Não se engane. Apesar do prestígio recente do cinema brasileiro no mercado audiovisual internacional, não é de hoje que as produções nacionais são reconhecidas e celebradas em festivais, mostras e premiações do mundo todo. No maior prêmio da indústria cinematográfica mundial, o Oscar, essa história também é longa, com Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto se tornando marcos importantes de um capítulo recente.
Ao longo das décadas, por sua vez, o Brasil se fez presente no Oscar um total de 16 vezes, contando produções e coproduções nacionais. O feito de Ainda Estou Aqui, porém, permanece um destaque nessa trajetória, sendo o primeiro filme brasileiro a levar a estatueta para casa, vencendo a categoria de Melhor Filme Internacional. Seis décadas separam esse evento histórico da primeira vez que um título daqui debutou na lista de indicados ao Oscar.
Quais filmes brasileiros já foram indicados ao Oscar?
Sony Pictures
A 32ª edição do prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas pode ser entendida como pioneira nessa linha do tempo. O ano é 1960 e a co-produção ítalo-franco-brasileira chamada Orfeu Negro concorre à estatueta dourada na categoria de Melhor Filme Estrangeiro e sai vitorioso.
Apesar da trama expressamente brasileira — adaptada da peça Orfeu da Conceição, escrita por Vinícius de Moraes, e gravada inteiramente no Rio de Janeiro com uma trilha sonora elaborada por Antônio Carlos Jobim e Luís Bonfá —, o prêmio foi dado à França. Isso porque está previsto no regulamento da premiação que a entrega do prêmio, em caso de coproduções, deve ser para o representante com maior participação de produção no filme.
Com Orfeu Negro, porém, foi dada a largada e, três anos mais tarde, O Pagador de Promessas fez a estreia do Brasil na lista de indicados com uma produção totalmente brasileira. Novamente na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, o longa escrito e dirigido por Anselmo Duarte conta a história de um homem humilde chamado Zé do Burro que promete a Deus caminhar do interior da Bahia até Salvador carregando uma cruz de madeira.
Ao longo do tempo, Brasil acumulou diversas indicações
divulgação/Cinedistri Producao e Distribuicao Audiovisual Ltda
Na década seguinte, em 1979, o documentário belgo-franco-brasileiro Raoni se lança na competição de Melhor Documentário de Longa-Metragem. Uma colaboração entre o diretor o brasileiro Luiz Carlos Saldanha e o francês Jean-Pierre Dutilleux, o filme segue um líder indígena caiapó na luta pela preservação do Parque indígena do Xingu.
Em 1986, O Beijo da Mulher Aranha rendeu não apenas um Oscar de Melhor Ator para William Hurt, como também garantiu mais três indicações para a trama de Hector Babenco, diretor argentino radicado brasileiro que concorreu a Melhor Diretor naquele ano. Com Sônia Braga no elenco, a coprodução Brasil e EUA disputou Melhor Filme e Melhor Roteiro Adaptado.
Na sequência, uma sucessão de agora clássicos do "cinema de retomada" da década de 90 foram agraciados pela Academia, sendo o mais reconhecido deles o drama de Walter Salles, Central do Brasil. Antes, porém, de Fernanda Montenegro ocupar uma vaga na categoria de Melhor Atriz e Central do Brasil concorrer em Melhor Filme Internacional, duas produções brasileiras também tentaram a sorte em Melhor Filme Estrangeiro: O Quatrilho, em 1996, e O Que É Isso, Companheiro? em 1998.
Produções Cinematográficas Barreto / Columbia Pictures / Sony Pictures
Entre curtas — como Uma História de Futebol, em 2001, na categoria Melhor Curta-Metragem em Live-Action— e demais documentários — como Lixo Extraordinário, em 2011; O Sal da Terra, em 2015 e Democracia em Vertigem, em 2020 —, um grande destaque da ficção se revelou com Cidade de Deus. Em 2004, o filme de Fernando Meirelles disputou os prêmios de Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia e Melhor Edição com a história da vida de um grupo de moradores do bairro carioca de mesmo nome.
Corta para 2016, ano em que, pela primeira vez, uma animação brasileira é finalista da categoria. Dirigido por Alê Abreu, O Menino e o Mundo acompanha um jovem garoto chamado Cuca que deixa sua aldeia rural e parte mundo afora em busca do pai. O retorno triunfal e inesperado não apenas do Brasil, como também de Walter Salles (que, ainda, em 2005, teve a obra Diários de Motocicleta na lista de indicados) no Oscar veio com o sucesso de Ainda Estou Aqui, em 2025.
Se o resto é história, a torcida para O Agente Secreto segue a todo vapor para mais um evento canônico se concretizar.
A cerimônia do Oscar acontece neste domingo (15/03) e será transmitida no streaming da HBO Max.