Antes da trilogia de Peter Jackson e seu sucesso mundial, O Senhor dos Anéis já havia sido adaptado uma vez, desta vez em animação, que não foi unanimemente aclamada – especialmente por J.R.R. Tolkien. Hoje, os filmes inspirados em O Senhor dos Anéis são reconhecidos como clássicos cult e um verdadeiro padrão para adaptações de obras literárias para o cinema. Apesar de algumas liberdades tomadas com o texto original, a obra de Peter Jackson recebeu 11 Oscars e ainda é frequentemente comparada a adaptações mais recentes, notadamente a série Os Anéis de Poder e o filme de animação A Guerra dos Rohirrim.
Embora jamais saberemos sua opinião sobre a saga de Peter Jackson, visto que o autor faleceu muito antes de seu lançamento, Tolkien não hesitou em expressar sua opinião sobre a primeira adaptação de O Senhor dos Anéis.
O projeto, cujo desenvolvimento começou no final da década de 1950, visava condensar a obra de Tolkien em um filme de animação de três horas. Profundamente apegado à sua obra, mas também muito exigente por natureza, o autor inglês não poupou palavras ao receber o roteiro de Morton Grady Zimmerman.
Comentários duros
Warner Bros.
Inicialmente, e especialmente antes de ler o roteiro de Zimmerman, Tolkien pareceu bastante aberto à ideia de uma adaptação de O Senhor dos Anéis, que negociou com o agente Forrest J. Ackerman. Mas sua reação ao roteiro, publicada em As Cartas de J.R.R. Tolkien, foi nada menos que mordaz. O trabalho de Zimmerman teria provocado "severa ansiedade" em Tolkien, que chegou a acusá-lo de ter "assassinado sua história". Essas já eram observações muito sérias, seguidas por críticas virulentas à capacidade de Zimmerman de ler e interpretar uma história.
"Eu diria que Zimmerman é incapaz de extrair ou adaptar as 'palavras faladas' do livro. Ele é precipitado, insensível e impertinente. Ele não lê. Parece-me óbvio que ele folheou O Senhor dos Anéis a uma velocidade vertiginosa e depois construiu (seu roteiro) a partir de lembranças parcialmente confusas, com mínima referência ao original. (...) Estou muito insatisfeito com a extrema estupidez e incompetência de Zimmerman, bem como com sua total falta de respeito pelo texto original."
As principais críticas de Tolkien
Warner Bros.
As críticas do autor são numerosas, abrangendo desde pontos cruciais da trama até meros detalhes estéticos, como a aparência alterada dos Orcs, que Zimmerman adorna com bicos e penas, ou a dos Elfos, que se assemelham a pequenas fadas. Mesmo ciente da dureza de suas observações, Tolkien insiste em sua posição, destacando um final confuso, "que, em última análise, beira o absurdo".
Ele não mede palavras, e sua opinião claramente tem peso, visto que o filme de Ralph Bakshi, de 1978, não guarda nenhuma semelhança com o roteiro de Zimmerman, com Peter S. Beagle e Chris Conkling assumindo a direção após sua saída.
O Senhor dos Anéis de 1978 não está disponível em nenhum serviço de streaming.