O estilo expressivo de direção de Baz Luhrmann, que se baseia em cores e formas descontroladas, é ao mesmo tempo impressionante e exaustivo. Isso foi demonstrado em Elvis, Romeu + Julieta, Moulin Rouge e O Grande Gatsby. Austrália, entretanto, é um pouco atípico. A longa saga histórica, estrelada por Hugh Jackman e Nicole Kidman, não é um thriller de tirar o fôlego, mas sim uma aventura visualmente deslumbrante do início ao fim. O talento de Baz para criar mundos visuais únicos, muitas vezes tão poderosos e majestosos que nos deixam sem palavras, é demonstrado com notável virtuosismo nesse filme.
É disto que se trata Austrália
Pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial, a aristocrata britânica Sarah Ashley (Kidman) viaja de Londres para Darwin para confrontar seu marido, sob suspeita de infidelidade. Ela contrata o rabugento vaqueiro Drover (Jackman) para escoltá-la até a fazenda de gado da família no interior do norte do país. Ao chegar, Ashley encontra seu marido assassinado. Uma amarga guerra entre fazendeiros irrompe, com o traiçoeiro capataz Neil Fletcher (David Wenham) unindo forças com o barão do gado King Carney (Bryan Brown).
Ashley demite Fletcher, tornando-se uma inimiga bastante perigosa. Ela acolhe o sem-teto Nullah (Brandon Walters) e elabora um plano ousado: conduzir uma caravana de 1.500 cabeças de gado por centenas de quilômetros através do inóspito interior australiano até Darwin, onde pretende vender o gado e, assim, quebrar o monopólio de Carney. Ela convence Drover a liderar a missão suicida. Com um punhado de trabalhadores rurais, Drover e Ashley embarcam em uma aventura perigosa...
20th Century Fox
Maravilhosamente antiquado e bombástico
A audaciosa tentativa de Luhrmann de criar uma epopeia monumental para a eternidade pode não ter sido totalmente bem-sucedida, mas Austrália é, ainda assim, um melodrama de aventura à moda antiga que vale a pena assistir – um cinema assumidamente emotivo que abraça completamente seu sentimentalismo. A direção incrivelmente poderosa e os visuais soberbos compensam as pequenas fraquezas no desenvolvimento dos personagens.
Não se deve esperar uma obra-prima como Assim Caminha a Humanidade, que aborda temas semelhantes. Em vez disso, Austrália é um filme que se apoia fortemente em efeitos visuais grandiosos e emoções intensas. Isso pode ser percebido como teatral e artificial. No entanto, também é possível se deixar cativar e se perder por quase 160 minutos em uma epopeia hollywoodiana de um tipo praticamente inexistente hoje em dia.
Como Baz se inspirou nos épicos das décadas de 1940 e 50, o desenvolvimento dos personagens é, para dizer o mínimo, bastante unidimensional. Embora isso garanta que a empatia seja claramente distribuída, Luhrmann não consegue extrair o máximo impacto emocional do filme porque nunca consegue igualar a grandiosidade visual à profundidade de sentimento necessária.
Mesmo assim, Austrália transborda charme, emoção e até humor. E para aqueles que acharem isso insuficiente, sempre há o magnífico espetáculo para apreciar.