Daqui a algumas semanas, no dia 28 de junho, completam-se dois anos da estreia da primeira parte de Horizon: An American Saga, a ambiciosa epopeia western que Kevin Costner apresentou — como ator, produtor e diretor — como o projeto de sua vida, sua maneira de reconstruir em grande escala o mito fundador do Oeste americano. Aquele filme deveria ter sido o início de uma saga monumental, mas fracassou, e sua segunda parte, que deveria ter estreado nos cinemas apenas algumas semanas depois, continua guardada em uma gaveta, à espera de um milagre.
Horizon: An American Saga, segundo o enredo oficial divulgado pela Warner Bros., busca —ou buscava— explorar o fascínio do Velho Oeste e como esse território foi conquistado e perdido à custa de sangue, suor e lágrimas, traçando uma jornada emocional por um país em guerra consigo mesmo através dos olhares contrastantes de famílias, aliados e inimigos que tentam decifrar o que realmente significa ser os Estados Unidos da América. Em suma, uma ficção concebida para reunir todos os ingredientes que nos fascinam no gênero clássico, mas que, no entanto, fracassou comercialmente. Muitos a viram mais como o episódio piloto de uma série de televisão, com várias tramas desconexas, do que como um longa-metragem.
Warner Bros
Os primeiros sinais de alerta surgiram no Festival de Cannes, onde Kevin Costner se atreveu a exibir o filme para alguns dos jornalistas mais conceituados da indústria; ali ficou claro que o entusiasmo não correspondia à magnitude do projeto. Com sua estreia comercial e os primeiros números de bilheteria, confirmou-se que Horizon não encontrava seu lugar na tela grande, e a Warner Bros. optou por não arriscar mais: a segunda parte foi adiada — embora tenha tido sua estreia em outro festival, o Festival de Veneza. A partir daí, começaram a surgir notícias preocupantes, desde dúvidas internas sobre sua viabilidade até denúncias por parte de uma especialista da equipe de filmagem, tudo isso enquanto Costner buscava uma maneira de concluir seu projeto.
Todo fã de faroestes e de Kevin Costner deveria assistir este filme: 35 anos após seu lançamento, permanece um clássico insuperávelNão apenas para que este segundo filme chegue ao público, mas para poder filmar a terceira e a quarta partes do que ele concebeu como uma tetralogia. “Tenho esperanças, tenho sonhos, estou me reunindo com todos aqueles bilionários de quem todos ouvimos falar; todos estão escondidos nas sombras”, chegou a afirmar a estrela americana à Deadline no final de 2024.
“Vou fazer a terceira; não sei como vou conseguir, mas vou fazê-la e depois vou fazer a quarta. E se quiserem dizer ‘fim’ nesse momento, então esse será o final. É o meu próprio OVNI particular: eu o vi, nunca vou esquecê-lo e vou persegui-lo enquanto puder. Vou encontrar uma maneira de trazer a 3 e a 4 para vocês, porque vocês já foram assistir à 1, vão assistir à 2, e todos nós vamos para o oeste juntos.”, disse o astro. Como dizemos, o tempo passou e aqui continuamos esperando.
Uma saga que Costner financiou com seu próprio dinheiro
Warner Bros
Na verdade, Horizon: An American Saga também não é um projeto excessivamente caro para os padrões atuais de Hollywood. Diz-se que os dois primeiros filmes têm um orçamento combinado de 100 milhões de dólares, dos quais o ator teria investido pelo menos 38 milhões, confirmando assim o caráter pessoal dessa aposta. Mas quando o público não responde, nada importa. Nem mesmo o fato de Kevin Costner ter sido o astro mais bem pago de Hollywood por três anos consecutivos no início da década de 1990, graças ao sucesso, justamente, de um western que ele dirigiu, estrelou e que o consagrou: Dança com Lobos.
Horizon: An American Saga chegou, além disso, após sua saída de Yellowstone, um fenômeno televisivo nos EUA comparável a Game of Thrones, que Costner optou por abandonar não nos melhores termos para mergulhar neste projeto de uma vida inteira. Uma pena. Mas, enquanto isso, e apesar de tudo, continuo recomendando sua exibição a qualquer fã do gênero.