Com impressionantes 250 milhões de dólares à disposição, o diretor de grandes sucessos Christopher Nolan levou A Odisseia aos cinemas em uma produção que se tornou a adaptação mais grandiosa e bem-sucedida do poema de Homero até hoje. A história trágica de Odisseu (Matt Damon) atravessa séculos e continua inspirando artistas e espectadores.
Por isso, vale a pena olhar para o passado. Muito antes de Nolan, a obra de Homero já havia ganhado algumas adaptações que merecem ser conhecidas, como A Odisseia, de 1997. O mais famoso longa-metragem baseado na história, porém, é ainda mais antigo: Ulysses chegou aos cinemas em 1954.
Ulysses: Um clássico com Kirk Douglas no papel de Odisseu
Se, depois do épico de fantasia de Nolan, você quiser mergulhar ainda mais no universo de A Odisseia, vale conhecer o clássico filme de aventura estrelado por Kirk Douglas. A produção está atualmente disponível no Looke, NetMovies, Belas Artes à La Carte e também para compra ou aluguel no Prime Video e apresenta algumas diferenças interessantes, mas também semelhanças com a versão de Nolan.
Prime Video
Enquanto Nolan mergulha sua Odisseia em um universo de imagens apocalípticas, Ulysses aposta em uma aventura colorida e grandiosa, com um ritmo bastante diferente do da adaptação mais recente. A jornada de 10 anos de Odisseu é apresentada de maneira mais contemplativa, explorando aos poucos as diferentes etapas de sua longa viagem.
Muitos desses episódios são apresentados por meio de flashbacks e apostam em momentos teatrais e grandiosos, seguindo a tradição dos grandes épicos cinematográficos. Na verdade, a coprodução ítalo-americana ajudou a abrir caminho para filmes monumentais que marcariam as décadas de 1950 e 1960, como Os Dez Mandamentos (1956), Ben-Hur (1959) e Cleópatra (1963).
A Odisseia abriu caminho para os grandes épicos
Depois de transformar Odisseu em um herói carismático e cheio de ação, Kirk Douglas interpretaria, em 1960, seu papel mais famoso até hoje: Spartacus, o escravizado que lidera uma revolta contra Roma. Sem sua atuação convincente em Ulysses, essa escalação provavelmente seria muito mais difícil de imaginar.
O elenco do filme também guarda uma curiosidade que talvez tenha servido de inspiração para Nolan. Silvana Mangano interpreta dois personagens: Penélope e Circe. De um lado, ela vive a mulher que espera Odisseu em sua terra natal; do outro, interpreta aquela que faz o herói se afastar ainda mais de seu caminho.
Prime Video
Nolan também escalou uma mesma atriz para dois papéis. Lupita Nyong'o interpreta tanto a bela Helena quanto sua irmã, Clitemnestra. Nos dois filmes, essa escolha de elenco é utilizada de maneira consciente para expressar a complexidade da história e a divisão interna dos personagens. Afinal, essas narrativas não são compostas apenas por grandes feitos heroicos.
Em comparação com a versão de Nolan, Ulysses pode parecer um pouco mais ingênuo ou, para usar outra definição, mais otimista. Essa característica combina com os cenários grandiosos dos estúdios De Laurentiis e com as paisagens exuberantes registradas em locações na Itália, que contribuem diretamente para a atmosfera da produção.
Embora os efeitos possam parecer um pouco envelhecidos aos olhos do público atual, a versão de A Odisseia dirigida por Mario Camerini era, na época, um projeto cinematográfico gigantesco. O longa contou com um orçamento impressionante, que em 1954 chamou tanta atenção quanto os 250 milhões de dólares que Nolan teve à disposição para realizar sua própria versão da história de Homero.