Quem já assistiu à cinebiografia de Michael já deve ter percebido que a produção suaviza e até mesmo não apresenta diversas polêmicas envolvendo o Rei do Pop. O envolvimento com a família e os responsáveis pelo espólio do artista tem um claro envolvimento neste aspecto, mas ainda existem alguns detalhes de bastidores que só ficaram evidentes agora, após o lançamento do longa.
Antoine Fuqua precisou "refazer" o filme de Michael Jackson
Universal Pictures
Originalmente, Michael deveria chegar aos cinemas em 2025. O adiamento levantou uma série de rumores sobre refilmagens e mudanças na estrutura do filme, algo confirmado pela Puck, que noticiou uma grande reformulação do filme após o início da produção. Segundo o veículo, o longa chegaria ao fim em 1993, após Michael Jackson ser acusado de abuso sexual, mas tudo mudou quando os advogados do espólio do artista encontraram uma cláusula da época. Nela, em um acordo com os acusadores, havia um termo de proibição em levar o episódio às telonas.
Essa reviravolta levou a equipe a um lugar desconhecido: como reorganizar o projeto que já estava em andamento? De acordo com a Variety, em junho do ano passado, o elenco trabalhou em refilmagens durante 22 dias, um custo que teria atingido entre 10 e 15 milhões de dólares à produção. Esses valores foram pagos pelos herdeiros Jackson, já que o motivo foi a negligência dessas informações durante o período em que o filme era concebido no papel.
Diretor faz comparação com filme de Will Smith após tapa no Oscar
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Em entrevista ao Deadline, o diretor Antoine Fuqua se abriu sobre diversas questões que atingiram a cinebiografia. Uma delas foi o momento em que descobriu a cláusula que impedia que parte do filme não fosse ao ar. "Todos os filmes têm desafios diferentes, mas este foi realmente único. Foi um golpe ainda mais duro para mim naquele momento, porque eu estava exatamente na mesma situação com Emancipation - Uma História de Liberdade", refletiu.
"Eu estava literalmente entregando a versão do diretor quando Will [Smith] deu um tapa em Chris [Rock]. Fiquei chocado e devastado, e sabia o que aquilo significava e que o filme seria descartado. Esta foi uma situação semelhante, porque eu estava entregando a versão do diretor e recebi essa ligação. Foi um dia difícil", contou ele.
Michael vai ter continuação? Detalhe do filme tem chamado a atenção dos fãs"O que percebemos é que, para algumas pessoas que não conhecem o Michael, a história fica fora de contexto. A trajetória dele foi muito extrema. Era importante para nós voltarmos ao passado e proporcionarmos uma jornada para acompanhar o Michael", acrescentou Fuqua. "Ele também sofreu abusos emocionais e físicos constantes naquela casa com o pai. Se você não abordar isso, não vai entendê-lo e para onde a história vai."
O diretor ainda explica que "plantaram sementes" sobre os acontecimentos polêmicos que não chegaram a ser propriamente apresentados no filme. "Ele começa a conversar com o John Branca sobre os comprimidos, dizendo: 'Esses comprimidos estão me dando sono e o médico está dizendo que você precisa tomá-los'; foi isso que o matou", conta. "Então, ao longo da história, fomos construindo que esses eventos levariam ao desfecho que todos nós conhecemos. Essa é parte da tensão que sentimos, porque sabemos que, infelizmente, não terminou bem."
Quem é o diretor do filme de Michael Jackson? Diretor já trabalhou com Denzel Washington 5 vezesAinda assim, toda a captação do longa permitiu que o cineasta já tivesse parte do material para uma sequência. "Fomos bastante longe. Passamos pelas alegações contra Jordan que não pudemos usar. Fomos além disso. Talvez um ou dois anos depois (1995), quando as coisas começaram a ficar contra Michael", revelou ele.
Sobre a Parte 2 que, embora não esteja oficializada pelo estúdio, está claramente nos planos iniciais da equipe, Antoine não tem certeza se retornaria para a direção: "Eu gostaria, é só uma questão de agenda. Seria um desastre se outra pessoa fizesse isso", finalizou.
Michael está em cartaz nos cinemas.