"O estúdio não a queria": Lançado há 46 anos, este clássico é uma das maiores cinebiografias já feitas
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A cantora lendária Bette Midler estreou no cinema em 1979 com A Rosa, filme inspirado na vida de Janis Joplin. Ela entregou o maior papel de sua carreira!

Ícone da música estadunidense desde o início dos anos 1970, Bette Midler também construiu uma sólida carreira no cinema, estrelando filmes como Um Vagabundo na Alta Roda, Abracadabra, O Nome do Jogo e The Women. Ela ainda emprestou sua voz para animações como Oliver e Seus Companheiros. Mesmo assim, a maior contribuição da artista para o cinema continua sendo justamente seu primeiro papel nas telonas: A Rosa (1979).

Uma atuação física e vocal absolutamente impressionante em A Rosa

Misturando drama musical, filme-concerto e ópera rock, A Rosa é considerado a obra-prima do diretor Mark Rydell, responsável também por Num Lago Dourado, último filme de Henry Fonda. Mas é Bette Midler quem domina completamente a produção.

Sua interpretação é intensa, visceral e emocionalmente devastadora. A atriz parece cantar e atuar como se estivesse exorcizando seus próprios demônios, entregando uma performance física e vocal que permanece impressionante até hoje.

20th Century Fox

O trabalho lhe rendeu o Globo de Ouro de Melhor Atriz e uma indicação ao Oscar na mesma categoria. Na cerimônia de 1980, porém, o prêmio acabou ficando com Sally Field por Norma Rae.

Filmado em apenas 12 semanas durante a primavera de 1978, A Rosa também funciona como um retrato do fim de uma era do rock. A fotografia ficou a cargo do lendário Vilmos Zsigmond, com cenas de shows registradas por nomes igualmente consagrados, como László Kovács e Haskell Wexler.

Na época do lançamento, em 1979, o universo do rock vivia um momento de transformação, pouco depois da morte de Sid Vicious, um dos maiores símbolos do movimento punk.

Inspirado na vida de Janis Joplin

Embora se passe em 1969, A Rosa é claramente inspirado na trajetória de Janis Joplin, que morreu em 1970, aos 27 anos. Inicialmente, o projeto seria uma cinebiografia da cantora e teria o título Pearl, apelido pelo qual ela era conhecida.

Segundo Mark Rydell, ele foi convidado para dirigir o longa cerca de 15 anos antes de finalmente realizá-lo. Na época, sugeriu imediatamente o nome de Bette Midler para interpretar Janis Joplin, mesmo quando ela ainda era praticamente desconhecida.

Reprodução

A cantora se apresentava em um clube de Nova York chamado The Baths, onde chamava atenção pelo talento e pela intensidade de suas performances. O estúdio, porém, recusou a ideia. Executivos da Fox queriam uma atriz famosa, que depois seria dublada por uma cantora profissional. Rydell discordou completamente da proposta e abandonou o projeto.

O estúdio finalmente mudou de ideia

Ao longo dos anos, o roteiro passou por diversas reescritas — uma delas assinada por Michael Cimino — até que a situação mudou completamente. Nesse intervalo, Bette Midler se transformou em uma das maiores estrelas da música norte-americana graças aos álbuns The Divine Miss M (1972) e Bette Midler (1973). Seu enorme sucesso na Broadway consolidou ainda mais sua carreira.

Foi então que a Fox voltou a procurar Mark Rydell. O diretor aceitou retornar ao projeto, mas com uma condição: abandonar a ideia de fazer uma biografia oficial de Janis Joplin. Em vez disso, criou uma personagem fictícia chamada The Rose, inspirada na cantora, mas livre para desenvolver uma história própria. Rydell nunca escondeu sua admiração por Midler.

Seu talento é como uma ferida aberta. Basta jogar um pouco de sal, e ele reage imediatamente.

Uma preparação intensa para criar uma estrela do rock

Durante três meses, a equipe trabalhou exclusivamente na construção da personagem. A Rosa é uma artista extremamente famosa, mas emocionalmente exausta. Depois de anos vivendo sob o controle de um empresário impiedoso, ela decide fazer um último show em sua cidade natal antes de se afastar dos palcos por um ano.

Enquanto se prepara para essa apresentação decisiva, revive toda a sua trajetória marcada por sucessos, excessos e dores. Para viver essa personagem, Bette Midler mergulhou completamente na preparação.

20th Century Fox

Influenciada desde jovem por grandes nomes do rhythm and blues, como Big Maybelle, Big Mama Thornton e Nina Simone, ela passou meses ensaiando ao lado da banda do filme, supervisionada por Paul Rothchild, lendário produtor de Janis Joplin e Jim Morrison.

Anos depois, a atriz revelou que a convivência com Rothchild nem sempre foi fácil: "Ele era uma pessoa muito dura. Eu realmente não gostava dele", contou. Mesmo assim, reconheceu a importância dos ensaios.

Durante cerca de quatro semanas, ela repetiu diariamente com a banda e levou para o repertório duas músicas que fazia questão de interpretar: When a Man Loves a Woman e Stay With Me.

Além disso, treinou ginástica durante seis meses antes das filmagens para desenvolver uma movimentação corporal mais felina: "Eu queria que a personagem se movesse como um animal. Ela é uma verdadeira fera no palco e existe algo profundamente violento nela", explicou.

A Rosa
A Rosa
2h 14min
Criador(es): Mark Rydell
Com Bette Midler, Alan Bates, Frederic Forrest
Usuários
3,4

Mais de quatro décadas depois, A Rosa continua sendo uma das atuações mais extraordinárias da carreira de Bette Midler — e também um dos grandes dramas musicais já produzidos.

Apesar de ter retornado aos cinemas em versão restaurada em 2015, o filme nunca recebeu uma edição em Blu-ray ou 4K em diversos mercados, permanecendo disponível apenas em antigas edições em DVD. Ainda assim, para quem nunca assistiu a essa performance monumental, A Rosa continua sendo uma experiência cinematográfica indispensável.

Iris Dias
Amante dos filmes de fantasia e da Beyonce. Está sempre disposta a trocar tudo por uma sitcom ou uma maratona de Game Of Thrones.
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