Sob uma premissa aparentemente simples — uma jovem que acompanha seu parceiro para conhecer os pais dele —, o filme dirigido por Charlie Kaufman, Estou Pensando em Acabar com Tudo, torna-se algo muito mais complexo, estranho e fascinante. Protagonizado por Jessie Buckley — que acaba de ganhar o Oscar por Hamnet —, o longa vai desfazendo aos poucos qualquer sensação de normalidade por meio de detalhes que não se encaixam, diálogos que parecem ir além do óbvio e uma atmosfera que se torna cada vez mais inquietante.
Kaufman constrói um relato que não busca respostas claras, mas sim mergulhar você em um estado de dúvida constante, explorando a identidade, as expectativas e o peso das decisões. É uma proposta exigente, mas também muito estimulante se você se deixar levar por sua lógica emocional.
O peso dos diálogos em Estou Pensando em Acabar com Tudo
O que começa como uma típica visita familiar vai se deformando pouco a pouco. Nada termina de se encaixar totalmente, e essa sensação de que algo não está certo acompanha cada cena. A narrativa brinca com você, te desconcerta e rompe com qualquer expectativa.
Netflix
Kaufman aposta em conversas longas, densas e, às vezes, quase hipnóticas. Não são diálogos convencionais: aqui eles servem para construir uma atmosfera e aprofundar os personagens, mais do que para avançar a trama de forma tradicional.
Além disso, Jessie Buckley está magnética, sustentando grande parte do peso emocional do filme. E ao seu lado, Jesse Plemons traz uma inquietação constante, enquanto Toni Collette e David Thewlis fazem o mesmo, elevando cada cena na casa da família.
O filme trabalha a partir do sutil, com pequenos detalhes, mudanças quase imperceptíveis e uma encenação que gera um desconforto constante. É daquelas histórias que você não sabe explicar totalmente, mas isso é o que menos importa e não é necessário para aproveitar a viagem.