David Bowie tentou comprar um dos maiores clássicos da ficção científica e acabou perdendo para um amigo
Nathalia Jesus
Nathalia Jesus
-Redatora e crítica
Jornalista apaixonada por cinema, televisão e reality show duvidoso. Grande entusiasta de dramas coreanos e tudo o que tiver o dedo de Phoebe Waller-Bridge.

Apaixonado por Metrópolis, de Fritz Lang, David Bowie tentou adquirir os direitos do clássico de 1927 para lançar uma versão restaurada com nova trilha sonora, mas acabou superado por Giorgio Moroder.

David Bowie sempre será lembrado como um dos artistas mais influentes da música, mas sua relação com o cinema também foi profunda. Além de atuar ocasionalmente, o cantor nutria verdadeira admiração pela sétima arte — em especial por Metrópolis, obra-prima da ficção científica dirigida por Fritz Lang em 1927. Em determinado momento, Bowie chegou a tentar comprar os direitos do filme.

Ambientado em uma cidade futurista dividida entre trabalhadores e elite dirigente, o longa-metragem acompanha o filho do líder da metrópole, que se apaixona por uma jovem profeta da classe operária. Quase cem anos depois, o impacto cultural da produção permanece evidente.

A influência de Metrópolis na fase berlinense de David Bowie

A conexão de Bowie com o filme foi além da admiração. Ele pretendia homenageá-lo em um álbum inicialmente batizado de Metrobolist, título que acabou substituído por The Man Who Sold the World. Anos depois, durante a criação do disco Diamond Dogs, a influência se tornou ainda mais explícita.

Como contou Amanda Lear ao Miami News em 1978: “Vimos Metrópolis, de Fritz Lang, e David ficou maravilhado com ele. [...] Ele alugou o filme e o assistiu repetidamente em casa. E foi daí que surgiu Diamond Dogs. Toda a cenografia, o álbum e tudo mais, Bowie tirou de Metrópolis.”

Metrópolis
Metrópolis
Data de lançamento 4 de novembro de 1927 | 2h 33min
Criador(es): Fritz Lang
Com Brigitte Helm, Alfred Abel, Rudolf Klein-Rogge
Usuários
4,3
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Após essa fase, Bowie se mudou para Berlim, cidade onde nasceram tanto Metrópolis quanto O Gabinete do Doutor Caligari. Em 2001, ele definiu o local como o “lar espiritual” do expressionismo. Segundo o cantor, tratava-se de “uma forma de arte que refletia a vida não pelo acontecimento, mas pelo humor. Foi para lá que senti que meu trabalho estava indo.”

Alguns anos depois, Bowie decidiu tentar adquirir os direitos de Metrópolis para lançar uma versão restaurada com nova trilha sonora. No entanto, acabou disputando o projeto com o amigo e colaborador Giorgio Moroder.

Em entrevista ao New York Times em 1984, Moroder relembrou: “Ele ficou realmente surpreso e decepcionado: me disse que queria fazer a mesma coisa. Tive que competir com ele para conseguir os direitos. Se eu soubesse quanto custaria no final, talvez não tivesse feito.”

O valor final foi de 200 mil dólares. Moroder lançou sua própria versão remixada do clássico em 1984, embora a recepção não tenha sido particularmente positiva.

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