Laura Cardoso, um dos maiores nomes das novelas brasileiras, morreu na noite de segunda-feira (17), aos 98 anos, em São Paulo, por causas naturais. A confirmação veio na madrugada desta terça (18), em uma publicação no perfil oficial da atriz no Instagram.
Segundo Fátima Cardoso, filha da artista, Laura passou mal em casa, no bairro de Sumaré, na Zona Oeste da capital paulista, por volta das 23h20.
“Nossa grande estrela se despediu de nós. Laura Cardoso estará para sempre em nossos corações. Obrigada por tudo, nossa amada e eterna Laura Cardoso.”
O funeral de Laura Cardoso será realizado nesta terça-feira (18), na Funeral Home, na Bela Vista, região central de São Paulo, das 8h às 14h. A cerimônia será restrita a familiares e amigos. Viúva do ator e diretor Fernando Balleroni, a atriz deixa as filhas Fernanda e Fátima, as netas Claudia e Adriana e o bisneto Fernando.
Com mais de 80 anos de carreira, a atriz foi recordista de telenovelas, com mais de 60 produções do gênero no currículo, além de outras obras na televisão, no teatro e no cinema. Seu último trabalho na teledramaturgia foi em A Dona do Pedaço, em 2019. Anos depois, em 2025, protagonizou o curta-metragem de drama Dona Rosinha.
Uma carreira que começou no rádio
Laura Cardoso entrou no mundo da atuação aos 15 anos, participando de radionovelas na Rádio Cosmos. Antes de se tornar conhecida pelo nome artístico, ela se chamava Laurinda de Jesus Cardoso Balleroni, um nome considerado longo demais pelos radialistas da época.
Para facilitar a identificação no meio artístico, a atriz decidiu adotá-lo de forma mais simples, sem imaginar que, anos depois, ele seria associado a uma das trajetórias mais importantes da dramaturgia brasileira.
Uma das pioneiras da televisão no país, Laura fez sua estreia na recém-inaugurada TV Tupi, em 1952, no teleteatro Tribunal do Coração. A partir daí, passou a integrar o elenco de diversas produções da emissora e acompanhou de perto os primeiros anos da televisão brasileira.
Mais tarde, também trabalhou em novelas da Band e da Record. Em 1981, chegou à TV Globo já com uma carreira consolidada. Sua estreia na emissora aconteceu em Brilhante, na qual interpretou Dona Alda, uma mulher dedicada à família e à rotina do lar.
Divulgação/TV Globo
Depois desse trabalho, Cardoso emendou três novelas criadas e escritas pelo grande amigo Walther Negrão: Pão-Pão, Beijo-Beijo (1983), Livre para Voar (1984) e Fera Radical (1988). "Eu sou amiga e colega do Walther desde o tempo da Tupi. Eu sou pupila do Negrão", disse ela ao Memória Globo, orgulhosa de trabalhar com o autor.
Na década de 1990, atuou em clássicos da teledramaturgia como Rainha da Sucata (1990), Mulheres de Areia (1993), A Viagem (1994) e Irmãos Coragem (1995).
Ao longo dos anos, a artista também se destacou em produções como Chocolate com Pimenta (2003), Caminho das Índias (2009), Gabriela (2012), Flor do Caribe (2013) e O Outro Lado do Paraíso (2017).
Além da televisão, Laura Cardoso também construiu uma trajetória importante no cinema, em filmes como Corisco, o Diabo Loiro (1969), Terra Estrangeira (1995), Copacabana (2001), Fica Comigo Esta Noite (2006) e Primo Basílio (2007).
Em 2023, em entrevista ao Gshow, Laura revelou que não tem um personagem preferido, afirmando que todos foram fundamentais para a construção de sua carreira: "Todos os meus personagens são muito importantes, eu nunca destaquei uma novela mais importante que a outra, um personagem melhor que o outro, não. Todos foram muito bons", disse a veterana.