganhou. E o que podemos considerar a partir desta vitória?

    À primeira vista, que a Academia se rendeu a este pequenino filme (em orçamento) que se mostrou grande (em qualidade). Mas há outra mensagem subentendida: de que não basta apenas ter muito dinheiro para ganhar um Oscar nesta categoria, é preciso saber como usá-lo. Mais ainda: que os efeitos especiais não devem ser o fim a ser alcançado, mas o meio através do qual é possível contar uma boa história.

    Assim é Ex_Machina. Sem excessos, os efeitos especiais estão lá para ajudar o espectador a se identificar com Ava, sem esquecer que ela é o tal instinto artificial do subtítulo brasileiro. Apesar de ser um item importante do filme, estão lá para servir ao roteiro. Nada além disto.

    É prematuro dizer que, com o Oscar dado a Ex_Machina, a indústria de Hollywood irá se voltar para filmes menos espalhafatosos visualmente, de forma a melhor priorizar sua história. Blockbusters existem desde sempre, apenas mudam de formato e gênero, e não será uma estatueta que mudará isto - ainda mais ao considerar os milhões (bilhões?) envolvidos. Mas é um importante indício de que filmes que busquem esta alternativa terão também espaço. E isto, vindo de uma premiação que busca ressaltar a excelência no cinema, é um incentivo importante.

    Para quem questiona o poder de influência do Oscar, basta relembrar o quanto as animações avançaram (em qualidade e em número) após a Academia criar uma categoria especificamente para elas.

    Confira a crítica do AdoroCinema!

     

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