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    Exclusivo: John Madden, diretor de O Exótico Hotel Marigold 2, fala sobre as surpresas desta comédia de sucesso
    Por Bruno Carmelo — 3 de mai. de 2015 às 17:30

    O cineasta conversou em exclusividade com o AdoroCinema durante o Cine PE 2015.

    Daniela Nader / Divulgação

    Depois de levar a plateia do Cine PE 2015 às gargalhadas com O Exótico Hotel Marigold 2, o cineasta britânico John Madden conversou com os jornalistas sobre a sua experiência neste filme de sucesso, que surpreendeu nas bilheterias britânicas, ficando três semanas em primeiro lugar.

    Em entrevista exclusiva ao AdoroCinema, ele explicou os desafios de fazer um segundo filme, os problemas e prazeres de filmar na Índia e a experiência única de trabalhar com atores do nível de Judi Dench, Maggie Smith e Bill Nighy, no papel de um grupo de idosos que abandonou o Reino Unido para morar definitivamente na Índia.

    Descubra o resultado deste agradável bate-papo:

    O tema do primeiro O Exótico Hotel Marigold (2011) foi o choque de culturas de um grupo de personagens britânicos na Índia. Mas ao final da trama, eles já estão bem acostumados ao novo país. Como construiu a ideia da sequência?

    Nós não queríamos fazer o mesmo filme de novo, não fazia sentido. No começo, nós nos perguntamos se era uma boa ideia, se ainda tínhamos algo a dizer. Mas uma das coisas que marcou o público, e que contribuiu ao seu sucesso foi também mostrar pessoas idosas tomando uma grande decisão, de ficar na Índia e morar por lá. De certa maneira, havia a oportunidade de investigar com calma as consequências daquela decisão, nesta altura da vida dos personagens.

    É como no caso do romance entre os personagens de Bill Nighy e Judi Dench. Uma versão possível seria dizer que “eles viveram felizes para sempre”, mas também poderíamos investigar o que significa começar um relacionamento nesta idade. Havia algo a investigar, uma metade da história ainda precisava ser contada.

    Decidimos que o segundo filme teria o formato de um casamento, que é um evento importante para todos, não apenas para aqueles se casando. Podíamos explorar vários aspectos, porque nesta hora os outros ao redor também se questionam sobre as suas vidas. A Índia sabe festejar como nenhum outro país – talvez o Brasil apenas! –mas havia uma riqueza neste tema, em termos de resolução e de melancolia a retratar.

    Você já conhece esses atores muito bem, inclusive por outros filmes em que trabalhou. Agora, você também tem familiaridade com os personagens. Como foi a experiência para você e para os atores desenvolverem mais uma vez esta história? De que maneira o elenco contribuiu na segunda trama?

    Eles contribuíram tanto quanto no primeiro filme, porque o roteiro foi escrito especificamente para cada ator, com eles em mente. Nós já sabíamos que todos estariam presentes, e começamos a mexer com as características de cada personagem. Ol Parker, o roteirista, conhece muito bem o DNA de cada ator. Ele cria personagens para Bill Nighy melhor do que ninguém! Este era o prazer da sequência: eles eram uma espécie de “propriedade pública”, porque o público já os conhecia bem. Nós imaginamos que a maioria dos espectadores de O Exótico Hotel Marigold 2 também assistiu ao original, então eles se lembram bem desses personagens. Como o público já sabe da história, é possível brincar com as expectativas, subvertendo-as um pouco.

    Além disso, é ótimo escrever para essas pessoas em particular, nesta altura de suas carreiras. Eles são tão talentosos, e tão experientes... É sempre excelente ver Maggie Smith ou Judi Dench atuando.

    Filmar na Índia pela segunda vez foi mais fácil, em termos de produção?

    Foi igualmente difícil, imagino. Nós já sabíamos o que esperar desta vez, mas a Índia não é um lugar muito fácil de filmar – não porque as pessoas sejam complicadas, mas porque esta é uma cultura muito curiosa. Quando você deseja captar o sentimento dessa cultura, o segredo foi parecer invisível, porque assim que os indianos veem uma câmera, tudo se interrompe. Todos veem uma oportunidade, e vendedores de rua reclamavam: “Nós não vendemos nada hoje porque vocês apareceram com as câmeras”, e depois pediam dinheiro à produção... Tivemos que enfrentar coisas do tipo.

