Estamos cansados ​​de efeitos especiais de baixa qualidade: Christopher Nolan encontrou a mesma solução que Devoradores de Estrelas
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Em um momento de falta de credibilidade nos efeitos especiais, a mistura de artesanato e atuação está recuperando a magia cinematográfica.

Incluir um cíclope em uma história é um obstáculo importante para conseguir fazer uma narrativa crível, e não apenas pela impossibilidade de fazê-la historicamente correta (não existe tal coisa). Mas é uma parte importante de A Odisseia e de por que é um relato atemporal. A maioria teria a solução clara: usar CGI para incluí-lo na tela. Christopher Nolan é um artista diferenciado porque seu primeiro instinto não passa por aí.

A Odisseia
A Odisseia
Data de lançamento 16 de julho de 2026 | 2h 53min
Criador(es): Christopher Nolan
Com Matt Damon, Tom Holland, Anne Hathaway
Usuários
4,0
Adorocinema
4,5
Ver sessões (563)

Seus filmes não carecem de efeitos computadorizados, mas sempre buscam acentuar o que ele já capturou com a câmera por meio de artesanato e truques de mágica do cinema. O cíclope de A Odisseia é um grande exemplo, alcançando uma das cenas mais impactantes do filme com astúcia, engenho… e uma marionete gigante.

Na internet, é possível encontrar imagens da grande criação artesanal utilizada em várias sequências que compõem a cena. Também foi confirmado finalmente que foi feito o uso de um ator para dar vida aos movimentos da marionete e também em alguns planos onde deveria ser mostrado em carne e osso. Esse ator é Bill Irwin, circense profissional e comediante, além de ator que trabalhou com Nolan em Interestelar, dando movimento e até vislumbres de vida ao robô TARS, que é um dos grandes triunfos do filme e inclusive do elenco.

Artesanato para criar vida

O grande trabalho com o cíclope em A Odisseia não só consegue dar essa almejada textura realista a algo que é puramente fantasioso, combinando lógica com imaginação como Nolan sabe fazer. O resultado traz achados dramáticos que normalmente comentamos em atores que percebemos interpretando personagens, ou criaturas que reconhecemos como seres antropomórficos. Proporcionou pulso e emoção além de impactar com o espetáculo, e parte do mérito é da atuação, ao calibrar os movimentos e os gestos, além de como são capturados.

Devoradores de Estrelas. Amazon MGM Studios
Devoradores de Estrelas.

Este triunfo chega apenas alguns meses depois de meio mundo ter se impressionado com Rocky, o grande efeito especial de Devoradores de Estrelas e praticamente coprotagonista ao lado de Ryan Gosling. O alienígena rochoso também foi estampado na tela à base do uso de marionetes e do próprio criador James Ortiz fazendo o trabalho atoral, controlando os movimentos na ponta dos dedos para que se apreciasse intenção e emoção onde, em repouso, vemos apenas um punhado de rochas.

O trabalho de Ortiz foi aclamado o bastante para se começar a considerar os atores marionetistas como intérpretes tão louváveis quanto os que colocam seu rosto e corpo na tela. É uma discussão que vai de mãos dadas com premiar os dublês de ação que também tornam possíveis os momentos mais arriscados e espetaculares dos filmes, e que terão quase uma categoria própria no Oscar em edições futuras.

Este impulso do efeito especial artesanal chega em um momento crucial para os blockbusters, onde a farra de CGI é a regra e, na maioria das vezes, é notavelmente apressada, tem sentido estético nulo ou claramente não é guiada por um cineasta que tenha experiência ou visão para integrá-los à ação. Aumenta-se um ruído visual que anula a suspensão da incredulidade de que precisamos para poder embarcar em um espetáculo, sobretudo um fantástico.

Devoradores de Estrelas
Devoradores de Estrelas
Data de lançamento 19 de março de 2026 | 2h 37min
Criador(es): Phil Lord, Christopher Miller
Com Ryan Gosling, Sandra Hüller, Milana Vayntrub
Usuários
4,3
Adorocinema
4,0
Assista agora no Prime Video

É aí que a reivindicação feita pela indústria e pelos profissionais de artes como esta se mostra crucial, porque depois o público é capaz de recuperar certo deslumbre que associamos a boa parte do cinema. Quem sabe alguém até possa aspirar a pegar a influência de Jim Henson e levar a fantasia a novos terrenos. Em certo sentido, as marionetes não poderiam ter voltado em momento melhor.

Marco Rigobelli
Marco Rigobelli
Marco é tradutor e redator. Tem uma história pessoal com O Bebê de Rosemary, acha que 10 Coisas que Eu Odeio em Você é um dos maiores filmes já feitos e pode passar horas contando fatos aleatórios sobre O Senhor dos Anéis.
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