Um dos melhores filmes de anime da história, e uma grande influência no cinema de ação e ficção científica, retorna aos cinemas
por Marco Rigobelli

Em uma versão remasterizada especial, o clássico de Katsuhiro Ôtomo retorna às telas tão impressionante como sempre.

Uma obra pode ser considerada total se for capaz de ter não apenas uma imagem que será referenciada por toda a eternidade, mas também uma influência estética e temática imperecível. Mesmo em algo como a ficção científica, que em sua tendência de olhar para o futuro pode acabar ficando um pouco presa no tempo, suas ideias podem perdurar.

Akira
Akira
Data de lançamento 9 de agosto de 1991 | 2h 04min
Criador(es): Katsuhiro Ôtomo
Com Mitsuo Iwata, Nozomu Sasaki, Mami Koyama
Usuários
4,5
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Costumam perdurar mais as imagens do que as ideias, porque as primeiras podem ser descontextualizadas mais facilmente (vem à mente como Jogador Nº 1 vomitava referências na tela sem pé nem cabeça). Mas um mangá e um filme como Akira passam muito bem pela passagem do tempo porque sua estética impecável está conectada ao seu conteúdo potente.

Akira: Uma energia imparável

O clássico de Katsuhiro Ôtomo, no qual ele próprio dirige a adaptação audiovisual do seu próprio mangá magistral, continua sendo uma das melhores obras de ficção científica e ação da história, e um ponto de virada claro para o anime em nível global. Um filme que faz seu enésimo retorno às salas de cinema em uma versão remasterizada.

Toho

Na reformulada Neo-Tóquio do ano de 2019, a cidade decadente dominada por gangues de rua e pela opressão militar se aproxima cada vez mais do seu colapso. Nesse contexto, um projeto científico secreto vem trabalhando para criar uma força energética imparável que seja a arma definitiva, mas que sairá progressivamente do seu controle quando Tetsuo, membro de uma gangue de motoqueiros, obtiver esse poder e começar a perder o controle dele.

Ôtomo se mostra muito inteligente na hora de abordar o filme, esquivando-se de problemas esperados de um autor adaptando o próprio trabalho para outro meio. Não peca por ser autoindulgente, impondo uma fidelidade exata e impossível ao que já havia escrito, mas sabe se reinterpretar para contar a mesma coisa de uma maneira também apropriada, especialmente para o formato escolhido.

Toho

Akira: uma reinterpretação magistral

Aqueles já familiarizados com o mangá original sentirão falta de muitos detalhes e tramas, que são condensados em um filme de duas horas, mas Ôtomo faz um ótimo trabalho de filtragem e de compreensão das diferenças entre os meios. E também consegue explorar lugares que não podia originalmente, incluindo a forma como retrata fabulosamente essa Neo-Tóquio completamente distópica.

Marco Rigobelli
Marco Rigobelli
-Redator
Marco é tradutor e redator. Tem uma história pessoal com O Bebê de Rosemary, acha que 10 Coisas que Eu Odeio em Você é um dos maiores filmes já feitos e pode passar horas contando fatos aleatórios sobre O Senhor dos Anéis.
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