"Ele não é um ator particularmente bom": Este ator cult controverso foi originalmente escalado para interpretar Freddie Mercury em Bohemian Rhapsody
Marco Rigobelli
Marco Rigobelli
Marco é tradutor e redator. Tem uma história pessoal com O Bebê de Rosemary, acha que 10 Coisas que Eu Odeio em Você é um dos maiores filmes já feitos e pode passar horas contando fatos aleatórios sobre O Senhor dos Anéis.

O caminho até o sucesso de Bohemian Rhapsody não foi nada simples. Antes de Rami Malek, havia um outro ator previsto para o papel de Freddie Mercury.

O Queen é, sem dúvida, uma das melhores e mais bem-sucedidas bandas da história da música. Com o cinebiografia lançado em 2018, Bohemian Rhapsody, a trajetória da banda foi finalmente homenageada nas telas do cinema — e com um sucesso avassalador.

O filme dirigido por Bryan Singer arrecadou impressionantes 910 milhões de dólares em todo o mundo com um orçamento de apenas 52 milhões. Na cerimônia do Oscar de 2019, o drama também brilhou: com cinco indicações, o filme levou quatro troféus para casa. Entre os premiados estava Rami Malek, que ganhou o Oscar de Melhor Ator por sua interpretação de Freddie Mercury.

Bohemian Rhapsody
Bohemian Rhapsody
Data de lançamento 31 de outubro de 2018 | 2h 15min
Criador(es): Bryan Singer
Com Rami Malek, Gwilym Lee, Lucy Boynton
Imprensa
3,1
Usuários
4,5
Adorocinema
3,0
Assistir em streaming

Porém, o caminho até esse sucesso foi tudo menos tranquilo. O projeto estava em desenvolvimento desde 2010 e deveria ser realizado originalmente com um ator completamente diferente no papel principal: Sacha Baron Cohen. A estrela britânica é conhecida principalmente por suas obras paródicas e provocadoras, como Borat e O Ditador, que já alcançaram verdadeiro status de sucessos cult.

Apesar de anos de desenvolvimento e da evidente semelhança física de Cohen com Mercury, o ator decidiu abandonar o projeto em 2013 — oficialmente por "diferenças artísticas" com a banda.

O que incomodou Sacha Baron Cohen em Bohemian Rhapsody

Brian May, guitarrista e cofundador do Queen, ainda parecia entusiasmado em 2011: "Não podemos manchar o legado de Freddie. Se Sacha não tivesse insistido vez após vez, não estaríamos aqui. Ele tem uma paixão ardente pela ideia de interpretar Freddie", disse ele na época ao Daily Record.

Em uma entrevista a Howard Stern em 2016, Cohen finalmente explicou suas motivações: ele queria fazer um retrato sem concessões de Freddie Mercury, que mostrasse também o lado sombrio e os excessos do artista. Já o próprio Queen desejava uma cinebiografia mais leve, focada na meteórica ascensão da banda.

"Existem histórias incríveis sobre Freddie Mercury. O cara era selvagem. Quero dizer, ele vivia um estilo de vida de excessos extremos. Há histórias de pessoas de baixa estatura carregando bandejas cheias de cocaína na cabeça, circulando por festas", contou Cohen.

Sacha Baron Cohen como Borat. 20th Century Studios
Sacha Baron Cohen como Borat.

Além disso, ele rejeitou um ponto crucial do roteiro: estava originalmente planejado que a morte de Mercury seria mostrada no meio do filme, com a segunda metade dedicada à história do Queen após sua morte. "Quem iria querer ver um filme assim?", questionou Cohen, que também teceu críticas a Brian May: "Ele é um músico incrível, mas não é um bom produtor de cinema".

Por sua vez, May declarou posteriormente ao Daily Mail que a presença de Cohen no projeto teria sido "perturbadora": "O homem que interpreta Freddie precisa ser realmente convincente no papel. E não achávamos que seria o caso com Sacha". Roger Taylor, baterista do Queen, foi ainda mais direto ao criticar as habilidades de atuação de Cohen: "Assisti aos seus últimos cinco filmes e cheguei à conclusão de que ele não é um ator lá muito bom", disse em entrevista à Classic Rock.

No fim, tudo correu como deveria. É claro que não dá para saber se o filme teria sido um sucesso com Sacha Baron Cohen. Mas Rami Malek, com sua atuação premiada pelo Oscar, provou que a decisão foi certamente acertada.

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