    Mas o maior problema foi lidar com uma produção muito maior. O tema agora é um casamento, então precisamos de 800 a 900 pessoas juntas no set de filmagem, e manter essas pessoas todos os dias é difícil! Elas apareciam, mas depois sumiam no dia seguinte... Além disso, nós filmamos no que é chamada de “temporada de casamentos” na Índia. A maioria dos casamentos é feita nos dois primeiros meses do ano, porque acreditam que esta seja a época em que se adquira mais bênçãos dos deuses. Todos os dias, havia casamentos pela cidade, e essas cerimônias sempre são gigantescas, caóticas e barulhentas, o que atrapalhava a filmagem. Foi complicado neste aspecto.

    Mas por outro lado, foi como voltar para casa. Era quase como se nunca tivéssemos partido, afinal, foram apenas três anos entre o primeiro filme e a sequência.

    É louvável ver um filme com personagens acima dos 60 anos no papel principal, sem serem apenas os avós dos protagonistas, por exemplo. Histórias como a de O Exótico Hotel Marigold 2 são raras.

    Pois é, geralmente os idosos são o alívio cômico, ou obstáculos chatos ao prazer dos outros personagens. No cinema, geralmente personagens acima de 60 anos são usados apenas para se falar da dificuldade da velhice, ou da mortalidade. Uma das coisas que funcionou no primeiro filme, foi mostrar como pessoas daquela idade poderiam reagir a um ambiente totalmente diferente. Para os jovens, foi interessante descobrir que os idosos podem agir como adolescentes em alguns aspectos! Por exemplo: Judi Dench e Bill Nighy têm problemas de relacionamento no segundo filme. Geralmente, o homem fugiria da mulher apaixonada, e este caso é o oposto! Isso é interessante. Eu gosto de filmes que transcendam os preceitos básicos. Esta é uma comédia, mas espero que seja mais do que isso.

    Relatórios da MPAA (Motion Picture Association of America) têm relatado que os espectadores acima de 50 anos são o grupo de espectadores no cinema que cresce com a maior velocidade.

    Isso tem sido descoberto como uma evidência: a espectadora de cinema, especialmente a mulher mais velha, é aquela que decide o filme que o casal vai ver nas salas. Quando o segundo filme estreou no Reino Unido, algum tempo atrás, ele ficou em primeiro lugar nas bilheterias durante três semanas. Para uma história sobre essa temática, é algo a se festejar.

    Mas o mundo está envelhecendo. As pessoas vivem mais, a expectativa de vida é cada vez maior. Esta geração cresceu de maneira privilegiada, evitando a experiência da guerra, lidando melhor com a saúde e a doença, o que cria outra experiência de amadurecimento. Muitas pessoas têm mais anos de vida pela frente.

    Você afirmou no Cine PE que acha improvável a existência de O Exótico Hotel Marigold 3, apesar do sucesso comercial do segundo filme. Por que tem essa impressão?

    Por várias razões. Esta não é uma franquia, nós só fizemos o segundo filme porque acreditamos que poderíamos ser verdadeiros aos personagens e ao contexto. Se fizermos mais um, meus instintos como cineasta seriam de tomar uma direção totalmente nova, algo que os estúdios não devem gostar! Acredito que seria preciso honrar os personagens, de modo a tornar a mortalidade um assunto ainda mais presente. Psicologicamente, as pessoas querem obter a mesma experiência de um novo filme...

    Além disso, acabei de trabalhar na série de televisão Masters of Sex agora, entre os dois filmes, e precisei me dedicar muito. Por mais que eu goste de O Exótico Hotel Marigold, eu também quero fazer outras histórias, e quando tivesse a oportunidade de voltar a este tema, os atores já estariam pelo menos três, quatro anos mais velhos. Judi Dench e Maggie Smith já têm 80 anos de idade... Eu nunca direi “nunca”, porque eu também não imaginava fazer o segundo filme, mas acho improvável.

    Também existe o fato de que eu quero terminar a história enquanto ela ainda é um sucesso! Seria difícil superar este filme, porque ele apresenta tantas resoluções, e o casamento é algo tão poderoso na cultura indiana e cinematográfica... Seria necessário fazer um filme totalmente diferente, algo muito difícil. Se alguém me propuser, talvez eu pense a respeito. Mas acho difícil.

    Qual é o seu próprio projeto?

    É um suspense político americano. Estamos terminando de trabalhar no roteiro, que é excelente. Infelizmente, isso é tudo que eu posso dizer no momento. Nós já escolhemos a atriz, mas ainda não sei quando será filmado – provavelmente no fim deste ano, ou no início de 2016.

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