É inegável que Steven Spielberg tem mais de uma obra-prima. Algumas são mais controversas do que outras, mas uma que não deixa dúvidas é A Lista de Schindler (1993). O filme demonstrou que o cineasta era capaz tanto da bondade quanto da crueldade extrema, e embora o Oscar tenha confirmado isso, consagrando-o como o melhor filme do ano, recebeu críticas de dois diretores renomados.
Um sucesso de bilheteria e no Oscar
A Lista de Schindler, disponível para compra ou aluguel no Prime Video, conta a história inusitada de Oskar Schindler (Liam Neeson), um sujeito oportunista, sedutor, "armador", simpático, comerciante, mas, acima de tudo, um homem que se relacionava muito bem com o regime nazista, tanto que era membro do próprio Partido Nazista (o que não o impediu de ser preso algumas vezes, mas sempre o libertavam rapidamente, em razão dos seus contatos). No entanto, apesar dos seus defeitos, ele amava o ser humano e assim fez o impossível: mesmo a ponto de perder a sua fortuna, ele conseguir salvar mais de mil judeus dos campos de concentração.
Universal Pictures
O filme de Spielberg recebeu 12 indicações ao Oscar e ganhou sete prêmios: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Trilha Sonora Original, Melhor Montagem, Melhor Fotografia e Melhor Direção de Arte. Também foi um sucesso de bilheteria, arrecadando 322,1 milhões de dólares em todo o mundo com um orçamento de 22 milhões de dólares.
As críticas de Jean-Luc Godard e Michael Haneke
Embora a crítica tenha aclamado o filme e o tempo tenha provado que estavam certos, Jean-Luc Godard e Michael Haneke criticaram Spielberg por sua representação do Holocausto. Godard, inclusive, fez isso há cerca de 30 anos!
Em 1995, quando o Círculo de Críticos de Cinema de Nova York quis conceder ao diretor da Nouvelle Vague francesa um prêmio especial, ele recusou, citando como um dos motivos sua incapacidade de impedir Spielberg de reconstruir o campo de concentração de Auschwitz para seu filme de ficção.
Mais tarde, em Elogio do Amor (2001), ele incluiu uma crítica a Spielberg, acusando-o de ter ganho milhões de dólares com A Lista de Schindler enquanto Emilie, esposa de Oskar Schindler, vivia na pobreza na Argentina. O filme também mostra uma empresa de Spielberg tentando comprar as memórias de sobreviventes do Holocausto para um filme de Hollywood.
As críticas de Haneke surgiram em 2009, coincidindo com o lançamento de A Fita Branca (2009), uma visão sombria da sociedade e da família em uma vila no norte da Alemanha, pouco antes da Primeira Guerra Mundial. A Fita Branca ganhou a Palma de Ouro em Cannes.
Em entrevista à Time Out, Haneke, quando questionado sobre o que, em sua opinião, faltava em filmes que retratam a história da Alemanha e a ascensão do fascismo, comentou: "Não quero julgar o trabalho de outros colegas em entrevistas, mas, tomando A Lista de Schindler como exemplo, há uma cena em que não sabemos se sai gás ou água dos chuveiros do campo de concentração. Só se pode fazer algo assim com um público ingênuo como o dos Estados Unidos. [...] Spielberg tinha boas intenções, mas foi imprudente. [...] Muitas vezes, o filme cai em um sentimentalismo inadequado para o tema."