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    Cine Ceará 2015: Homenageada do festival, Leandra Leal defende as mulheres no cinema
    Por Bruno Carmelo — 19 de jun de 2015 às 09:30

    A noite de abertura também trouxe a exibição do excelente drama O Clube, de Pablo Larraín.

    Na noite de 18 de junho, foi dada a largada para a 25ª edição do Cine Ceará. O gigantesco cinema São Luiz estava lotado, com pessoas aguardando uma vaga do lado de fora. Dentro da sala de cinema, o público recebeu a homenageada do festival, a atriz Leandra Leal, além do primeiro filme em competição, o chileno O Clube.

    Antes das homenagens, no entanto, o diretor Halder Gomes (Cine Holliúdy) leu trechos de uma carta assinada por mais de 120 diretores de cinema brasileiros. Os artistas reivindicam o aumento das baixíssimas cotas de exibição para o cinema nacional, sem o qual o público se tornaria "mero consumidor de produto estrangeiro".

    Ainda na esteira dos discursos políticos, Leandra Leal subiu ao palco acompanhada de sua mãe, Ângela Leal, que lhe entregou o prêmio do Cine Ceará. A jovem atriz lembrou que a sua carreira começou aos 13 anos de idade, filmando A Ostra e o Vento, justamente em Fortaleza. Para ela, então, o reconhecimento do festival marca um retorno às origens. 

    Ângela Leal e Leandra Leal

    Leandra Leal aproveitou para reafirmar sua paixão pelo cinema ("Faço cinema por amor e pela vontade de acrescentar meu olhar ao mundo") e para criticar a presença minoritária de mulheres dirigindo e protagonizando os filmes nacionais. Ela citou seu primeiro filme como diretora, Divinas Divas, em fase de finalização, e ressaltou a importância da presença feminina nas artes: "Quero representar mais e melhor as mulheres no cinema". A convidada concluiu o seu discurso com a certeza de que "o cinema pode mudar o mundo". 

    Após uma abertura descontraída, o Cine Ceará começou a sua mostra competitiva com uma produção sombria: O Clube, dirigido por Pablo Larraín (No). O ator Alejandro Goic subiu ao palco para apresentar a história sobre padres pecadores, mantidos em reclusão dentro de uma casa afastada (o "clube" do título), em símbolo de vergonha e arrependimento. Com fotografia belíssima e atuações potentes, o filme discute temas como a pedofilia, a integridade da Igreja Católica, a vingança e o perdão. Leia a nossa crítica.

    O Clube

    O Clube, vencedor do Urso de Prata no festival de Berlim 2015, marca um início excelente para o festival cearense. Será que os outros filmes conseguirão manter esta qualidade? Ou o festival gastou a sua melhor carta logo na noite de abertura? A mostra competitiva segue no dia 19 de junho com o filme espanhol Loreak e o argentino Jauja. A mostra dedicada ao cinema espanhol também começa neste dia, com a exibição do clássico O Espírito da Colmeia (1973), de Victor Erice.

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