"Eu rejeitei a ideia imediatamente": Hollywood cogitou refilmar um de seus clássicos, mas Guillermo del Toro acabou com os planos num instante
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Lançado em 1992, Cronos é primeiro longa-metragem dirigido por del Toro.

Prime Films S.L.

Não há como negar que Hollywood é uma máquina de remakes. Só nos últimos anos, títulos como Amor, Sublime Amor, No Ritmo do Coração, A Pequena Sereia e mais foram lançados em cinemas de todas as partes do mundo, com o objetivo de reviver clássicos que marcaram diferentes gerações.

A estratégia de combinar o apelo à nostalgia com enredos já conhecidos do imaginário popular costuma funcionar, e enquanto o movimento continuar a gerar dinheiro, a indústria das refilmagens se manterá a todo vapor.

Sydney Sweeney assumirá papel principal no remake de um clássico do terror – o original foi publicado há 206 anos!

Guillermo del Toro vetou um remake de Cronos

Dito isso, não é surpreendente que o diretor mexicano Guillermo del Toro tenha recebido uma proposta, em meados da década de 1990, após lançar Cronos, o primeiro longa-metragem de sua carreira. Rodado originalmente em espanhol, Cronos fez grande sucesso junto à crítica, e por isso chamou a atenção dos executivos de Hollywood, que desejavam refazer o projeto inteiramente em inglês.

"Meu primeiro encontro em Hollywood foi na Universal Studios, e eu não entendi muita coisa, mas eles me disseram: 'Queremos comprar os direitos para refilmar Cronos em inglês’”, revelou del Toro durante uma entrevista passada, revivida pelo canal do YouTube, Gamers Tarraco. A reação inicial do cineasta foi de incredulidade diante do absurdo da ideia - e ele a vetou imediatamente.

Eu rejeitei imediatamente. [...] Cronos é um filme do seu próprio tempo e lugar.
O ator Federico Luppi em Cronos Prime Films S.L.
O ator Federico Luppi em Cronos

Para quem não conhece, Cronos acompanha Jesus Gris, um vendedor de antiguidades que encontra um misterioso artefato criado por um alquimista do século XVI. O objeto lhe concede juventude e a promessa de vida eterna, mas também desperta uma insaciável sede por sangue. Del Toro sabia que grande parte da magia de Cronos residia em sua essência mexicana, e por isso explicou:

“Há um agente funerário que masca chiclete, come banana e é tão descuidado que o cadáver escorrega por entre seus dedos - essa é a característica que define o personagem. O filme é muito mexicano no sentido de que o que acontece nele, para mim, só poderia acontecer no México."

Apesar de nunca ter havido um remake norte-americano, Cronos ganhou uma sequência independente feita no México, que foi desenvolvida no mesmo universo: Somos o que Somos (2010). Dirigido por Jorge Michel Grau, o projeto é centrado em uma família de canibais que, após a morte do pai, decide mudar seus rituais alimentícios. Del Toro, inclusive, chegou a elogiar o longa, destacando sua natureza sombria e poética.

Rafael Felizardo
Rafael Felizardo
-Redator | Crítico
Sonhador desde pequeno e apaixonado por cinema de A a Z, encontrou em David Lynch um modo de sonhar acordado.
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