"Não me interesso por caras de capa e cueca": Guillermo del Toro recusou dirigir os maiores filmes de super-heróis
Marco Rigobelli
Marco Rigobelli
Marco é tradutor e redator. Tem uma história pessoal com O Bebê de Rosemary, acha que 10 Coisas que Eu Odeio em Você é um dos maiores filmes já feitos e pode passar horas contando fatos aleatórios sobre O Senhor dos Anéis.

O diretor mexicano prefere outro tipo de histórias, menores e com mais substância do que as dos grandes heróis: "o que eles fazem quando não está caindo um prédio do espaço? Vão comer taco? Lavam o uniforme?"

Guillermo del Toro é um dos diretores emblema do gênero fantasia. O mexicano sempre se saiu bem no mundo dos monstros, das ambientações sombrias e espetaculares e dos incompreendidos. Como vimos em A Forma da Água e O Labirinto do Fauno, ele transita muito bem entre o fantástico e o cotidiano, misturando criaturas estranhas com situações do dia a dia. Isso é algo muito característico do seu cinema e do qual ele não consegue se desvencilhar.

É, de fato, uma das razões pelas quais nunca o veremos à frente de grandes superproduções de Hollywood, especialmente as de super-heróis. Em uma masterclass que deu no Festival Internacional de Cinema de Guadalajara em 2018 — a terceira dentro do evento —, ele reconheceu que não entendia muito bem esses personagens brancos de capinha.

Guillermo del Toro recusou filmes de super-heróis: "Faço o que quero"

"Sou muito teimoso, sou muito teimoso. Acredito que é dever de um artista ser muito teimoso. Não faço o que me encomendam, faço o que quero, o que acredito que preciso fazer. Então, há períodos em que não... Se eu quisesse filmar todo ano, é claro que haveria ofertas. Há filmes muito, muito grandes que me ofereceram em todos os gêneros, mas eu não os faço", confessou na masterclass.

Me ofereceram os maiores super-heróis, mas não os entendo. Os super-heróis de que gosto são o Hellboy e o Hulk, o demônio do Jack Kirby... não me interessam os caras caucasianos de capinha e cuecão. Não entendo o que fazer se não entendo o que eles fazem nas horas livres: o que fazem quando não está caindo um prédio do espaço? Vão comer taco? Lavam o uniforme? É isso que me interessa — me interessam muito as histórias paralelas

Os filmes de Del Toro podem funcionar melhor ou pior nas bilheterias e podem receber avaliações mais ou menos positivas, mas nenhuma de suas obras está vazia de conteúdo. O cineasta sempre tem algo a contar e quase sempre se concentra em personagens que quase nunca são ouvidos, como é o caso do seu mais recente Frankenstein.

Netflix

"Se você me dissesse: 'Ei, filma a batalha de Waterloo, com Napoleão', eu diria que me interessa muito mais a história do cara que passa as calças do Napoleão, ou o seu médico, ou o sujeito que conserta os canhões quando eles quebram; algo paralelo à história", continua.

Para o seu próximo projeto, ele manterá essa regra. Trata-se de Fury e retorna ao suspense que já abordou em O Beco do Pesadelo. É "muito cruel e muito violento. Como Meu Jantar com André, mas com pessoas assassinadas após cada prato".

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