"Corri um risco enorme": Murilo Benício se entregou até demais para personagem em Assalto à Brasileira
por Diego Souza Carlos

Novo true crime brasileiro acaba de chegar aos cinemas com Benício, Christian Malheiros e Robson Nunes no elenco principal.

Assalto À Brasileira acaba de chegar aos cinemas brasileiros com uma história que, embora pareça ficção, faz parte da história real do nosso país. Em 1987, um grupo de assaltantes fez cerca de 300 vítimas em uma agência bancária paranaense, tornando-se um dos crimes mais populares do Brasil. Não obstante aos números impressionantes, as pessoas que foram feitas de reféns acabaram se afeiçoando aos criminosos - e temos aqui um ótimo enredo cinematográfico.

Formado por um time de ótimas estrelas, o elenco é liderado por Murilo Benício, Christian Malheiros e Robson Nunes. Quem comanda a trupe de atores é José Eduardo Belmonte, cineasta conhecido pelo recente Justino e por entradas como Alemão e Uma Família Feliz.

Em entrevista ao AdoroCinema, o eterno Tufão comentou sobre as curiosidades levadas ao set, incluindo a forma como construiu o seu personagem e colocou uma prática em risco pelo bem da magia do cinema.

A construção do personagem de Murilo Benício em Assalto À Brasileira

Galeria

Durante o papo, Murilo comentou que não teve acesso ao Paulo da vida real, mas esteve próximo de fotos, documentos e matérias da época. Sua interpretação e caracterização veio através desses registros. "Eu vi uma foto dele meio suado em uma redação, de camisa aberta, e achei aquilo interessante", explicou ele antes de indicar uma inclusão feita por conta própria. "O cigarro foi uma coisa que eu coloquei porque era algo muito forte nos anos 80. Escolhi a marca Free, que era extremamente famosa na época."

Enquanto fazia as adequações para dar vida ao personagem, a direção de arte fez uma réplica perfeita do maço de cigarro muito popular na época. "[Tinha] um cuidado enorme porque só tínhamos um maço" brincou. "Tentei fazer o cabelo dele meio ondulado para trás, mas não tive a oportunidade de me inspirar conhecendo o próprio Paulo. Acho que o filme não corresponde 100% à realidade em todo momento porque tem o humor e o objetivo de ser um filme comercial com o qual as pessoas se relacionem de forma simples. Ali o assalto é o grande protagonista, não há um protagonista único."

"Não é o ladrão que rouba o trabalhador, é o Robin Hood": Murilo Benício analisa episódio que originou Assalto à Brasileira, um true crime inusitado

Depois de revelar alguns segredos de bastidores, falamos um pouco sobre os hábitos dos anos 1980, como fumar em estabelecimentos fechados e a cultura do cigarro dominando o mercado. Quando questionei se ele fumava, outra história surgiu durante a entrevista.

Murilo Benício em "risco" pela arte

Galeria

"Eu corri o maior risco nesse filme porque fumei e eu já tinha parado de fumar há um tempão", revelou. "Quando um cara que parou de fumar volta para fazer um filme, o risco de voltar é enorme. Tanto que passei cerca de um mês após o término do filme, ainda fumando uns quatro a cinco cigarros por dia, dizendo para mim mesmo que tinha que parar até conseguir parar de novo. Corri um risco enorme."

O ator explicou que até houve uma tentativa de utilizar o cigarro cenográfico, mas o período da produção acabou não permitindo a adição deste acessório fictício. Essa história, curiosamente, nos levou à mais uma anedota. Se fosse possível, essa entrevista levaria horas, com certeza, pois o papo foi bom.

"Não conseguia mais olhar": Murilo Benício e Giovanna Antonelli usaram truque curioso para gravar uma das cenas mais marcantes de O Clone

"Lembro que o melhor amigo do meu filho, que é ator, me mostrou um curta em que aparecia fumando. Eu disse a ele: 'Se você não sabe fumar na vida real, não fume em cena, porque a gente percebe e isso entrega que tudo é uma mentira, fazendo perder o espectador'".

De volta ao filme, ele concluiu: "Nos anos 80 era uma loucura, se fumava dentro do carro com crianças. A propaganda de cigarro associava o fumo a esportes radicais como jet ski e vela. Era uma selvageria."

Assalto à Brasileira está em cartaz nos cinemas brasileiros.

Diego Souza Carlos
Diego Souza Carlos
-Redator | Crítico
Apaixonado por cultura pop, latinidades e karê, Diego ama as surpresas de Jordan Peele, Guillermo del Toro e Anna Muylaert. Entusiasta do MCU, se aventura em estudar e falar sobre cinema, TV e games.
Leia também