"Tedioso", "irritante", "deprimente", "ridículo", "misógino": esses são apenas alguns dos adjetivos usados há 30 anos para esculhambar Showgirls, a segunda parceria entre o roteirista Joe Eszterhas e o diretor Paul Verhoeven após Instinto Selvagem.
Lançada em 1995, a história da jovem Nomi Malone (Elizabeth Berkley) — que tenta fazer carreira como dançarina em Los Angeles e entra em uma disputa feroz com a stripper Cristal Connors (Gina Gershon) pela preferência do público e pela atenção do vulgar dono de casa noturna Zack Carey (Kyle MacLachlan) — foi detonada de forma quase unânime pela crítica.
Carolco Pictures / United Artists
Às inúmeras avaliações negativas somaram-se sete prêmios no Framboesa de Ouro (incluindo o de Pior Filme) e uma bilheteria fracassada de apenas 37,7 milhões de dólares (para um orçamento de 45 milhões). No entanto, Showgirls longe de ser um caso perdido.
Embora o agregador de críticas norte-americano Rotten Tomatoes ainda registre apenas 23% de aprovação, o longa passou por uma profunda reavaliação por parte de diversos críticos e cineastas desde o seu lançamento.
Jonathan Rosenbaum foi apenas um dos muitos críticos de cinema que enxergaram em Showgirls uma sátira escancarada ao showbusiness e ao capitalismo. O mestre do cinema francês Jacques Rivette (Celine e Julie Vão de Barco) já o havia classificado em 1999 como "um dos grandes filmes americanos dos últimos anos".
Mas Quentin Tarantino foi ainda mais rápido, reconhecendo as qualidades do "filme de estúdio de grande orçamento mais sujo [...] e um clássico camp instantâneo" (palavras de Janet Maslin no The New York Times) logo após a estreia. No livro Quentin Tarantino: Interviews, Revised and Updated, de Gerald Peary, é possível ler o que o diretor cult declarou em 1996 sobre Showgirls (via IndieWire)
Carolco Pictures / United Artists
Quentin Tarantino sobre Showgirls
"Achei Showgirls bom pra c*ralho. Estou pensando em escrever um artigo para a revista Film Comment — uma defesa completa e irrestrita de Showgirls. O sensacional, o magnífico [no filme] — e me refiro a magnífico com M maiúsculo — é que, nos últimos 20 anos, apenas uma outra vez um grande estúdio fez um filme de exploitation legítimo, gigantesco e de alto orçamento: Mandingo, um dos meus filmes favoritos. [nota: ao qual Tarantino faz citação direta em Django Livre].
Showgirls é o Mandingo dos anos 90. E o mais espetacular é que ninguém além de Paul Verhoeven teria tido a coragem de rodar o filme exatamente como ele precisava ser rodado. Ele sabia perfeitamente que estava fazendo um filme de exploitation."
Para quem quiser tirar as próprias conclusões sobre o clássico cult, Showgirls está disponível para streaming no Prime Video e Mubi.