Psicose, Os Pássaros, Janela Indiscreta – filmografia de Alfred Hitchcock está repleta de obras-primas. Grandes títulos da história do cinema foram criados por ele, mas nenhum possui a sublimidade quase mística que caracteriza Um Corpo Que Cai, cujo magnífico título já nos alerta para a presença de algo grandioso.
Ninguém duvida que o filme de 1958 se destaque por seu mérito cinematográfico. Se você perguntar aos críticos, todos concordarão que é um dos melhores já feitos. Mas não é o primeiro título que vem à mente quando se menciona os maiores filmes de todos os tempos.
Normalmente, O Poderoso Chefão encabeça a lista, seguido pelo lendário 2001: Uma Odisseia no Espaço ou Cidadão Kane. Todos esses filmes são mais populares que o de Hitchcock, mas isso poderia gerar um debate acalorado que provavelmente se estenderia indefinidamente. E a verdade é que o resultado, na realidade, não importa.
Um romance aterrador que se desenrola lentamente
Paramount Pictures
"Há uma certa lentidão em Um Corpo Que Cai, um ritmo contemplativo, que não se encontra em seus outros filmes, frequentemente construídos sobre a velocidade", disse François Truffaut sobre o filme no livro Hitchcock/Truffaut. Esta é uma das chaves que o distingue do restante de sua obra. Aqui, o cineasta se permite o luxo de dedicar tempo aos olhares trocados entre os protagonistas, de revelar o espaço e de deixar os personagens se moverem diante do espectador.
O mestre do suspense continua a demonstrar sua maestria, mas eleva a tensão a outro patamar. Não se trata mais de algo externo, mas sim interno, que reside no medo da morte e em uma luxúria insaciável. Uma das muitas maneiras de descrever o filme é como uma história de amor trágica frustrada por obsessões, e grande parte de seu fascínio deriva disso. O diretor narra um romance deprimente e, de certa forma, aterrador. A busca implacável do protagonista pela mulher que ele acredita amar admite múltiplas interpretações, e hoje certamente temos muito mais a dizer sobre ela do que quando foi lançada.
O desaparecimento de James Stewart
Hitchcock não era a pessoa mais sociável no set, mas sabia muito bem como trabalhar com os atores para conseguir o que queria. Ele pediu a James Stewart que desaparecesse completamente por trás de seu personagem. O resultado é de tirar o fôlego.
Stewart interpretou Scottie com perfeição, um homem fadado ao fracasso – traumatizado, incapaz de continuar sua carreira como policial e incapaz de ter um relacionamento – que se deixa levar por suas memórias até desaparecer completamente no corpo da pessoa que um dia foi. Quando um ex-colega pede a Scottie que investigue sua esposa, Madeleine (Kim Novak), ele aceita o trabalho com relutância – sem fazes ideia das profundezas aterrorizantes às quais isso o levará.
Um Corpo Que Cai está disponível para compra ou aluguel no Prime Video.