Assisti em 2021 a um dos melhores filmes de terror da minha vida e até hoje tenho calafrios ao lembrar dele
Rafael Felizardo
Rafael Felizardo
-Redator | Crítico
Sonhador desde pequeno e apaixonado por cinema de A a Z, encontrou em David Lynch um modo de sonhar acordado.

Você já ouviu falar em Censor?

Desde novo, sou amante dos filmes de terror. Apaixonei-me de fato pelo gênero com [REC], um longa-metragem espanhol lançado em meados de 2007 que, depois de algum tempo, ganhou um insosso remake norte-americano intitulado Quarentena.

Através dos anos, fui colecionando favoritos, desde os clássicos Videodrome, Alucinações do Passado, Hereditário e Ring (1998); até os mais b-sides, como Noroi, Lovely Molly, Saint Maud, Lake Mungo, O Culto e Spring. Entretanto, foi um projeto lançado em 2021, encabeçado por uma cineasta não tão conhecida assim, que de fato alugou um lugar especial em meu coração: Censor.

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CONHEÇA CENSOR, O MEU FILME DE TERROR FAVORITO

Com uma belíssima atmosfera oitentista, Censor é um prato cheio para os fãs do terror psicológico. Como dito acima, o filme foi lançado em 2021 por Prano Bailey-Bond, uma diretora britânica que carrega em Censor o seu único longa na carreira. Bond tem um currículo direcionado aos curtas-metragens, responsável por obras como Nasty, The Trip, Man vs Sand e outras.

O enredo de Censor é ambientado na década de 1980, durante o auge da polêmica dos video nasties no Reino Unido. Nele, acompanhamos a vida de Enid Baines, uma rigorosa censora responsável por aprovar ou cortar conteúdos violentos de filmes.

A vida de Enid muda drasticamente quando ela assiste a um vídeo perturbador que parece ter ligação direta com o desaparecimento de sua irmã, ocorrido anos antes. Obcecada pela possibilidade de finalmente descobrir a verdade, a personagem mergulha em uma investigação cada vez mais inquietante - uma jornada psicológica que começa a borrar os limites entre realidade e ficção.

Vertigo Releasing

Com uma fotografia que faz brilhar os olhos de quem é apaixonado - como eu - pelos neons azuis e rosas característicos das produções neo-noir, Censor se estrutura com maestria sob uma estética onírica, essencial para retratar a deterioração psíquica vivida por nossa protagonista. A narrativa é desenvolvida de maneira majoritariamente lenta - ao menos até o terceiro ato, onde o espectador é arremessado em um redemoinho visceral.

Em muitos momentos, Censor parece o resultado de um cruzamento entre David Lynch e David Cronenberg. Há um surrealismo inquietante no enredo que dialoga bastante com a obra de ambos os cineastas - e aqui não há coincidência alguma, visto que Prano Bailey-Bond é fã assumida dos mencionados.

Censor
Censor
1h 24min
Criador(es): Prano Bailey-Bond
Com Niamh Algar, Michael Smiley, Nicholas Burns
Usuários
3,1
Adorocinema
4,5

O elenco conta com uma atuação impressionante de Niamh Algar, uma atriz conhecida principalmente por trabalhos em Raised By Wolves e O Milagre. E para você que se deu ao trabalho de ler este pretensioso texto até o fim, vale ressaltar que Censor está disponível para streaming na MUBI.

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